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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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A MORTE DO REPÓRTER DA BAND E A INSANIDADE DA “GUERRA”

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Terminou ontem (em Los Angeles, EUA, ainda é madrugada de domingo para segunda) a Conferência Internacional pela Reforma da Política de Drogas (International Drug Policy Reform Conference). Chega aqui, via internet, a notícia da morte no Rio de Janeiro do repórter fotográfico Gelson Domingos da Silva, da Band, quando cobria uma operação da “guerra às drogas” brasileira. Segundo a mídia, teriam morrido na mesma operação, além dele, quatro traficantes de drogas.

O tiro que matou Gelson teria partido do fuzil de um traficante, porém é preciso não esquecer de que ele foi vítima mesmo da “guerra”; guerra declarada em 1971 pelo presidente Nixon e extremada pelo presidente Reagan (“war on drugs”), a qual, ao contrário do que aparentemente se pretendia, ou seja, um “mundo sem drogas” (aparentemente, sim, pois é sabido que os objetivos eram e são outros ), aumentou o consumo e o tráfico, enriqueceu traficantes, corrompeu autoridades e políticos, e produziu a maior matança dos últimos tempos no mundo (vide as dezenas de milhares de mortes anuais associadas às drogas em países ditos periféricos, como México, Colômbia, Brasil), sem contar a destruição de lares e os danos individuais e sociais. Cumpre observar que tal não se dá na mesma escala nos países centrais, sobretudo no que declarou a guerra.

Lamentavelmente, passado o momento de comoção, a morte de Gelson aparecerá nos números frios das estatísticas da matança, ao lado das dezenas de milhares de mortes de outros brasileiros. Alguém dirá: “Traficante não é brasileiro…” Enfim, cruel cartilha: mexicanos matando mexicanos, colombianos matando colombianos, brasileiros matando brasileiros.

Na conferência acima referida, da qual participaram mais de 1 mil pessoas de diferentes partes do mundo, uma vez mais foi reafirmada a conclusão de que é preciso pôr fim à “guerra às drogas” em nível global.

Sobre alternativas ao modelo macabro vigente no mundo, remeto o leitor a artigo cujo link segue abaixo. Se interessar, é só clicar.

http://www.jorgedasilva.com.br/index.php?caminho=artigo.php&id=40

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11 comenários to “A MORTE DO REPÓRTER DA BAND E A INSANIDADE DA “GUERRA””

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O jornalista Ricardo Noblat em sua coluna de hoje no jornal “O Globo” faz uma análise da pretensão dos partidos políticos em ocupar ministérios no governo brasileiro. De forma objetiva e contundente assim se expressa o renomado articulista:
    “Somente os muito ingênuos acreditam que os partidos políticos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem ao país – e nada mais. Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será. Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financiam campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.” e prossegue fazendo demonstrações de sua tese no governo atual e anteriores. O que se pode concluir é que as políticas públicas são desenvolvidas em virtude principalmente dos ganhos financeiros ou outros tipos de vantagem para as elites políticas e econômicas, sendo difícil separar esses irmãos siameses. A face econômica do crime, principalmente, do tráfico de entorpecentes movimenta bilhões de dólares de forma direta ou indireta, sendo o principal fator que direciona a forma de tratamento do problema. Em seu bem elaborado trabalho sobre as drogas você demonstra historicamente o fracasso do “proibicionismo” e em sua conclusão apresenta diversas diretrizes de políticas públicas que sabemos viáveis de serem implementadas, desde que exista vontade política. No entanto, essa vontade conforme conclui o colunista Noblat estará sempre subordinada a interesses escusos e somente serão aplicadas quando os de sempre lucrarem com essas medidas. Enquanto isso vão morrendo brasileiros “traficantes” ou policiais, o que não faz a mínima diferença para as elites. So fica diferente quando a vítima é um homem da imprensa onde repercutiu a notícia na imprensa nacional e internacional. Não fosse isso, talvez você não tomaria conhecimento que morreram também no mesmo dia e local mais quatro brasileiros.

  2. Caro Cel Jorge

    Excelente artigo, vou republicar no nosso blog indicando a referencia, claro.

    Tb sigo por aqui na California. Abçao,

    LP

  3. jorge disse:

    Caro Luiz,
    A quem interessa manter esse estado de coisas?

  4. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Fico imaginando qual seria a manchete se só tivessem morrido os quatro traficantes. Com certeza, a operação seria reportada como tendo sido um sucesso. É muita hipocrisia.

  5. Lucia Marcondes Lins e Silva disse:

    Caro Prof. Jorge da Silva,
    O Rio de Janeiro ampulheta do tempo que correu depressa e a criminalidade tomaram cores berrantes em cada esquina da cidade maravilhosa. Acaba um governo, entrava outro, e a situação piora sem que os governantes tenham se dado conta, apesar dos indícios cada vez mais fortes e evidentes, de que a criminalidade tornara-se incontrolável.
    No fogo cruzado, está a população que, sentindo na pele o crescimento da violência, torna-se prisioneira dela. A sociedade do Estado do Rio de Janeiro vai às ruas várias vezes para pedir mais ação da polícia, mais justiça, menos violência, enfim aquele discurso de sempre.
    No entanto, a mesma sociedade que pede socorro, seus filhos, netos e bisnetos são ou foram frenquentadores assíduos dos bailes promovidos nos morros e conglomerados. E ai, a noite BRILHA! Ou melhor, o pó e outras guloseimas da loucura Coca & Cia, eram usadas em becos e vielas.
    Quem matou o repórter fotográfico foram os filhos dessa mesma sociedade e a imprensa que lucram milhões ou bilhões com seus programas de sensacionalistas de cunho REPÓRTERES POLICIAIS…

  6. paulo roberto disse:

    O combate ao tráfico baseado no confronto armado é simplesmente insano. O local onde o repórter cinegrafista Gelson Domingos da Silva foi morto numa troca de tiros entre policiais e traficantes não era um local ermo, despovoado. Não, era uma comunidade onde existem pessoas honestas, pessoas de bem, que se veêm colhidas no meio do fogo cruzado e que não estão seguras nem dentro de suas casas. Que criminosos não deêm a mínima para a segurança da população não é novidade, afinal, são bandidos, fascínoras. Mas que o próprio estado coloque em risco a vida de seus cidadãos é inadmissível. E se ao invés do jornalista, quem tivesse morrido fosse um morador? Haveria alguma repercussão? Certamente, se ostentasse o fisique du role, seria taxado como mais um traficante morto em confronto com a polícia…

    Forte Abraço Professor,
    Paulo Roberto

  7. jorge disse:

    Caro Paulo,
    Na operação teriam morrido, além do repórter, quatro traficantes. Se o repórter não tivesse morrido, a operação teria sido reportada como um sucesso.

  8. Licia Souza disse:

    Prof. Jorge da Silva,
    Lamentamos a morte do repórter cinegrafista Gelson Domingos da Silva em pleno desempenho da sua função. Eu não entendo por que o “desempenho” da função do policial tenha que ficar sob a mira dos holofotes, acompanhada tão de perto. Eu não vejo tamanha visibilidade no “desempenho” dos demais profissionais que atendem aos vários segmentos da sociedade. Pensemos, como exemplo, nos médicos. A imprensa não registra as cirurgias, os atendimentos ambulatorias. Desnecessário. Por que as ações da polícia carecem de “registros” contundentes. Esses profissionais não estão realizando as suas competências? Não é essa a sua função? Os meios de comunicação deveriam informar à sociedade o resultado
    das ações realizdas.

  9. jorge disse:

    Cara Lícia,
    Bem lembrado.

  10. Silvia Cunha Lima disse:

    Caro Professor Jorge,
    Tenho por certo que, ao verem tal post serei taxada de direitista.
    No entanto, Pouco a mim importa tais rótulos.
    Ai vai !

    Os Generais Presidentes

    Por Carlos Chagas – Jornalista

    “Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos.”

    Mas uma evidência salta aos olhos.

    Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

    Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.

    Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.

    Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

    João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos depois colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.

    Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram, nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas.

    Bem diferente dos tempos atuais, não é? ”

    Por exemplo o Lulinha, filho do Lula, era até pouco tempo atrás funcionário do Butantã/SP, com um salário (já na peixada politica) de R$ 1200,00 e hoje é proprietário de uma fazenda em Araraquara, adquirida por 47 milhões de reais, e detalhe, comprada a vista.

    Centenas de outros politicos, também trilharam e trilham o mesmo caminho.

    Se fosse aberto um processo generalizado de avaliação dos bens de todos politicos, garanto que 95% não passariam, seria comprovado destes o enriquecimento ilícito.

    Como diria Boris Casoy:

    “Isto é uma vergonha” e pior, ninguém faz nada”.

  11. jorge disse:

    Cara Sra. Sílvia,
    A amiga tem razão. Sempre falei isso. Sem comparação com grande parte da classe política, que só pensa em enriquecer. O problema é que há os que associam autoritarismo (que condeno) a desonestidade; e democracia (pela qual lutamos) com honestidade. Nada a ver.

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