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CARTA AO GOVERNADOR

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Estimado governador Luiz Fernando Pezão,

Perdoe-me, antes de tudo, a pretensão. Tomo a liberdade por conhecer os seus bons propósitos, colega que fui de V.Exª  no secretariado do estado.

Fiquei contente ao saber que V. Exª fez questão de presidir a passagem de comando da Polícia Militar, em cerimônia com tropa formada, o que não acontecia em público há nove anos, fato que tinha rompido norma de mais de duzentos anos. O gesto significa que o governador quer prestigiar a bicentenária Corporação, a fim de que o comandante que ora assume e o seu Estado Maior possam, a partir da diretriz política do governo, planejar o emprego da PM com maior autonomia, no sentido de melhor proporcionar segurança e tranquilidade à população do estado.

Apesar de todo esforço no policiamento geral, no policiamento em grandes eventos (réveillon, carnaval, estádios de futebol, praias etc.) e na luta contra a criminalidade ― em que centenas dos seus integrantes têm perdido a vida ―, a PM e os PMs têm recebido críticas, não raro procedentes, sobretudo em se tratando do uso excessivo de força letal, e nenhum reconhecimento público. Tal fato faz com que o referido esforço e os riscos não sejam levados em conta, e redundem na desvalorização dos profissionais PM. Um grande desafio.

Gostaria, finalmente, de chamar a atenção para um ponto que me parece crucial. V. Exª deu posse ao oitavo comandante da PM em nove anos. Sem dúvida, um recorde nacional. Que organização, civil, militar, empresarial ou de qualquer natureza resistiria a tamanha descontinuidade sem desestruturar-se? Mal ou bem, a PM resiste. Mas cumpre (perdoe-me uma vez mais a pretensão) que o novo comandante tenha tempo para organizar-se e autonomia suficiente para desenvolver o trabalho da instituição a contento. O gesto de V. Exª enseja concluir que essa é a sua visão.

Prezado governador, reitero minha admiração pessoal e meu respeito.

Jorge da Silva, cel PM Ref.