- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

MINISTRO GILMAR MENDES E A CLEPTOCRACIA

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O ministro Gilmar Mendes parece acertar no geral, mas, penso, exagera no particular. No geral quando sustenta que o Brasil se firma como uma cleptocracia (sociedade governada por ladrões), do que seriam exemplos os recentes escândalos de corrupção. No particular, no entanto, embora se possa admitir que a alta corrupção se tornou aguda nos últimos anos, o ministro exagera por dois motivos: primeiro, porque afirma que essa mazela foi inaugurada recentemente, sem fazer caso dos vários escândalos vindos a público nas últimas décadas e da marca histórica entre nós do patrimonialismo (mistura do patrimônio público com o privado feita desde sempre pelos “príncipes” e seus associados); e segundo, porque atribui o problema a um único partido, como se não houvesse o conluio cleptocrático de políticos de várias agremiações e empresários de grandes empreiteiras. Quanto ao patrimonialismo, aliás, cumpre aduzir que o mesmo é irmão siamês da cleptocracia. Mais: que uma das suas manifestações consiste no fato de o titular de investidura pública tomá-la como sua propriedade particular.

É preciso, sim, enfrentar esse monstro, porém, convenhamos, não é razoável pretender resolver um problema com a sua causa. Ora, se 79% da população relacionam a corrupção política ao financiamento [1] de empresas, conforme pesquisa Data Folha (Cf. oglobo.com, 06/07/2015); e se 72,7% dos onze ministros do Supremo consideram inconstitucional esse tipo de financiamento [2], não se compreende a irresignação da minoria. Mais: a obstinação de alguns parlamentares. Será que vão tornar a insistir? Se insistirem, o farão em benefício do povo? E os empresários, são contra ou a favor?…