- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

EXÉRCITO SAI DA MARÉ E PM ENTRA. UM ALERTA

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Anuncia-se que a PM começará a substituir as Forças Armadas na Maré a partir de amanhã, dia 1º de abril. Há exatos três anos, coincidentemente no dia 31 de março de 2012, publiquei postagem com o seguinte título: EXÉRCITO SAI DO ALEMÃO E PM ENTRA. UM ALERTA (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=2887 [1]). O texto poderia ser reproduzido na íntegra, apenas substituindo ALEMÃO por MARÉ. Extraio apenas dois trechos:

“É preciso evitar comparações, na base do antes e do depois. A ideia que a maioria das pessoas tem hoje […] é que a região está totalmente pacificada, sob controle; que os traficantes teriam sidos expulsos ou presos, e que não haveria maiores atritos entre as comunidades e as forças de segurança; e que incumbiria à polícia estadual […] manter essa tranquilidade daí em diante. Não é bem assim. Ainda há tráfico; e atritos com as comunidades (insuflados ou não por traficantes remanescentes), o que é reconhecido pelas próprias autoridades. Lê-se, por exemplo, em matéria do Estadao.com.br (12 mar 2012), referindo afirmação do assessor de comunicação social da Força de Pacificação do Exército: “Somente em fevereiro deste ano, os militares foram alvos de 89 ataques nos dois complexos de favelas, muitos deles com armas de fogo”. Mais: no segundo dia de atuação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque, em ação que antecede a implantação das duas primeiras UPPs, foi apreendida grande quantidade de drogas.”

[…]

A advertência é necessária para evitar que, ao primeiro conflito entre traficantes e PMs ou entre estes e moradores (o que, obviamente, vai continuar acontecendo) não se conclua (a advertência se dirige especialmente à mídia) que a PM perdeu o controle ou é incompetente. […] Fique claro que os PMs não poderão adotar todos os procedimentos e táticas dos militares do Exército, nem utilizar o mesmo aparato bélico. E estarão regidos pelo ordenamento civil. Cumpre, portanto, acima de tudo, não esquecer a esse respeito que, embora não tenha sido decretado Estado de Defesa, o Exército atuou como exército, e não como polícia. A polícia estadual não poderá atuar como exército. Esta não é uma pequena diferença.

Concluo. É extremamente perversa a comparação que setores da mídia insistem em fazer entre a PM e o Exército. Ora, os militares federais enfrentaram os mesmos problemas que os PMs enfrentam em diferentes “comunidades” há anos. Fique claro: a PM não vai receber uma região sem traficantes armados, como não recebeu no Alemão há três anos. Lê-se em O Dia (29/03/15): Tráfico resiste após um ano de ocupação militar na Maré. Daí, não contribui para a tão almejada paz que se obre em estabelecer comparações entre as duas corporações com o objetivo de desqualificar a PM. Não bastasse todo empenho e sacrifício dos integrantes dessa bicentenária Corporação, é preciso, pelo menos, respeito pelas dezenas de PMs mortos numa “guerra” que não foi inventada por eles. Será que alguém acredita mesmo que o quadro insidioso que se instalou entre nós (facções de traficantes, tiroteios quase diários, arrastões em vias expressas, túneis, trens, metrô) se resolverá com a polícia, ou com o Exército? Claro que não; logo…