foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

Ver perfil

Os conteúdos dos textos deste Blog podem ser usados livremente. Pedimos, no caso, que sejam consignados os devidos créditos, com a citação do autor e da fonte.

 



 

 

MATANÇA PROGRAMADA I

4 Comentários, deixe o seu

.

Primeira página de O Globo deste domingo (13/12/15): “Bala perdida mata menino de 2 anos na Mangueira”. No interior da matéria, à pagina 15, lê-se que a criança ― cuja foto em vida, num largo sorriso, ilustra a matéria ― foi “baleada na barriga quando dormia dentro de casa”.

Como geralmente acontece nessas ocasiões, buscam-se culpados. Os moradores culpam os PMs; e estes, os bandidos. E a população se divide no marco do “culpismo”.  Como se estivéssemos falando de casos isolados. Ora, não passa uma semana sem que balas perdidas vitimizem uma ou mais pessoas, como revelou levantamento da rádio BandNews Fluminense em 11 de agosto deste ano: “Em 2015, 95 pessoas foram vítimas de balas perdidas no RJ”. Desconte-se o fato de que, às vezes, os meios de comunicação amplificam os números, na inversa medida do que costumam fazer as autoridades. Em qualquer caso, é preciso reconhecer que estamos diante de uma matança programada, com alvos certos: gente pobre da “periferia” e policiais da ponta.

Ficar discutindo, caso a caso, se os “culpados” são os traficantes ou os policiais faz parte de um jogo perverso e conveniente, pois desvia a atenção do real problema: o extermínio em escala. Aliás, em coerência com o fato de a matança brasileira ser a maior do mundo (dados da OMS).

É chegada a hora de, mais que buscar culpados na ponta, indagar sobre os “responsáveis”, mas de cima para baixo (accountability). Quem sabe não fosse o caso de desenterrar dispositivos da Lei nº 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade de autoridades, e que, no Capítulo “Dos Governadores e Secretários dos Estados”, dispõe na alínea 5 do Art. 7º: “servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua”. Bom caminho para acabar com as “balas perdidas…”

 

4 Comentários, deixe o seu   |    Imprimir este post Imprimir este post    |   


4 comenários to “MATANÇA PROGRAMADA I”

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Lamentavelmente essas mortes estão sendo naturalizadas. Quando os policiais matam os “bandidos” sempre na periferia da cidade isso faz parte da “guerra à criminalidade”. Quando os policiais morrem também é decorrente da “guerra” citada. As balas perdidas que matam inocentes também estão dentro do conceito.Tudo “natural”. A sociedade não chora a morte de nenhum dos lados. Assim, não há nenhum grupo das classes privilegiadas ou de organismos estatais ou civis interessado em cobrar responsabilidades. O povo não tem voz. Ao que parece, o que não tem remédio remediado está. Enquanto isso devem ser punidos os “culpados” como os policiais que metralharam os cinco jovens, negros e pobres que estavam no Fiat Pálio branco. Até quando?

  2. jorge disse:

    Adilson,
    Sou teimoso. Acho que vale a pena insistir. Não vão parar com o massacre, mas, pelo menos, vão ter que carregar a pecha de fascistas.

  3. José Medina disse:

    Toda essa criminalidade, é criada pelo sistema de poder da corrupção e impunidade em Brasília. Não adianta acusar ou incriminar pessoas, se não combatermos, esse sistema nos Três Poderes.
    A polícia é apenas vítimas e réu dos governos corruptos.

Envie o comentário


0/Limite de 1800 caracteres

Add video comment