- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

BALANÇO DE 2013: “LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX”

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 (Nota prévia: Em virtude da continuidade de casos escabrosos de corrupção, envolvendo pessoas dos altos escalões da República, republico postagem de 24 de dezembro de 2013, véspera de Natal…)

É lenda que o presidente francês Charles de Gaulle tenha falado o que dizem que falou, ou seja, que o Brasil não é um país sério (“Le Brésil n’est pas un pays serieux”). A frase não teria sido proferida por ele, e sim por um brasileiro, representante diplomático na França. Bem, se foi o brasileiro ou o francês quem falou, não faz diferença. Hoje em dia, ao ver um parlamentar preso na Papuda ser escoltado até o Congresso Nacional para votar em plenário contra a própria cassação e em seguida ser recolhido de novo à prisão; outro, condenado pelo Supremo por corrupção, inclusive a perder o mandato e os direitos políticos, subir à tribuna da Câmara e, em discurso inflamado, desafiar o presidente do Supremo a provar o provado; outro, deputado milionário, pedindo e conseguindo autorização para, às expensas dos contribuintes, fazer upgrade da classe econômica para a 1ª classe em voo a Nova Iorque, com a alegação de problema na coluna; parlamentares requisitando jatos da Força Aérea para levar familiares a jogo de futebol no Maracanã ou para outros fins particularíssimos, como tratar da calva; magistrados que, comprovadamente, tenham vendido sentenças e outras facilidades recebendo como punição aposentadoria com os vencimentos integrais; autoridades e mídia afirmando, em meio ao tiroteio, que a paz reina (mas sem esquecer seus coletes a prova de balas quando em ‘comunidades’ que afirmam pacificadas), ainda quando reportam mortes por balas perdidas e os recorrentes ataques de traficantes a bases policiais nesses lugares; hoje, repito, diante de tudo isso e muito mais, não importa saber quem é o autor da célebre frase. É triste, mas ela expressa a realidade em que vivemos. Riem de nós no exterior.

Neste NATAL, roguemos ao Senhor que em 2014 não tenhamos tantos exemplos de falta de seriedade, para dizer o mínimo…