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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“GUERRA ÀS DROGAS”. SEGURANÇA NA MÍDIA DO RIO E NA MÍDIA DE SÃO PAULO

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Esta semana finda com 14 pessoas mortas, vítimas da disputa de facções pelo controle do mercado de drogas nas ‘comunidades’ de São Carlos, Coroa, Mineira, Fallet e Fogueteiro, na área central do Rio de Janeiro; moradores fizeram protestos, contidos pela PM; sete ônibus foram incendiados.

Novamente chama a atenção a forma diferenciada como as mídias do Rio e São Paulo abordam o tema da violência do Rio. Embora a mídia carioca reporte os fatos, nota-se que quase sempre busca minimizá-los, por mais trágicos que sejam, enquanto a mídia de São Paulo faz o contrário.

A Folha de São Paulo de hoje (sábado, 16/05) reporta os acontecimentos com chamada na capa, em foto grande, na qual aparecem dois PMs, um deles apontando o fuzil para o alto do Morro de São Carlos.  Já tinha estranhado que no dia anterior, sexta feira, o jornal O Globo, do qual sou assinante, não tivesse trazido notícia sobre aqueles fatos. Em vez disso, publicou, com chamada de capa (Crimes no Rio / Mortes por arma de fogo caem 66%), reportagem de página inteira (p. 10) sobre a referida redução. Imaginei que sairia no dia seguinte, hoje, sábado, dia 16, como de fato saiu, com foto do que seria o “segundo ônibus” queimados por “quatro bandidos encapuzados”.

Não resisti. Transcrevo postagem de 12/06/2013:

SEGURANÇA PÚBLICA E MÍDIA. “NÃO VIROU MANCHETE, ACONTECEU!”  

“Interessante a disputa travada ultimamente entre a mídia do Rio e a de São Paulo em torno do tema da segurança.  Casos de violência no Rio viram manchete em São Paulo, e quase não aparecem na mídia do Rio, e casos de violência naquela cidade viram manchete no Rio, e quase não aparecem na mídia de lá. O problema é que, na briga do mar com o rochedo (mídia de lá e mídia de cá) quem sofre são os mariscos (moradores de lá e de cá), vítimas da sonegação da informação e de informações enganosas. Consequência: os mariscos paulistanos, bombardeados de notícias do Rio pela mídia de lá, acreditam que vivem numa cidade segura, e o que mais temem é dar um passeio pelo Rio. Inversamente, os mariscos cariocas, bombardeados de notícias de São Paulo pela mídia de cá, acreditam também que vivem numa cidade segura, abominando a ideia de dar um passeio por Sampa. 

Esse esquema joga por terra aquele slogan de uma antiga emissora de TV no qual todos (ou quase todos) acreditávamos: “Aconteceu, virou manchete!” Hoje, no Rio e em São Paulo, ao que parece, o que não vira manchete é o que verdadeiramente aconteceu. Os paulistanos, se quiserem saber o que realmente acontece na sua cidade, ainda que de forma amplificada, devem seguir a mídia do Rio; e os cariocas, pelo mesmo motivo, a mídia de São Paulo. Ou então devem buscar informação em meios alternativos. Ou deixar de acreditar nas manchetes. Importante mesmo, nesse contexto, será procurar saber o que “NÃO VIROU MANCHETE” na mídia das duas cidades. Aí estará a verdade. 

Esperemos que em 2014 haja maior distinção entre empresas jornalísticas e jornalistas…”

PS. – O que esperávamos para 2014, parece que vamos ter que deixar para 2016.

 

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