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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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CARTA AO GOVERNADOR

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Estimado governador Luiz Fernando Pezão,

Perdoe-me, antes de tudo, a pretensão. Tomo a liberdade por conhecer os seus bons propósitos, colega que fui de V.Exª  no secretariado do estado.

Fiquei contente ao saber que V. Exª fez questão de presidir a passagem de comando da Polícia Militar, em cerimônia com tropa formada, o que não acontecia em público há nove anos, fato que tinha rompido norma de mais de duzentos anos. O gesto significa que o governador quer prestigiar a bicentenária Corporação, a fim de que o comandante que ora assume e o seu Estado Maior possam, a partir da diretriz política do governo, planejar o emprego da PM com maior autonomia, no sentido de melhor proporcionar segurança e tranquilidade à população do estado.

Apesar de todo esforço no policiamento geral, no policiamento em grandes eventos (réveillon, carnaval, estádios de futebol, praias etc.) e na luta contra a criminalidade ― em que centenas dos seus integrantes têm perdido a vida ―, a PM e os PMs têm recebido críticas, não raro procedentes, sobretudo em se tratando do uso excessivo de força letal, e nenhum reconhecimento público. Tal fato faz com que o referido esforço e os riscos não sejam levados em conta, e redundem na desvalorização dos profissionais PM. Um grande desafio.

Gostaria, finalmente, de chamar a atenção para um ponto que me parece crucial. V. Exª deu posse ao oitavo comandante da PM em nove anos. Sem dúvida, um recorde nacional. Que organização, civil, militar, empresarial ou de qualquer natureza resistiria a tamanha descontinuidade sem desestruturar-se? Mal ou bem, a PM resiste. Mas cumpre (perdoe-me uma vez mais a pretensão) que o novo comandante tenha tempo para organizar-se e autonomia suficiente para desenvolver o trabalho da instituição a contento. O gesto de V. Exª enseja concluir que essa é a sua visão.

Prezado governador, reitero minha admiração pessoal e meu respeito.

Jorge da Silva, cel PM Ref.

 

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8 comenários to “CARTA AO GOVERNADOR”

  1. Cel Wilton disse:

    Tarefa de gigante, resumir em tão curtas linhas o pensamento e o propósito da “Velha Guarda da Bicentenária PM “. Parabéns e obrigado grande mestre Cel PM Jorge da Silva.

  2. jorge disse:

    Interessante é que a grande mídia e os analistas de segurança parecem achar tudo isso natural. Como podem?

  3. Leonardo Jandre Mataruna disse:

    Venho visitar ao receber o texto pelo facebook.
    O serviço público estadual e a corporação sofrem desgaste pelo ataque cotidiano da mídia tradicional e a nova, dita “alternativa”, fomentando, alimentando e direcionando politicamente a insatifação, agressividade e ódio popular. Faturam demagogicamente em cada oportunidade.
    Mas somos homens, máquinas não somos, incompreendidos e comprometidos com a missão e tarefa ingrata atada a nossas costas.

  4. jorge disse:

    Caro Leonardo,
    Disse tudo. A mídia brasileira, tradicional e/ou alternativa, precisa fazer uma autocrítica. Obrigado pelo comentário.

  5. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Concordo que a PM deve ser valorizada, prestigiada, com dotação orçamentária para fazer face as suas demandas, salário digno etc. As críticas a Corporação e aos seus componentes quando há desvios de conduta, não são compensadas com elogios quando a PM presta os relevantes serviços a população, desde grandes eventos ao serviço cotidiano, conforme confirmam as estatísticas do 190, considerado pela mídia que se trata de mera obrigação. Os profissionais da comunicação acompanham o policiamento de um modo geral, principalmente, nas programações de grande fluxo da população e ficam à espreita para descobrir alguma falha, para estampar na primeira página. É lamentável que isso ainda aconteça. No entanto, ouso discordar do meu mestre quando fala sobre a descontinuidade pela sucessiva troca de comandos. As organizações civis possuem formas mais precisas de mensuração de resultados como lucro, produtividade etc. quando a troca de um executivo por outro pode fazer a diferença. Na segurança esse controle é mais difícil por suas variáveis, inclusive o tempo. Quando chove, ou no inverno, a maior parte dos crimes tem uma redução considerável, em qualquer administração da Segurança Pública. Na troca desses nove comandos não há nenhum sinal, nada diferente aconteceu e se em vez de nove fossem noventa, também não haveria nenhum vestígio de mudança, pois a PM continuaria em sua rotina com as ordens de serviço, planejamentos estratégicos, policiamentos de setores etc. Às vezes, alguns para tentar ser diferentes apenas modificam os nomes de serviços já existentes há muito tempo, apresentando recortes como roupa nova, porém, fica tudo igual. O que confirma que nada muda é o uso da PM permanentemente como a “Geni”, isso em todos os comandos, pelo menos há mais de quarenta anos.

  6. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Você tem razão. Independentemente do comandante, a PM não muda. Não acho que você discordou de mim, pois concordo com os pontos levantados por você. Meu ponto é outro: a PM carrega o maior fardo da segurança pública, bem ou mal. O que, aos olhos da mídia e, por tabela, do governo (por critérios subjetivos ou sem critério algum) não vai bem na área da segurança é debitado à PM. E aí nos defrontamos com um paradoxo observado nos últimos anos. A grande mídia consegue enaltecer a política de segurança e, ao mesmo tempo tempo, execrar a PM. Até aí, entende-se, pois esse parece ser também papel da “Geni”. Trocando em miúdos: a segurança vai bem, mas a PM vai mal. Não fosse isso, a segurança seria cem por cento. Solução para que a segurança continue indo bem (esqueçamo-nos da espiral dos tiroteios, dos assaltos, das mortes, das balas perdidas, do medo coletivo etc. etc.): é só trocar o comandante, a fim de que a PM possa ser “consertada”. A prova cabal de que hoje em dia se considera que a segurança pública vai muito bem é que, em nove anos, temos o mesmo secretário de segurança (seria o melhor que o RJ já teve) e oito comandantes da PM. Se levarmos em conta que, independentemente do comandante da vez, a PM não muda, qual o objetivo de tamanha rotatividade de comandantes (algo inédito no Brasil, e talvez no mundo…)? Repito: qual é o objetivo?

  7. José Medina disse:

    Se todos os governos respeitasse a polícia, talvez o povo interagia em combate ao crime. Mas o sistema e a elite verminose, por falta de visão social ou sensibilidade ou por ser confortável, não interessam conhecer a causa: Mas esses imbecís, apenas reclamam, de falta de Polícia!

  8. jorge disse:

    Para começar, os governos deveriam respeitar a polícia. Concordo.

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