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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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(Cont.) DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER! (II)

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No último dia 11 de junho, repassei, via Facebook, link de matéria do jornal O Globo de título: “Comércio formal de maconha movimentaria R$ 5,7 bilhões no Brasil”. Só repassei, sem externar a minha posição. A polêmica se instalou, com posições radicais contra e a favor. Na verdade, dias antes, em 8 de junho, tinha publicado no blog postagem, que agora reproduzo abaixo, na qual deixava clara a minha posição. Dei àquela postagem um título propositadamente ambíguo, pois tenho notado que muitas pessoas consideram suficiente posicionar-se sobre diferentes temas a partir apenas da leitura dos títulos, dispensando-se de ler o conteúdo. Aí vai:

DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER! (8 de junho de 2016)

Lê-se em chamada de primeira página do Globo (7/6/16): “Ministro tenta endurecer política de drogas.” Trata-se do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, para quem, segundo o jornal (p.24), “a legalização de drogas ilícitas, inclusive a maconha, levará a um consumo maior, que, por sua vez, aumentará o número de pessoas doentes, e também a pobreza no país”.  E ainda, taxativo: “Tem que ter algum tipo de punição, senão ele (o usuário) vai consumir mais. […] O Brasil nunca fez uma guerra às drogas de forma séria, com controle das fronteiras, leis mais duras para o tráfico e campanhas educativas”.

Médico e ex-secretário de Saúde (RS), é compreensível a sua preocupação com os usuários. Mas não se compreende o seu posicionamento ‘repressivista’ para conter o consumo. Nem a sua racionalização alarmista: a legalização levaria, no limite, ao aumento da pobreza no país. Como assim? A utilização do termo legalização, sem associação a controle governamental, pode passar a ideia do dito popular “liberou geral”, o que não é o caso. Importante frisar, a propósito, que a sua posição reverbera crenças de senso comum, na base do “mais do mesmo”, crenças que não se realizaram em qualquer lugar do mundo. Ora, o modelo ao qual o ministro se alinha está em prática há décadas, com o consumo, o tráfico e a matança da “guerra às drogas” (matança da periferia, claro…) sempre aumentando. Pergunto: Por que a racionalização da proibição e da “guerra” não se aplica à droga psicoativa que mais mata e desestrutura indivíduos e famílias no mundo, como um dia os norte-americanos imaginaram ser possível?

Sugiro aos interessados no tema a leitura do artigo do professor Julian Buchanan, “Dezesseis Grupos que se Beneficiam da Proibição”. http://brugerforeningen.dk/2015/09/sixteen-groups-who-benefit-from-prohibition-by-julian-buchanan-april-2-2015/

 

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4 comenários to “(Cont.) DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER! (II)”

  1. Emir Larangeira disse:

    Contra ou a favor da discriminalização do uso da maconha, o certo é que repressão só a valoriza e não diminui o consumo. Quem atuou e atua na ponta da linha da repressão policial sabe disso, a polícia só produz “kit imprensa” e nada muda. Sei disso porque fiz isso nos meus tempos achando ingenuamente que poderia dar fim ao tráfico de drogas, até que provei para mim mesmo ser isto impossível, pois a demanda só aumenta, talvez proporcionalmente ao aumento populacional. Também não me lembro de ter detido muito usuário classe média ou alta. Na Zona Norte, a maioria que se organiza na fila das drogas é de pessoas pobres. Tenho matéria jornalística da saudosa Albeniza Garcia (O DIA) provando isto na Favela de Acari: 250 usuários detidos em uma hora em apenas uma rua da favela numa sexta-feira ao entardecer. Todos em flagrante, com uma trouxinha ou um papelote e assumindo o vício. tudo trabalhador ou desempregado. Agora posso dizer sem temor: levei todos para a 39ª DP já ajustado com o delegado titular, já falecido, para liberar todo mundo sem lavrar flagrante algum. Ele topou. Talvez tenha sido temeridade, mas eu queria provar para a jornalista o que já me provara a mim: só pés de chinelo na fila. Uma lástima, pobres e viciados. Isto em 1989.

  2. Marcio disse:

    Lido na íntegra e a cada dia me convenço que o uso de mesmo “remédio” só vem trazendo a piora do quadro, independente da dose!!!

  3. jorge disse:

    É isso mesmo, Márcio. A quem interessa que a “guerra às drogas” (“guerra entre pessoas”) continue? O mercado de armas e munição vai de vento em popa…

  4. jorge disse:

    Perfeito, caro compadre. Assino embaixo.

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