- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

SOBRE FRASES NA DENÚNCIA CONTRA LULA

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Corre nas redes sociais a frase: “Não temos provas, mas temos convicção”, atribuída a integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Essa frase não foi articulada por nenhum deles. Trata-se da combinação de diferentes falas, sem relação necessária entre elas. Na verdade, a frase que deu origem à polêmica é a seguinte, do procurador Roberson Pozzobon, ao iniciar a sua explanação: “Não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário, em papel, do apartamento”.

Em um exercício de ‘Análise do Discurso’, dois pontos são notáveis: em primeiro lugar, a frase, introdutória e, a rigor, dispensável para quem ofereceria uma denúncia formal, soa como uma confissão da dificuldade de obter provas ‘cabais’ (conclusivas, acabadas); segundo: Pozzobon deixa claro que a força-tarefa procurou, de maneira exaustiva, uma prova ‘cabal’ (‘em papel’), mas não a encontrou.

Daí, diante dessa dificuldade, os procuradores escolheram, dentre algumas alternativas de conclusão do seu trabalho, aquela que se tornou polêmica, a quarta das elencadas abaixo:

1ª: “Não conseguimos provas de que Lula seja proprietário do apartamento”;

2ª: “Não há provas de que Lula seja o proprietário do apartamento”;

3ª: “Se Lula é o proprietário, ele camuflou muito bem esse fato”;

4ª: “Embora não haja provas cabais, não há dúvida de que Lula é o dono do apartamento”.