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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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BANALIDADE DOS TIROTEIOS

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(Nota prévia: Artigo publicado no O Globo em 18/12/2016, domingo)

                                         http://oglobo.globo.com/opiniao/banalidade-dos-tiroteios-20664297

 Banalidade dos tiroteios

 Se apreensão de drogas e armas fosse indicador de eficácia,

Rio seria lugar tranquilo h√° muito

 

POR JORGE DA SILVA

18/12/2016 0:00

Enquanto as aten√ß√Ķes da sociedade voltam-se para a crise e os esc√Ęndalos de corrup√ß√£o, os tiroteios correm soltos, em particular no Rio. Tudo por conta da guerra que se trava pelo controle do mercado de drogas. Por alguma raz√£o, o poder p√ļblico resolveu que as drogas deveriam ser a prioridade da pol√≠tica de seguran√ßa, deixando em segundo plano a paz p√ļblica e a criminalidade geral: assaltos, arrast√Ķes e outros crimes.

E l√° vai a pol√≠cia, armada para a ‚Äúguerra‚ÄĚ; e as fac√ß√Ķes, idem. Esse arranjo vem transformando o Rio em verdadeiro faroeste, com mocinhos e bandidos matando-se √†s centenas, sem contar as mortes de pessoas inocentes. Fruto ou n√£o da guerra, o Brasil firma-se como campe√£o mundial de homic√≠dios.

Curiosamente, na avalia√ß√£o do pr√≥prio desempenho, as autoridades parecem atribuir mais peso √† quantidade de armas e drogas apreendidas do que ao √≠ndice de satisfa√ß√£o da popula√ß√£o. Ora, se o n√ļmero de apreens√Ķes fosse indicador de efic√°cia, o Rio j√° seria um lugar tranquilo h√° muito. Na verdade, o trabalho imposto aos policiais √© pior do que aquele com que S√≠sifo foi punido.

Recentemente, o Instituto de Seguran√ßa P√ļblica (ISP/RJ) mostrou que, de janeiro a outubro deste ano, a pol√≠cia apreendeu 7.444 armas de fogo, sendo 277 fuzis. Mais: embora os fuzis tenham maior visibilidade, s√£o as pistolas e rev√≥lveres, boa parte produzida aqui, as armas com as quais √© praticada a maioria dos assaltos, homic√≠dios e latroc√≠nios. Esse c√≠rculo vicioso de apreens√Ķes, em vez de deixar os bandidos desarmados, parece servir mais para aquecer o mercado. Bandido n√£o compra arma em loja.

L√™-se no GLOBO de 5 de dezembro: ‚ÄúDecreto vai autorizar a doa√ß√£o de armas apreendidas √†s pol√≠cias‚ÄĚ. √Č medida acertada. Na mat√©ria, as autoridades federais manifestam preocupa√ß√£o com os fuzis das For√ßas Armadas Revolucion√°rias da Col√īmbia (Farc), no momento em que a guerrilha √© desmobilizada. Procede a preocupa√ß√£o, por√©m l√™-se ainda na mat√©ria: ‚ÄúO poder de fogo cada vez mais elevado das organiza√ß√Ķes criminosas √© apontado como justificativa para armar a pol√≠cia tamb√©m‚ÄĚ.

O ‚Äútamb√©m‚ÄĚ pode sugerir que a pol√≠cia est√° menos armada do que os traficantes, o que n√£o √© fato; ou que precisaria se armar ainda mais para venc√™-los. Ora, mantido o atual modelo de proibi√ß√£o criminal √†s drogas, trata-se de utopia. De todos modos, a sociedade precisa encontrar meios menos traum√°ticos para lutar contra o crime enquanto persiste a proibi√ß√£o. Talvez virar a chave da prioridade: de apreender drogas e armas na ponta para estancar o fluxo de armas desde a sua origem.

Tendo em vista que o controle de armas compete ao governo federal, este precisa ir al√©m da fiscaliza√ß√£o exercida pelo Ex√©rcito e pela Pol√≠cia Federal, articulando os esfor√ßos dessas institui√ß√Ķes com outras ag√™ncias, nacionais e internacionais, para estancar o fluxo de armas e muni√ß√£o. √Č colocar no lugar da for√ßa a intelig√™ncia do Estado.

Tempos de crise. No Rio, a grande crise é a do medo. O desafio é desnaturalizar os tiroteios. 

Jorge Da Silva é cientista social e foi chefe do Estado-Maior Geral da PM-RJ

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2 comenários to “BANALIDADE DOS TIROTEIOS”

  1. José Medina disse:

    O N√ļcleo do Crime Organizado n√£o est√° no PCC, PV, nem outros seguimentos menores, eles tem apenas lucro de 200 milh√Ķes anual. Mas j√° grande organiza√ß√£o envolvida no Lava Jato, √© de Bilh√Ķes e Trilh√Ķes!

  2. jorge disse:

    Todos ladr√Ķes.

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