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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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VIOLÊNCIA E RACISMO. A QUEM INTERESSA A MATANÇA?

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(NOTA PRÉVIA: Transcrevo artigo publicado no jornal O DIA de hoje, 30/09 (OPINIÃO Artigos, p.13), escrito a propósito do relançamento ontem, 29/09, do livro nele referido, na livraria da Eduff, em Niterói).   

 

A QUEM INTERESSA A MATANÇA?

Há 18 anos, quando lancei a primeira edição do meu livro ‘Violência e racismo no Rio de Janeiro (Eduff, 1998), o mito racial dava os últimos suspiros, mas questioná-lo ainda podia levar o questionador à prisão por “incitar ao ódio ou à discriminação racial”.

A internet não se havia expandido, ao contrário de hoje, quando o número de smartfones ultrapassa 150 milhões, e as redes sociais se multiplicam. Redes há, porém, que desenvolvem novas formas de intolerância. No caso dos negros, presume-se que isso se acentua como resposta às políticas de cotas, introduzidas no Brasil em 2004, na UERJ.             

Depois que, em 2012, o Supremo declarou-as constitucionais, elas se expandiram. Atualmente, mais de 30 universidades as adotam, a despeito de forte reação. Outro ponto. Desde 2003 vigora a Lei 10.639, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para incluir nos currículos escolares a temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Mas a lei não decola…

Sintomaticamente, os que lutam por igualdade racial são chamados de “racialistas”; os defensores de direitos humanos, de defensores de bandidos; as hordas de “menores” pobres da “periferia” ― fora da escola e ou nas ruas ― deixam de ser questão social e, sim, problema de polícia, para o que seria preciso reduzir-lhes a maioridade penal e mandá-los para as prisões de adultos.

O quadro atual, portanto, autoriza-nos a sustentar que a violência do Rio e as formas concebidas para contê-la carregam viés discriminatório, pois vitimizam em escala moradores de favelas e periferia. Além de traficantes e jovens policiais mortos na espiral macabra da “guerra às drogas”, pessoas inocentes também morrem nos tiroteios. Crianças ficam sem aulas, tendo que adotar estratégias para não serem atingidas, como deitar no chão da sala.

Tudo sem contar o medo coletivo, no “asfalto”. Mais: dados oficiais mostram que jovens negros são vítimas de homicídios numa proporção de 2,5 para cada jovem branco, sendo razoável concluir que a premissa levantada há 18 anos provou-se válida. Daí, em proveito dos brasileiros de todas as “cores”, cumpre reconhecer que uma das saídas é fazer hoje o que se deixou de fazer há 128 anos, com a Abolição da Escravatura.

 

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4 comenários to “VIOLÊNCIA E RACISMO. A QUEM INTERESSA A MATANÇA?”

  1. José Medina disse:

    O combate a violência ou crime está na prevenção, em planear a cidade, com assistência social nos focos carentes e pessoas necessitadas. Mas os governos marginalizados, querem acabar com a criminalidade, com apenas uma bala de fuzíl.

  2. Marcelo disse:

    Boa tarde Ilustrisso Professor, Sera que nao caberia uma criacao de um Grupo Especial para investigar esse numero de policiais mortos no Rio de Janeiro?
    http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-10-09/pm-e-morto-em-bar-na-baixada-fluminense.html

  3. jorge disse:

    Caro Marcelo,
    Isso é uma bola de neve. A apuração das infrações penais no Brasil (homicídios incluídos) é atribuição da polícia judiciária, a PC. A taxa de elucidação de homicídios no Brasil varia de 5 e 8%, ou seja, de cada 100 homicídios, não mais que 8 são elucidados. Um desastre. Os poderosos, do governo e de fora, só exigem apuração quando alguma pessoa considerada importante é vítima. No mais, preferem que a polícia de investigação (PC) se instrumentalize para atuar ostensivamente. Sá se pensa em integração entre a PC e a PM para operações ostensivas, aparatosas, televisivas. Não é cula da PC.

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