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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“GENTE, EU NÃO SOU RACISTA!”

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A jovem paulistana X, de um escritório de advocacia, postou no Twitter o seguinte: “Nada contra, mas na estação do Brás abrem a porta da senzala, sou o contraste do vagão”. No dia seguinte (09/01/2016), em virtude da repercussão negativa nas redes sociais, posta: “Gente, eu não sou racista, fiz um comentário apenas. Tenho familiares negros e amigos. Já até apaguei o mal entendido”. (Cf. brasilpost.com.br).

Ora, por que não assume o que disse, se é o que pensa? Com certeza, não é com receio da lei antirracismo, que é mera ficção. Muito mais, é o temor de ser chamada de racista. Aliás, é sintomático no Brasil que as pessoas se ofendam menos com o xingamento à genitora do que com a pecha de racista, mesmo o sendo.

A jovem não está sozinha, tanto no desconforto com a presença de negros por perto quanto nas racionalizações usadas pelos que negam atitudes como as dela. Se o Twitter comportasse mais de 140 caracteres, a jovem talvez acrescentasse alguns dos carcomidos chavões usados  para “provar” que não se é racista: “Minha melhor amiga é negra”; “Na minha família, dizem que a bisavó da minha bisavó possuía traços negros”; “A empregada come na mesa com a gente”; “Racismo é coisa de americano; aqui é tudo misturado, da cor ‘brasileira’ ”; “Quem não tem um pouco de sangue negro?”; “Para mim, o que importa é o ser humano, e não a cor”; “Os negros é que estão sendo racistas, se fazendo de vítimas”, e por aí vai. Ufa! Haja paciência.

Gente, para com isso. De que adianta encobrir o sol com a peneira? Temos um problemão não resolvido, e pronto, a ser enfrentado por todos os brasileiros. Que a jovem reflita sobre o ocorrido; que proclame na sua conta do Twitter: “O Brasil não é uma democracia racial”. Afirme que há negr@s e branc@s no país, ou melhor, pessoas com identidade branca e pessoas com identidade negra; e pessoas de identidade “indefinida”, ou dupla, uma ou outra a ser exibida de acordo com a ocasião. Como um coringa.

 

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6 comenários to ““GENTE, EU NÃO SOU RACISTA!””

  1. José Medina disse:

    O Pai Eterno, de um só homem fez toda a raça humana, para habitar sobre toda face da terra; conforme os animais, mas eles são inteligentes. Por ignorância eu era racista, vou descontar o meu passado numa namorada branca, em uma noite e logo no outro dia, ela voltou e o meu passado foi para o inferno. Casei com uma Portuguesa, têm duas netas Italianas, quase loiras: Aprendi que toda divisão, são Satânicas, até mesmo religião ou política.

  2. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,
    Em primeiro lugar precisamos conceituar quem é “branco” no Brasil, além dos brancos. São “brancas”: Pessoas de pele escura e cabelo liso, pessoas de pele clara e cabelo carapinha, pessoas de pele clara com lábios grossos, nariz achatado e maçãs do rosto acentuadas, pessoas de pele escura de lábios finos, nariz afilado e outras combinações. Para esses, em face das opressões seculares é mais agradável apresentarem-se como “brancos” do que discutir ou enfrentar as discriminações. Os negros seriam apenas os semelhantes a cor do ministro Joaquim Barbosa. Como o Brasil é um país miscigenado, logo, a população é branca em sua maioria. Assim, depois de trezentos anos de escravatura, após a abolição, esta ainda não aconteceu nem nos direitos civis, nem nos sociais, conforme está nos seus livros, nos de Joel Rufino, Nei Lopes, Wilson Prudente etc. No entanto, o preconceito permanece oculto nos recônditos da alma e coberto pela hipocrisia da democracia racial. O episódio dessa moça foi um ato falho que rompeu a vigília dos mecanismos psicológicos de controle. O mesmo ocorre em restaurantes ou hotéis conceituados ou qualquer ambiente de luxo, quando entra um negro. As pessoas olham de soslaio, porém não é feito qualquer comentário, os quais ficam limitados na troca de olhares entre os comensais, após olharem para o negro(s). A diferença entre o caso apresentado e estes fica na manifestação explícita do primeiro e nos últimos no silêncio eloquente. Em pesquisa sobre o tema ao responder a pergunta: Você tem preconceito? 99% responderam não. Você conhece alguém que tem preconceito? 98% responderam sim. Esse assunto é um tabu tão sensível que as pessoas evitam discutir sobre o tema temerosos de ferir suscetibilidades e provavelmente você só terá o meu comentário.

  3. jorge disse:

    Adilson,
    1. Perfeita a sua análise.
    2. O mesmo texto, no Facebook, despertou dezenas de comentários, a esmagadora maioria reprovando a moça e concordando com a análise. Uns poucos, dois ou três, recorrendo aos chavões que coloquei no comentário. Percebo que há pessoas que comentam as postagens sem lê-las.

  4. jorge disse:

    è isso mesmo, caro Medina, esses preconceitos não têm qualquer sentido humano.

  5. José Medina disse:

    Nós não estamos lutando, contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal, que vivem nas trevas, são poderes, que dominam completamente, este mundo da escuridão.

  6. jorge disse:

    Verdade, caro Medina.

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