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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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DITADURA E DEMOCRACIA NOSSA

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Em chamada de primeira página para importante matéria à página 6 de O Globo de 11/07/2015, lê-se:

 “DITADURA

“Bailes black sob repressão / Documentos mostram que a ditadura militar perseguiu os bailes de música negra e as comunidades de favelas, afirmam FLÁVIA OLIVEIRA e MARIANA ALVIM”

De fato. A perseguição, com prisão de vários produtores culturais, sob pretexto de que pregavam a divisão racial, foi prática que, como fica claro na matéria, equipara-se a uma piada. A piada era o pretexto, e não a prática. Hoje, particularmente no Rio de Janeiro, temos outro tipo de ditadura, pois se observa prática semelhante, bastando substituir bailes black por bailes funk nas favelas. O pretexto antes, risível, era a ameaça do comunismo;  agora, o pretexto é a ameaça da  droga  (sempre haverá um pretexto…) tendo como corolário  a chamada “guerra às drogas”.

No fundo, temos aí exemplo acabado da verdadeira natureza da “democracia racial brasileira”.

Nota. Link da matéria, de imperdível leitura:

http://oglobo.globo.com/brasil/ditadura-perseguiu-ate-bailes-black-no-rio-de-janeiro-16733859?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar&fb_ref=Default

 

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4 comenários to “DITADURA E DEMOCRACIA NOSSA”

  1. José Medina disse:

    É fácil criticar, julgar pela aparência econômica, prender e torturar, negros e nordestino ladrão de galinha; mas sem nenhuma, visão de sentir os meios, que os levaram, como: O crime do lava a jato, que assaltaram Bilhões e Bilhões, da educação e da saúde e ninguém foi torturado ou morto.

  2. jorge disse:

    É isso, Medina. Dois pesos e duas medidas.

  3. Thiago disse:

    Prezado Professor Jorge da Silva.
    Sei que meu comentário não entra na questão do último post, mas vi algo muito difícil neste blog: Alguém que quer contar a história racial do Rio de Janeiro.
    Gostaria de fazer uma pergunta pro Senhor: Nos seus estudos, o povo do rio grande do sul e seus políticos são mais racistas que os brancos do sudeste?
    Não existe racismo no sudeste, apenas no sul.
    Foi assim que a mídia me ensinou. Sempre que eu entro nessa conversa, independente da cor, o carioca fica irritadíssimo comigo, inclusive o negro, não aceita de jeito nenhum falar sobre racismo no Rio com um gaúcho.
    Em São Paulo a coisa se torna bizarra. Já me xingaram de racista ao saber que eu sou gaúcho no mesmo momento em falavam que os nordestinos pardos são seus mexicanos ilegais (na mesma conversa!), alegando que pardos, negros e nordestinos só moram em são Paulo pq o paulista branco é bonzinho e aceita os ‘diferentes’!
    Em Minas é tempo perdido. Racismo não existe por lá (segundo a ONU/2012, BH é uma das 50 cidades mais racistas do mundo, por causa de sua desigualdade).
    Escrevendo esse post fico com receio do Senhor me interpretar mau, de achar que estou defendendo gaúcho, pois nunca um carioca me interpretou bem. É algo que me corrói. Só queria que a discussão racial no Brasil fosse individualizada, que pudéssemos ter mais livros sobre a história do racismo no rio, são Paulo, belo horizonte, fortaleza, salvador, goiânia e Brasília, nunca mais escutar aquele papo de absolver branco: “Isso acontece em todo lugar do Brasil” ou “o sul é racista, o meu branco não”.
    A minha paz social não pode valer menos que a do branco do sudeste. Mas gostaria de uma opinião consistente. Mas desde já, grato pela atenção.

  4. jorge disse:

    Caro Thiago,
    O racismo se manifesta de múltiplas formas. Deixo de lado o racismo estrutural e o institucional (relativos às posições ocupadas pelas diferentes grupos étnicos de forma desproporcional), para falar do racismo individual, nas relações interpessoais; e dizer que, para mim, racismo é racismo. Para saber se sulistas ou cariocas são mais ou menos racistas, só se tivéssemos um medidos de racismo, uma espécie de racismógrafo. Há racistas explícitos tanto lá quanto cá, e racistas enrustidos. Você tem razão quando diz que o carioca só acha que racistas são “os outros”. Entre os estudiosos do racismo, há consenso em que uma de sua formas mais cruel é ser praticado enquanto é negado. Os cariocas, são craques nesse jogo.

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