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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?”

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Lê-se na coluna do Ancelmo Gois, no Globo (14/03/15):

Barraco na AA

Lou de Oliveira, o marido, Boni, e mais um casal não conseguiram embarcar de Nova York para o Rio, anteontem, no voo das 21h55m da American Airlines. É que um comissário, de forma grosseira, mandou que Lou, na classe executiva, pusesse a mala no bagageiro. 

Só que…

Ela se irritou com a falta de educação. Acredite. Foi o suficiente para o comissário chamar a polícia, que mandou Lou se retirar do avião. 

 

Ao ler a nota, fiquei na dúvida. Seria uma critica ao comissário ou à senhora Lou? Como se sabe, a ironia é recurso utilizado para significar o contrário do que é dito ou escrito. À primeira vista, parece uma crítica ao comissário (e à AA), porém o título da nota “Barraco na AA” implica dizer que alguém armou o “barraco”. Quem?… Mais: por que a coluna sublinhou o fato de a senhora ser passageira da classe executiva? A ênfase nesse ponto seria da própria coluna?

Um comissário considerado “grosseiro” e uma passageira irritada com a grosseria. Grosseiro como? Irritada como? Ainda: até onde eu saiba, quem decide chamar ou não a polícia é o comandante do avião, e não os comissários; logo…

Bem, talvez estejamos diante de um choque cultural. O avião era de empresa aérea norte-americana, e não brasileira. Na Brasil, sociedade que tem a hierarquia social como um dos seus fortes traços (“Você sabe com quem está falando?”), o “barraco” poderia ter outro desfecho: o comissário, depois de desautorizado pelo comandante do avião, talvez perdesse o emprego. Nos Estados Unidos, quando uma pessoa se dirige a outra assumindo-se em posição de superioridade, arrisca-se a ouvir: “Who(m) do you think you are?” (“Quem você pensa que é?”).

Afinal, será que há regras diferentes entre a classe executiva e a classe econômica quanto ao uso dos bagageiros?

 

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4 comenários to ““VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?””

  1. Cel wilton disse:

    Caro amigo, sensacional o “Who do you thing you are ? Deveria constar, pelo menos, em todos os manuais de boas maneiras daqui.

  2. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Essa é uma diferença cultural, encrustada na nossa história. Ela se esqueceu de que não estava em avião de empresa aérea brasileira. Concordo com você. A nossa socialite recebeu uma boa lição de boas maneiras do comandante do avião.

  3. Jose Medina disse:

    Autoridade que dar carteirada, tinha que ser preso; por abuso de poder e afronto: A formaçao pedagogica ou cargo, nao muda a personalidade, das pessoas.

  4. jorge disse:

    Caro Medina,
    É isso mesmo. Pior é que tem muita gente que age dessa forma.

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