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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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(CONT…) E A MORTE DO REPÓRTER DA BAND? PERGUNTA AOS JORNALISTAS

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Há duas semanas morria, atravessado por um tiro de fuzil quando cobria uma operação policial na Favela Antares, na Zona Oeste do Rio, o repórter fotográfico da BAND Gelson Domingos da Silva. Comoção geral, sobretudo entre os colegas jornalistas de todos os meios de comunicação. Inúmeras cobranças às autoridades da segurança pela pronta apuração dos fatos e duras críticas aos policiais. Referi-me ao episódio na postagem anterior (abaixo), publicada no dia seguinte, dia 7, assim:

“Lamentavelmente, passado o momento de comoção, a morte de Gelson aparecerá nos números frios das estatísticas da matança, ao lado das dezenas de milhares de mortes de outros brasileiros”.

Não era premonição, era certeza. Só não imaginava que o “momento de comoção” fosse tão efêmero. Pior, que o assunto fosse abandonado tão rapidamente inclusive pelos colegas de profissão. Fico na dúvida: não sei se o assunto foi abandonado em função de um “valor mais alto” alevantado, como diria Camões ao exaltar os feitos heróicos dos portugueses (no nosso caso, a ocupação policial-militar da Rocinha e a prisão de Nem…), ou se não se tratou de alinhamento funcional de profissionais da mídia à lógica e aos interesses da chamada “superestrutura” (que chamo de “sistema”), situação em que atuariam como seus  “intelectuais orgânicos”, no dizer de Gramsci.

A tomada do território da Rocinha (tomada, e não retomada…) é fato a ser comemorado por todos, principalmente por quem sabia como o régulo Nem exercia o seu “império” tanto ali como nas adjacências. O que espanta é como Gelson foi esquecido em tão poucos dias. Importante é o assunto Rocinha, até onde der.

Obs. Ler o post abaixo.

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6 comenários to “(CONT…) E A MORTE DO REPÓRTER DA BAND? PERGUNTA AOS JORNALISTAS”

  1. Paulo Xavier (ex- PM) disse:

    Bem lembrado Cel Jorge. E nesse ciclo onde as novidades de hoje se sobrepõem às manchetes de ontem, o povo vai se esquecendo do caso Juíza Patrícia Acioli, do menino Juan, do massacre do colégio de Realengo, das reivindicações dos 439 Bombeiros do RJ, em que situação se encontra os moradores do Morro do Bumba, os moradores das Região Serrana que perderam tudo, como estão?
    Provavelmente amanhã será publicado na primeira página de algum jornal: Fulano de Tal assume o comando do tráfico não sei de onde. E logo vira manchete. Mas assim caminha a humanidade, como diz o poeta, ou o filósofo, sei lá…

  2. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Apesar de não ser jornalista nem da área de comunicação ouso responder de forma breve a sua pergunta. Em primeiro lugar, lamentavelmente ocorreu uma banalização da violência. Uma grande parte das pessoas perdeu a sensibilidade em se indignar diante da sucessão de violências veiculadas diariamente na mídia, o que atinge também os jornalistas. O segundo motivo foi a concorrência desse incidente com grandes matérias como a crise na Grécia e outros países europeus, a instabilidade econômica na América, as comoções sociais nos países africanos, Campeonato Brasileiro de futebol na reta final, etc. e a “invasão” da Rocinha, o que parece, abrangendo toda a pauta. Por último, apesar do prestígio da Band, creio que a repercussão teria sido muito maior caso o cinegrafista fosse da Rede Globo.

  3. jorge disse:

    O meu propósito foi exatamente chamar a atenção para, no contexto da segurança pública, a desvalorização da vida, do ser humano.

  4. jorge disse:

    Enquanto isso, as pessoas vão morrendo na famigerada “guerra às drogas” inventada pelos norte-americanos.

  5. Capitão Marinho disse:

    Prezado Coronel,

    O quê comentar além do fato de ser seu fã? Perfeito!

  6. jorge disse:

    Caro Marinho,
    Fiquei constrangido em publicar o comentário, porém não fazê-lo seria censura. Preferia o comentário memso.

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