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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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A MATANÇA

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Esta é mais uma postagem em que chamo a atenção para o maior escândalo do Brasil: a matança. Não a matança de bois ou porcos, contra a qual lutam vegetarianos abnegados e grupos de defesa dos animais. Refiro-me à matança de gente, como se tivéssemos 50 mil brasileiros (média anual) no corredor da morte informal. Matança tida como normal por setores que se pensam protegidos da morte matada por não serem os seus alvos preferenciais ou por residirem ou circularem fora do alcance das balas “perdidas”.

Duas importantes matérias ilustram esse quadro macabro: uma se refere à matança de policiais do RJ, e a outra, à matança generalizada no País. (Cf. links ao final)

NO RJ. Em VEJA.com (14/06/2015), em matéria assinada por Leslie Leitão, lê-se: “Número de policiais baleados em favelas com UPP chega a 201 / Desde 2008, 21 foram mortos e 2015 já tem a pior média desde a criação do projeto”

A matéria fala de um número “assustador” de policiais baleados “nessas regiões que a secretaria de segurança pública insiste em chamar de pacificadas”. E apresenta um quadro mostrando o aumento progressivo, ano a ano, de policiais mortos e feridos. É realmente assustador, embora a sequência não leve em conta dois fatores: primeiro, o fato de que, a rigor, a inclusão do ano de 2008 seja questionável. Em 19 de dezembro daquele ano foi inaugurada, não uma UPP, mas a Companhia de Policiamento Comunitário do Santa Marta, que viraria UPP só em 21 de janeiro de 2009; e segundo, o fato de o número de UPPs também ter aumentado ano a ano.

O quadro de policiais feridos e mortos:

 

2008/2009: nenhum;
2010: 1 ferido;
2011: 5 feridos;
2012: 9 feridos e 5 mortos;
2013: 24 feridos e 3 mortos;
2014: 87 feridos e 8 mortos;
2015 (até 20 junho): 54 feridos e 5 mortos;
TOTAL: ​180 feridos e 21 mortos.

NO PAÍS. Na segunda matéria, é perturbadora a reportagem de fundo, publicada no UOL Notícias (17/06/2015), de título “Mata-mata no Brasil / Por que se morre e se mata tanto no país”, assinada por Daniel Buarque, com edição de Lúcia Valentim Rodrigues.

Trata-se de material precioso, indispensável a quem estuda a violência brasileira, tendo reunido especialistas de ponta do Brasil e do exterior. A matéria também fala em “números assustadores”. E aborda aspectos da questão normalmente descartados pelas análises apressadas, como a natureza do processo “civilizatório” brasileiro, a divisão social, a cultura da violência etc. E o escândalo: “De cada dez homicídios registrados no planeta, um ocorre no Brasil, que tem só 2,8% da população global”.

Concluo eu. Se não for a maior, a sociedade brasileira convive com uma das maiores matanças de gente do mundo. Há quem, longe das balas perdidas, ache que a solução para a matança é a matança… Matança pela paz. Pacificação…

PS.: Não é só a “secretaria de segurança que insiste em chamar de pacificadas” áreas com tiroteios quase diários e com tantos mortos e feridos. Amplos setores da mídia sustentam esse ‘aparente’ contrassenso.

Links das matérias:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/numero-de-policiais-baleados-em-favelas-com-upp-chega-a-200/

http://noticias.uol.com.br/especiais/mata-mata-no-brasil.htm#capa/1

 

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2 comenários to “A MATANÇA”

  1. José Medina disse:

    Enquanto vivemos numa guerra cívil e com grande corrupção, em todo o País. Os senadores, por não ter coragem ou falta de moral, para lutar pelo o povo ou defender a própria Nação, ainda invadem o País vizinho, para infernizar ou fazer politicagem.

  2. jorge disse:

    Isso mesmo, caro Medina. Pura politicagem, mesmo porque, aqui no Brasil, não são conhecidos por defender direitos humanos.

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