- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

(Cont.) COMBINAÇÃO EXPLOSIVA II: ARMAS DE FOGO E…

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(Nota prévia. Esta postagem complementa a anterior, na qual me referi à chamada bancada da bala)

No Brasil, assaltantes matam pessoas de bem como baratas, destruindo sonhos e famílias. Matam a tiros, por matar, depois de roubar, estando a vítima a pé, no carro, no ônibus, a caminho da escola, da faculdade, do trabalho ou no lazer; ou entrando na garagem de casa. Mesmo armadas, como no caso de policiais a paisana, a surpresa costuma levar as vítimas à morte, ao hospital ou à cadeira de rodas, com a perda da arma. Nos últimos dois dias, só no Rio de Janeiro, como nos dá conta odia.ig.com de hoje (16/04/2015): “PM tem o terceiro policial morto a tiros em dois dias, sendo que só um não estava de folga. Sem contar o policial civil, baleado Porto Alegre ao tentar impedir um assalto, mas que, felizmente, não corre risco de morte. Duas armas foram levadas. Nenhum assaltante morreu ou foi ferido.

Bem, arma de fogo é o que não falta nas mãos de delinquentes de todos os naipes, nem munição. E o Brasil vai se firmando como um dos campeões mundiais da matança e do medo. Tem-se que a solução é desarmar os criminosos, e a polícia se empenha, mais parecendo ter recebido tarefa como a de Sísifo ou a de enxugar gelo.

Lê-se na primeira página do Globo (14/04/20150): Proposta flexibiliza uso de armas  / Projeto que altera o Estatuto do Desarmamento, facilitando a compra de armas, começa a ser analisado hoje na Câmara. Especialistas criticam o texto, que pretende elevar de seis para nove o número de armas por pessoa assim como liberar o porte na rua. (Grifo meu) 

Ora: (a) circulam no Brasil em torno de 15 milhões de armas de fogo, mais da metade delas ilegais, sem registro; (b) a “imensa maioria (78%)” das armas apreendidas em São Paulo é de fabricação nacional (Cf. Instituto Sou da Paz); (c) a maioria dos homicídios (70%) e de assaltos é praticada com o uso da arma de fogo; (d) bandido não compra arma em loja, nem munição.

Cumpre assinalar o seguinte: (a) a proposta conta com o apoio da chamada “bancada da bala”; (b) segundo a Folha de S. Paulo 21/11/2014: Empresas de armas ajudaram a eleger 21 parlamentares da ‘bancada da bala’/ Doações financeiras de empresas de armas e munição ajudaram a eleger 21 parlamentares neste ano, sendo 14 deputados federais […] De todos os candidatos financiados pelas empresas Taurus e CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) – que monopolizam o mercado –, 71% se elegeram. 

Interessante que, ao mesmo tempo em que boa parte da ‘bancada da bala’ defende a redução da maioridade penal para 16 anos, defende, no projeto, a redução da idade mínima para a compra de armas de fogo, de 25 para 21 anos.   

Caramba! Nem falei no flagelo das balas perdidas (mais de 40 este ano), nem na matança em “comunidades”, inclusive de policiais. Talvez não interesse à bancada.

Há mais de vinte anos, escrevi em livro que achava um absurdo que cada cidadão “idôneo” pudesse possuir seis armas de fogo. Querem aumentar o absurdo para nove. Bem, se bandido não compra arma de fogo em loja, nem munição, está explicado…