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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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SOBRE FRASES NA DENÚNCIA CONTRA LULA

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Corre nas redes sociais a frase: “Não temos provas, mas temos convicção”, atribuída a integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Essa frase não foi articulada por nenhum deles. Trata-se da combinação de diferentes falas, sem relação necessária entre elas. Na verdade, a frase que deu origem à polêmica é a seguinte, do procurador Roberson Pozzobon, ao iniciar a sua explanação: “Não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário, em papel, do apartamento”.

Em um exercício de ‘Análise do Discurso’, dois pontos são notáveis: em primeiro lugar, a frase, introdutória e, a rigor, dispensável para quem ofereceria uma denúncia formal, soa como uma confissão da dificuldade de obter provas ‘cabais’ (conclusivas, acabadas); segundo: Pozzobon deixa claro que a força-tarefa procurou, de maneira exaustiva, uma prova ‘cabal’ (‘em papel’), mas não a encontrou.

Daí, diante dessa dificuldade, os procuradores escolheram, dentre algumas alternativas de conclusão do seu trabalho, aquela que se tornou polêmica, a quarta das elencadas abaixo:

1ª: “Não conseguimos provas de que Lula seja proprietário do apartamento”;

2ª: “Não há provas de que Lula seja o proprietário do apartamento”;

3ª: “Se Lula é o proprietário, ele camuflou muito bem esse fato”;

4ª: “Embora não haja provas cabais, não há dúvida de que Lula é o dono do apartamento”.

 

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6 comenários to “SOBRE FRASES NA DENÚNCIA CONTRA LULA”

  1. Emir Larangeira disse:

    “(…) a transição de uma ‘sociedade segmentar tradicional para outra governada pelo Estado implica uma mudança na definição de criminalidade’, que deixa de ser encarada como um delito contra indivíduos ou grupos específicos, para passar a ser vista como um delito contra uma abstração, como ‘o interesse público’. De qualquer maneira, ampliar a definição de perigos para súditos ou cidadãos, e torná-la cada vez mais abstrata, proporciona uma justificativa para que se desenvolva um aparelho para conter o que é percebido como ameaça desse tipo.” (R. I. Moore, in The Formations of a Persecuting Society – Oxford, Blackwell)

  2. jorge disse:

    Caro compadre,
    Perfeito. Em resumo: fúria persecutória.

  3. SEBASTIAO TELLES FILHO disse:

    Em resumo: Direito penal do inimigo c/c domínio do fato, mas, porém, todavia, contudo, sem o peso jurídico do negroide JB.
    Aguardando ansiosamente um artigo do Mestre Zafaroni.

  4. jorge disse:

    OK, caro Sebastião. Fúria persecutória.

  5. José Medina disse:

    O País de duas Constituições: Um ator negro foi preso por apenas ser acusado de um assalto; goleiro Bruno, está preso por assassinato, sem a prova do crime, uma negra foi presa por pegar um pote de manteiga… Mas já os criminosos Robustos, assaltam todo povo e a Nação, como: o Cachoeira, banqueiros, Lula, etc, podem até ser condenados a mais cem anos e não são presos; a segunda constituição os protegem, através do Supremo Tribunal Federal.

  6. jorge disse:

    Caro Medina, é isso mesmo. Lamentavelmente.

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