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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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DOIS “COMPLEXOS” (MARÉ E ALEMÃO) E UM GRANDE PROBLEMA

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O programa Fantástico de ontem (Rede Globo, 05/04/15) trouxe matéria, replicada no Jornal Nacional de hoje, 06/04, sobre alguns impasses no programa das UPPs e sobre os riscos e as condições de trabalho dos PMs que nelas atuam, reveladas pelo Ministério Público, que teria, segundo o órgão, recebido nos últimos dois anos cerca de mil denúncias de policiais a respeito. A matéria sai num momento crítico, em que algumas “comunidades” com UPPs encontram-se conflagradas, com bases policiais e os próprios PMs sendo atacados por traficantes. Caso emblemático é o do Complexo do Alemão. Nessa comunidade tem havido tiroteios diários. Na última semana, quatro pessoas morreram baleadas, inclusive um menino de 10 anos, o que tem provocado manifestações contra a PM. Para complicar, lê-se na capa do jornal Extra de hoje, 06/04: “PM OCUPARÁ MARÉ E ALEMÃO JUNTOS”. Como se sabe, ao mesmo tempo em que o governador anuncia que a PM reocupará o Complexo do Alemão com forte efetivo, as Forças Armadas serão substituídas pela PM no Complexo da Maré como preparação para implantação de UPPs. Imenso desafio.

Bem, desde o início, o programa das UPPs tem recebido amplo apoio da sociedade. Daí a sua expansão açodada, voltada para a quantidade, com desequilíbrio acentuado na distribuição dos efetivos e outros meios. Mais: com avaliação governamental centrada só nos aspectos considerados positivos, não se admitindo crítica. Acontece que, claramente, os interesses politico-eleitorais descartaram os estudos de Estado Maior, o que pode explicar certo descontrole. Não há dúvida: se as decisões governamentais sobre o programa (e sobre o emprego da PM como um todo) fossem precedidas de “estudos de estado maior” da PM, haveria mais acertos do que erros. Antes de qualquer decisão, alternativas seriam consideradas, óbices e desafios identificados, meios materiais e humanos disponíveis contabilizados, assim como o cálculo do tempo, da abrangência, das condições de emprego da tropa e do seu moral, e principalmente das possibilidades de atingimento dos objetivos. Em suma: tudo que só um “estudo de Estado Maior”, instrumento essencial para o planejamento estratégico, possibilita. O Estado Maior da PMERJ está capacitado a fazê-lo. Erro crasso é decidir politicamente antes, na base da intuição e do improviso, e planejar da frente para trás.

 

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2 comenários to “DOIS “COMPLEXOS” (MARÉ E ALEMÃO) E UM GRANDE PROBLEMA”

  1. Eron disse:

    E me parece que a problemática permanecerá. O governador admitiu não aumentar o efetivo no Alemão e sim, reorganizar. Reorganizar qual efetivo se o que existe já é escasso? Na maré colocará mais uma vez recrutas recém formados. Não seria melhor nessas áreas utilizar de policiais com mais experiência e ir substituindo gradualmente pelos mais novos? Todos nos sabemos que a presença de tropas do C.O.E é figurativa, eles irão sair e quem ficará será os recrutas em área dominadas há anos pelo tráfico. Uma pena, o projeto tinha tudo para dar certo, mas quando utilizado como plataforma política a qualidade cai muito.

  2. jorge disse:

    Caro Eron,
    É isso mesmo.

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