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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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BORIS CASOY, OS GARIS E O EFEITO RIC√öPERO

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ALERTA AOS ELITISTAS ENRUSTIDOS

 

 

O apresentador de TV Boris Casoy n√£o sabia que o sistema de √°udio continuava ligado depois que deu a √ļltima not√≠cia do Jornal da Band. Logo ap√≥s, como mensagem de fim de ano, dois garis, a car√°ter, desejam Feliz Ano Novo aos telespectadores. E a voz de Casoy, enquanto a vinheta de encerramento do Jornal toca, √© ouvida: ‚ÄúQue merda…dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros!… o mais baixo da escala do trabalho‚ÄĚ. Disse isso rindo e em tom de deboche (conferir em http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js). No dia seguinte,¬†pediu desculpas no ar aos garis e √† audi√™ncia.¬†Fa√ßo meu o bord√£o do apresentador: ‚ÄúIsto √© uma vergonha!‚ÄĚ

 

Em 1994, fato id√™ntico. √Äs v√©speras da elei√ß√£o presidencial, o ent√£o ministro da Fazenda Rubens Ric√ļpero, enquanto aguardava para ser entrevistado num est√ļdio da Rede Globo, dizia o contr√°rio do que iria dizer minutos depois na entrevista. O ministro estava empenhado na campanha do candidato FHC, centrada no Plano Real. Em dado momento da descontra√≠da conversa com o jornalista Carlos Monforte, a prop√≥sito da varia√ß√£o das taxas do IPC-R, e sem saber que sua conversa¬†estava sendo captada pela antena parab√≥lica (Monforte, aparentemente, tamb√©m n√£o sabia), afirma: ‚ÄúEu n√£o tenho escr√ļpulos. O que √© bom a gente fatura, o que √© ruim, esconde”.

 

Animado, se oferece: “Se quiser, neste fim de semana podia ver o neg√≥cio do Fant√°stico. […] Quem √© que √©? √Č o Alexandre? […] Para a Rede Globo foi um achado. Em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ningu√©m pode dizer nada. […] Essa √© uma solu√ß√£o, digamos, indireta, n√©?‚ÄĚ Igualmente,¬†Ric√ļpero pediu desculpas, alegando que o que dissera n√£o representava o seu pensamento.

 

Pergunte-se: qual dos¬†Casoy √© o verdadeiro, o da m. ou o da desculpa? E qual¬†Ric√ļpero, o que confessa n√£o ter escr√ļpulos ou o que diz que n√£o queria dizer o que disse?¬†Na verdade, estamos a√≠ diante de algo comum na sociedade brasileira: a dupla personalidade, ou do que popularmente chamam de ‚Äúduas caras‚ÄĚ. Em p√ļblico, o democrata altru√≠sta; em privado, o elitista empedernido.

 

Elitista ou n√£o, preconceituoso ou n√£o (ningu√©m acha que √©, nem eu…), √© preciso cuidado. Hoje, al√©m das parab√≥licas e sistemas de √°udio ‚Äúinteligentes‚ÄĚ (a blindagem dos ‚Äúmeios‚ÄĚ pode n√£o contar com a ades√£o dos operadores…), existem as c√Ęmeras indiscretas em tudo quanto √© lugar, as minic√Ęmeras individuais, os aparelhos de escuta ambiental etc. No limite, √© recomend√°vel fazer como os mafiosos. V√£o para um lugar ermo, e falam baixinho no ouvido um do outro, com o cuidado de colocar a m√£o sobre a boca para inviabilizar a leitura labial √† dist√Ęncia.

 

Em qualquer caso, a saída é a franqueza, mesmo para assumir o elitismo. Elitismo não é crime.

 

  

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8 comenários to “BORIS CASOY, OS GARIS E O EFEITO RIC√öPERO”

  1. Carmem L√ļcia do Ros√°rio disse:

    “Elitismo n√£o √© crime.”?

    Claro que n√£o!

    Elistimo coronel, “√Č uma VERGONHA”.

    Vou fazer o meu: Isto é: partirei para uma noite etílica no meu baixo Leblon.

    Só bebendo- Só bebendo!

  2. Paulo Roberto disse:

    A “dupla personalidade” √© um fen√īmeno que ocorre em qualquer parte do mundo, sobretudo, quando se trata de pessoas p√ļblicas: pol√≠ticos, jornalistas, etc. Acho que o que diferencia o Brasil do resto do mundo s√£o as eventuais rea√ß√Ķes diante destes “flagras”. N√£o me recordo se Ric√ļpero por conta de suas inconfid√™ncias foi defenestrado do cargo de Ministro da Fazenda, – acho que sim – mas, tenho a impress√£o que tivesse este incidente ocorrido hoje em dia, nada aconteceria. Ele continuaria Ministro e nosso Presidente ainda diria que √© “hipocrisia” critic√°-lo. Me recordo que nos anos FHC, o Partido dos Trabalhadores denunciava √† imprensa o “toma-l√°-d√°-c√°” no Congresso em vota√ß√Ķes de interesse do governo. A troca de cargos e emendas por votos era pudicamente negada por todas as partes envolvidas, governo e parlamentares. Hoje o “toma-l√°-d√°-c√°” n√£o s√≥ √© admitido abertamente, como ainda √© mencionado com normalidade pelos analistas pol√≠ticos em suas colunas. Tranformou-se de algo que se fazia “debaixo dos panos” em “modus operandi” p√ļblico e not√≥rio da pol√≠tica brasileira. E a√≠ vem a pergunta que n√£o quer calar: pioramos – por admitir como naturais procedimentos que est√£o longe de refletir os melhores princ√≠pios √©ticos – ou melhoramos, por deixar de lado a hipocrisia e admitir abertamente a realidade tal como ela √©??? Sinceramente n√£o saberia dizer… Talvez o Professor possa dar uma ajuda!

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  3. Caro Paulo,

    Ric√ļpero foi exonerado, mas recebeu como pr√™mio de consola√ß√£o o cargo de embaixador da It√°lia (nada mal!…). Com rela√ß√£o √† sua pergunta, entendo que, por um lado, melhoramos: os c√≠nicos est√£o sendo desmascarados, e a indigna√ß√£o da sociedade tem aumentado. Por outro lado, pioramos, pois os poderosos est√£o dixando clara a “cara” que preferem (das duas que mencionei): a cara-de-pau.

  4. Paulo Roberto disse:

    Hahaha
    Sem d√ļvida, Professor, sem d√ļvida…

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  5. Carmem L√ļcia do Ros√°rio disse:

    O jornalismo da BAND n√£o √© exatamente um exemplo de imparcialidade e compromisso com a verdade – como a maior parte, infelizmente, do jornalismo praticado hoje pelos grandes meios. No entanto, √© de se ressaltar que foi a pr√≥pria emissora que escolheu esse ‘√Ęncora’, e que o diretor de jornalismo da mesma veio logo em socorro do apresentador, tentando minimizar o impacto de suas ‘infelizes’ palavras. Sem querer satanizar ningu√©m, foi muito mais que ‘infelicidade’ o que B√≥ris fez: ele emitiu conceitos que fazem parte de sua vis√£o de mundo e de sua avalia√ß√£o sobre os seres humanos que ocupam posi√ß√Ķes subalternas em nossa desigual pir√Ęmide. Agora √© tentar desfazer o mal-estar …

    Observo que mais vale um bom gari que um mau jornalista, embora este √ļltimo goze, em geral, de muito maior prest√≠gio social e se julgue mais apto a mediar a realidade, transmitindo-a segundo suas cren√ßas e tentando pregar uma corre√ß√£o √©tica que nem sempre condiz com seus pr√≥prios pontos de vista e atitudes. Que fique a li√ß√£o.

    Como não sou elitista.Hoje Plena Quarta-Feira e eu cá de férias- Estou me preparando para uma tarde e noite noite etílica. (risos)

    Abraços

  6. liliane farah assad disse:

    “Em qualquer caso, a sa√≠da √© a franqueza, mesmo para assumir o elitismo. Elitismo n√£o √© crime.”

    Juro que n√£o entendi ?

    O senhor afirma que, elitismo não é crime?

    O Elitismo é uma vergonha РSim uma vergonha.

    O senhor professor,é um elitista ?

  7. Cara Liliane,
    Utilizei a palavra crime no sentido formal. Claro que o elitismo √© conden√°vel socialmente, mas ningu√©m jamais foi ou ser√° preso por ser elitista ou esnobe. Quis ser ir√īnico com os not√≥rios elitistas do Rio de Janeiro, ou seja, aqueles “enrustidos” que detestam moradores de “comunidades”, ambulantes, criancas e adolescentes de rua, mas n√£o admitem em p√ļblico; que acham que a pol√≠cia deveria matar todos os bandidos. Se a amiga prestar aten√ß√£o ao que tenho escrito ver√° que n√£o sou um desses. E √© evidente que a amiga tamb√©m n√£o √©.
    Abraço,
    Jorge

  8. melquiades abra√£o Assad disse:

    Será que Boris equivocou-se ao pertencer ao C.C.C. Comando de caça aos comunistas andando armado pelas ruas de São Paulo,como nos informa a Cloacanews.???

    Arauto da moralidade deu uma mancada para quem não sabia e nem desconfiava dos seus pensamentos.E o pedido de desculpas foi esfarrapado,como se estivesse engolindo seu próprio lixo.

    Hoje em plena era da modernidade e da democracia, temos outros questionamentos para por na mesa do povo e, em seus cora√ß√Ķes e mentes.

    O que se tem de elitista no Brasil. Não é só o boris que assim pensa. Ele foi vítima da sua própria mídia. Bobeou!

    Boris e um ZERO da “direita”- Vai morrer na BAND!

    Abraços

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