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Jorge Da Silva. Nascido e criado no hoje chamado Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, entrou para a PM aos 17 anos, tendo atingido o último posto, o de coronel, aos 43. Atualmente é professor da UERJ.
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BORIS CASOY, OS GARIS E O EFEITO RICÚPERO

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ALERTA AOS ELITISTAS ENRUSTIDOS

 

 

O apresentador de TV Boris Casoy não sabia que o sistema de áudio continuava ligado depois que deu a última notícia do Jornal da Band. Logo após, como mensagem de fim de ano, dois garis, a caráter, desejam Feliz Ano Novo aos telespectadores. E a voz de Casoy, enquanto a vinheta de encerramento do Jornal toca, é ouvida: “Que merda…dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros!… o mais baixo da escala do trabalho”. Disse isso rindo e em tom de deboche (conferir em http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js). No dia seguinte, pediu desculpas no ar aos garis e à audiência.  

 

Em 1994, fato idêntico. Às vésperas da eleição presidencial, o então ministro da Fazenda Rubens Ricúpero, enquanto aguardava para ser entrevistado num estúdio da Rede Globo, dizia o contrário do que iria dizer minutos depois na entrevista. O ministro estava empenhado na campanha do candidato FHC, centrada no Plano Real. Em dado momento da descontraída conversa com o jornalista Carlos Monforte, a propósito da variação das taxas do IPC-R, e sem saber que sua conversa estava sendo captada pela antena parabólica (Monforte, aparentemente, também não sabia), afirma: Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde”.

 

Animado, se oferece: “Se quiser, neste fim de semana podia ver o negócio do Fantástico. [...] Quem é que é? É o Alexandre? [...] Para a Rede Globo foi um achado. Em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. [...] Essa é uma solução, digamos, indireta, né?” Igualmente, Ricúpero pediu desculpas, alegando que o que dissera não representava o seu pensamento.

 

Pergunte-se: qual dos Casoy é o verdadeiro, o da m. ou o da desculpa? E qual Ricúpero, o que confessa não ter escrúpulos ou o que não quis dizer o que disse? Na verdade, estamos aí diante de algo comum na sociedade brasileira: a dupla personalidade, ou do que popularmente chamam de “duas caras”. Em público, o democrata altruísta; em privado, o elitista empedernido.

 

Elitista ou não, preconceituoso ou não (ninguém acha que é, nem eu…), é preciso cuidado. Hoje, além das parabólicas e sistemas de áudio “inteligentes” (a blindagem dos “meios” pode não contar com a adesão dos operadores…), existem as câmeras indiscretas em tudo quanto é lugar, as minicâmeras individuais, os aparelhos de escuta ambiental etc. No limite, é recomendável fazer como os mafiosos. Vão para um lugar ermo, e falam baixinho no ouvido um do outro, com o cuidado de colocar a mão sobre a boca para inviabilizar a leitura labial à distância.

 

Em qualquer caso, a saída é a franqueza, mesmo para assumir o elitismo. Elitismo não é crime.

 

  

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8 comenários to “BORIS CASOY, OS GARIS E O EFEITO RICÚPERO”

  1. Carmem Lúcia do Rosário disse:

    “Elitismo não é crime.”?

    Claro que não!

    Elistimo coronel, “É uma VERGONHA”.

    Vou fazer o meu: Isto é: partirei para uma noite etílica no meu baixo Leblon.

    Só bebendo- Só bebendo!

  2. Paulo Roberto disse:

    A “dupla personalidade” é um fenômeno que ocorre em qualquer parte do mundo, sobretudo, quando se trata de pessoas públicas: políticos, jornalistas, etc. Acho que o que diferencia o Brasil do resto do mundo são as eventuais reações diante destes “flagras”. Não me recordo se Ricúpero por conta de suas inconfidências foi defenestrado do cargo de Ministro da Fazenda, – acho que sim – mas, tenho a impressão que tivesse este incidente ocorrido hoje em dia, nada aconteceria. Ele continuaria Ministro e nosso Presidente ainda diria que é “hipocrisia” criticá-lo. Me recordo que nos anos FHC, o Partido dos Trabalhadores denunciava à imprensa o “toma-lá-dá-cá” no Congresso em votações de interesse do governo. A troca de cargos e emendas por votos era pudicamente negada por todas as partes envolvidas, governo e parlamentares. Hoje o “toma-lá-dá-cá” não só é admitido abertamente, como ainda é mencionado com normalidade pelos analistas políticos em suas colunas. Tranformou-se de algo que se fazia “debaixo dos panos” em “modus operandi” público e notório da política brasileira. E aí vem a pergunta que não quer calar: pioramos – por admitir como naturais procedimentos que estão longe de refletir os melhores princípios éticos – ou melhoramos, por deixar de lado a hipocrisia e admitir abertamente a realidade tal como ela é??? Sinceramente não saberia dizer… Talvez o Professor possa dar uma ajuda!

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  3. Caro Paulo,

    Ricúpero foi exonerado, mas recebeu como prêmio de consolação o cargo de embaixador da Itália (nada mal!…). Com relação à sua pergunta, entendo que, por um lado, melhoramos: os cínicos estão sendo desmascarados, e a indignação da sociedade tem aumentado. Por outro lado, pioramos, pois os poderosos estão dixando clara a “cara” que preferem (das duas que mencionei): a cara-de-pau.

  4. Paulo Roberto disse:

    Hahaha
    Sem dúvida, Professor, sem dúvida…

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  5. Carmem Lúcia do Rosário disse:

    O jornalismo da BAND não é exatamente um exemplo de imparcialidade e compromisso com a verdade – como a maior parte, infelizmente, do jornalismo praticado hoje pelos grandes meios. No entanto, é de se ressaltar que foi a própria emissora que escolheu esse ‘âncora’, e que o diretor de jornalismo da mesma veio logo em socorro do apresentador, tentando minimizar o impacto de suas ‘infelizes’ palavras. Sem querer satanizar ninguém, foi muito mais que ‘infelicidade’ o que Bóris fez: ele emitiu conceitos que fazem parte de sua visão de mundo e de sua avaliação sobre os seres humanos que ocupam posições subalternas em nossa desigual pirâmide. Agora é tentar desfazer o mal-estar …

    Observo que mais vale um bom gari que um mau jornalista, embora este último goze, em geral, de muito maior prestígio social e se julgue mais apto a mediar a realidade, transmitindo-a segundo suas crenças e tentando pregar uma correção ética que nem sempre condiz com seus próprios pontos de vista e atitudes. Que fique a lição.

    Como não sou elitista.Hoje Plena Quarta-Feira e eu cá de férias- Estou me preparando para uma tarde e noite noite etílica. (risos)

    Abraços

  6. liliane farah assad disse:

    “Em qualquer caso, a saída é a franqueza, mesmo para assumir o elitismo. Elitismo não é crime.”

    Juro que não entendi ?

    O senhor afirma que, elitismo não é crime?

    O Elitismo é uma vergonha – Sim uma vergonha.

    O senhor professor,é um elitista ?

  7. Cara Liliane,
    Utilizei a palavra crime no sentido formal. Claro que o elitismo é condenável socialmente, mas ninguém jamais foi ou será preso por ser elitista ou esnobe. Quis ser irônico com os notórios elitistas do Rio de Janeiro, ou seja, aqueles “enrustidos” que detestam moradores de “comunidades”, ambulantes, criancas e adolescentes de rua, mas não admitem em público; que acham que a polícia deveria matar todos os bandidos. Se a amiga prestar atenção ao que tenho escrito verá que não sou um desses. E é evidente que a amiga também não é.
    Abraço,
    Jorge

  8. melquiades abraão Assad disse:

    Será que Boris equivocou-se ao pertencer ao C.C.C. Comando de caça aos comunistas andando armado pelas ruas de São Paulo,como nos informa a Cloacanews.???

    Arauto da moralidade deu uma mancada para quem não sabia e nem desconfiava dos seus pensamentos.E o pedido de desculpas foi esfarrapado,como se estivesse engolindo seu próprio lixo.

    Hoje em plena era da modernidade e da democracia, temos outros questionamentos para por na mesa do povo e, em seus corações e mentes.

    O que se tem de elitista no Brasil. Não é só o boris que assim pensa. Ele foi vítima da sua própria mídia. Bobeou!

    Boris e um ZERO da “direita”- Vai morrer na BAND!

    Abraços

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