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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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A MATANÇA DO RIO

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Por um lado:

(1) ‚ÄúNo Rio, 35 policiais mortos neste ano: […] e 128 foram feridos √† bala no Estado do Rio‚ÄĚ (primeira p√°gina de O Globo de ontem ,10/05/2016); – (2)¬†‚ÄúNo primeiro trimestre do ano, 156¬† PMs¬† s√£o baleados no Rio‚ÄĚ. ( noticias.band.uol.com.br, 09 de Maio de 2016); – (3) “PMs do Rio morrem 35 vezes mais do que policiais americanos“. (oglobo.globo.com, 12/01/2015); – (4)¬†‚ÄúRio √© o estado onde mais PMs s√£o mortos no pa√≠s‚ÄĚ. (odia.ig.com.br, 14/10/2015).

Por outro lado:

(5)¬†“Rio de Janeiro tem a pol√≠cia mais letal do pa√≠s”. (noticias.uol.com.br, 01/12/2015); – (6) ‚ÄúPol√≠cia do Rio de Janeiro √© a que mais mata no mundo‚ÄĚ. (www.estadao.com.br, 09/07/2008); – (7) ‚ÄúPol√≠cia do Rio mata 39% a mais e segue impune, diz anistia‚ÄĚ. (www.bbc.com, em 03/08/2015, mostrando aumento entre 2013 e 2014 no estado). Refer√™ncia: Relat√≥rio da Anistia Internacional Brasil 2015, segundo o qual ‚Äúentre 2005 e 2014 foram registrados no estado 8.446 ‚Äėhomic√≠dios decorrentes de interven√ß√£o policial‚ÄĚ.

Ainda:

(8) ‚ÄúBrasil tem o maior n√ļmero absoluto de homic√≠dios do mundo, diz OMS‚ÄĚ. (globo.com/globo-news, em 10/12/2014). Refer√™ncia: relat√≥rio de 2014 da Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS), relativo a dados de 2012; – (9) ‚ÄúEm 2015, 95 pessoas foram v√≠timas de balas perdidas no RJ‚ÄĚ. (R√°dio¬†BandNews Fluminense¬†(11/08/2015).

Bem, s√£o dados que carecem de verifica√ß√£o mais acurada. Alguns me parecem exagerados. De qualquer forma, refletem uma triste realidade. Em resumo, temos: (a) – a maior matan√ßa do mundo (64 mil homic√≠dios em 2012, de acordo com o relat√≥rio da OMS, referido acima, n√ļmero superior ao da √ćndia (52 mil), pa√≠s com 1 bilh√£o e 200 milh√Ķes de habitantes); (b) – os policiais brasileiros, em particular os do Rio de Janeiro, seriam os que mais morrem e que mais matam; e (c) – possivelmente, temos o maior n√ļmero de v√≠timas de balas perdidas do planeta.

A pergunta a fazer √© a seguinte: como conseguimos isso? Preocupante √© a naturaliza√ß√£o desse flagelo, ouvindo-se, ami√ļde, o incitamento a mais viol√™ncia estatal para conter a viol√™ncia dos bandidos, legitimando a matan√ßa: ‚ÄúTem que matar mais!‚ÄĚ

√Č compreens√≠vel a revolta diante da aud√°cia dos bandidos, dos assaltos, latroc√≠nios, tiroteios, arrast√Ķes, mortes, e ¬†de tanta inseguran√ßa e medo, o que leva os cidad√£os a n√£o refletir sobre as causas do que est√° acontecendo entre n√≥s.

Uma coisa é certa: se o caminho um dia trilhado deu resultado, é evidente que hoje não dá mais. Os meios utilizados para conter a violência do crime só têm feito aumentá-la. Maquiavel justificava os meios sob a condição de que atingissem os fins.

No fundo, independentemente de medidas racionais de m√©dio prazo, √© como se o Brasil estivesse sofrendo para conciliar-se com o seu passado. Como p√īr fim √† matan√ßa? Matando?…

 

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10 comenários to “A MATAN√áA DO RIO”

  1. José Medina disse:

    A corrupção e a impunidade nos três poderes, em Brasília, que cria toda essa criminalidade, no Brasil inteiro.

  2. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Em 11 de setembro de 2014 quando ocorreu a morte de um capit√£o PM de uma UPP, voc√™ fez a seguinte postagem: AT√Č QUANDO?!….MATAN√áA DE PMs E A “GUERRA √ÄS DROGAS” NO RIO(II). Na ocasi√£o fiz o seguinte coment√°rio que tamb√©m continua atual:

    ” Um sargento que trabalhava no Centro de Opera√ß√Ķes da PM, dizia que depois da meia-noite somente dois servi√ßos p√ļblicos funcionavam: a Comlurb recolhendo o lixo material e a PM atuando contra o ‚Äúlixo humano‚ÄĚ. Assim, caso o lixeiro sofrer algum acidente recolhendo o lixo √© uma coisa natural, bem como, a(o) PM sofrer algum fortuito, faz parte do risco e n√£o h√° diferen√ßa para a sociedade se no nosso ‚Äúfaroeste caboclo‚ÄĚ, quem morreu foi o ‚Äúbandido‚ÄĚ ou o ‚Äúmocinho‚ÄĚ. Esse ser humano que existe dentro da farda conforme voc√™ disse, s√≥ existe para os PMs e suas fam√≠lias. Eu nunca vi qualquer movimento social reivindicar melhores condi√ß√Ķes de trabalho para a PM, reinvindicar mais equipamento, tecnologias, melhores sal√°rios etc. S√≥ vejo movimento social contra a(o) PM. Esse jovem capit√£o, voluntarioso, dirigiu-se para a morte, sendo naquele momento o socorro aos seus comandados mais importante do que a sua prote√ß√£o individual. A sua conduta demonstrou que ele levava a s√©rio a can√ß√£o que aprendeu na Academia Militar. Deveria ser tratado como merece, um her√≥i para a sociedade. N√£o √© o que acontece. J√° imaginou se ele alvejasse uma crian√ßa da comunidade ao reagir aos tiros dos marginais?”

    Conforme voc√™ pode ver nada mudou porque os fatores condicionantes permanecem os mesmos: “Guerra √†s Drogas”, “pol√≠tica de confronto”, ” ocupa√ß√£o do terreno” etc. Enquanto permanecer esses fatores as suas postagens anteriores sobre o tema estar√£o atual√≠ssimas. Ser√° que teremos de nos acostumar que essa matan√ßa de pessoas n√£o tem solu√ß√£o?

  3. Emir Larangeira disse:

    Caro mestre, excelente cotejo! Leva-nos a pensar, por√©m, que as guerras de todas as formas assolam a humanidade desde que os seres humanos se tornaram greg√°rios. A guerra √©, sem embargo, a mais importante de todas as calamidades sociais, superando as epidemias. Neste mundo das guerras, mudam-se as motiva√ß√Ķes, mas o resultado s√£o os confrontos e os vencedores costumam ser os mais fortes. Por isso os povos fracos e despreparados para a guerra foram escravizados ou dizimados. Dispensam-se os exemplos. Desta inelut√°vel situa√ß√£o que representa a maior deforma√ß√£o espiritual do ser humano, conclui-se que somente o poder de dissuas√£o de um dos lados poder√° conter o √≠mpeto do outro em guerrear. O ideal, claro, seria sempre e sempre a paz. Mas o real √© a guerra, o que se torna necess√°rio venc√™-la ou evit√°-la demonstrando mais for√ßa. Neste reduzido aspecto, as for√ßas estatais s√£o mais fracas que as for√ßas criminosas. Por conta desta inferioridade, n√£o inibem os criminosos. Em contr√°rio, estimulam-nos a guerrear. E suas a√ß√Ķes sistem√°ticas resultam no quadro aterrador que voc√™ resume com a sabedoria de sempre, permitindo-nos especular como agora fa√ßo. Parab√©ns e obrigado pela oportunidade!

  4. jorge atalla disse:

    Uma vez , em viagem de estudos na Europa, indaguei a um oficial de policia qual era a normativa para a interação com os diversos segmentos da sociedade, mormente a população de baixa renda que viviam em conjuntos habitacionais. A resposta veio de pronto: Todos são tratados igualmente pela policia que as leis do pais.
    Acho que est√° havendo muita confus√£o nas declara√ß√Ķes que leio nos jornais, a ponto de achar que o comando da seguran√ßa , especialmente no rio, deveria ser entregue aos soci√≥logos, os quais numa pletora de id√©ias e cr√≠ticas √°s autoridades da √°rea, muitas vezes encampadas por outros “estudiosos “,n√£o raro, com suporte da m√≠dia, apresentam solu√ß√Ķes te√≥ricas nada condizentes com a verdadeira realidade.
    Na verdade, inexiste formulação mágica para , neste momento, desencadear um freio eficaz na violência e nos altos índices de criminalidade que está assolando, princialmente, os grandes centros urbanos.
    O problema da seguran√ßa p√ļblica s√≥ come√ßar√° a melhorar quando o problema for encarado sem demagogia e com um pragmatismo que se observa no pa√≠ses mais adiantados do mundo , ou seja:
    РImpunidade muito baixa; punição até para os crimes e desvios menores;
    -mecanismo efetivo de impedimento à procrastinação dos delitos;
    -alto índice de elucidação de crimes:
    -combate á corrupção em todos os níveis;
    -Controle e fiscalização das polícias , suficiente e permanentemente;
    -Planejamento permanente e ininterrupto das a√ß√Ķes preventivas e repressivas , com base em coletas de informa√ß√Ķes suficientes ;
    – Recursos materiais suficientes e renov√°veis acompanhando as inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas, com treinamento eficiente e permanente;
    Salário adequado e satisfatório apoio médico-hospitalar ao policial e família;
    -Controle e fiscaliza√ß√£o dos √≥rg√£os que comp√Ķem o Sis. de Seg.

  5. jorge atalla disse:

    Em complementação :
    A par das medidas apontadas , destaco outras variáveis que se somariam para sinergicamente auxiliar nessa cruzada contra o crime e todas formas de violência.
    -Acesso escolar para todos, com ênfase no ensino técnico, para formação consistente da força de trabalho, com aproveitamento imediato;
    -Sistema de transporte eficiente para o atendimento satisfatório para toda população;
    -Atendimento hospitalar compatível;
    – Frentes de trabalho para dignificar o ser humano, em vez de esmolas demag√≥gicas nos famigerados “bolsas fam√≠lias” e outros programas √≠nd√≠gnos para um para um que o ocupa uma relevante no contexto econ√īmico mundial.
    Enfim, que aponte um NORTE para a sociedade. E que , embora saibamos das dificuldades para realizar tudo, temos que buscar solu√ß√Ķes s√©rias para o pa√≠s, que est√° sofrendo as agruras em raz√£o de gest√Ķes p√ļblicas , criminosas e outras no minimo irrespons√°veis, com o dinheiro de toda a na√ß√£o, que paga alt√≠ssimo imposto e recebe em troca servi√ßos, em grande parte, de baixa qualidade.

  6. jorge atalla disse:

    Corre√ß√£o: …para um pa√≠s que ocupa uma relevante posi√ß√£o no contexto econ√īmico mundial,

  7. jorge disse:

    Isso mesmo, caro Atalla. Querem resolver quest√Ķes sociais com a pol√≠cia. √Č mole?

  8. jorge disse:

    Você tem razão, compadre. Pior é lutar numa guerra que atende a interesses políticos e outros, como buchas.

  9. jorge disse:

    Agora veja, Adilson. A seguran√ßa do Rio √© um caos, mas o secret√°rio de ‘seguran√ßa’, para a grande m√≠dia carioca, √© o melhor de todos os tempos. Pode?

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