- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

BALAS ‘CERTEIRAS’ MATAM CRIANÇAS NO RIO. A QUEM INTERESSA?

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Duas crianças mortas, atingidas por tiro no último fim de semana: a menina Larissa, 4 anos, e o menino Asafe, 9. Desta feita, os defensores da morte, digo, da pena de morte, e da redução da maioridade penal, sobretudo em programas policialescos da TV, não puderam levantar a hipótese de que as crianças tivessem “alguma ligação com o tráfico”. Não puderam fazê-lo por dois motivos: primeiro, pela idade tenra das crianças; e segundo, pelo local em que foram atingidas, em companhia dos pais. Se as duas crianças tivessem, digamos, onze anos, e se as balas as tivessem atingido, digamos, numa “comunidade”, aí não tinha escapatória. Como sempre, a hipótese, quando não a suspeita, seria levantada.

Diante da impossibilidade no caso das duas crianças, os arautos da morte resolvem se somar à comoção geral, realçando, com semblante contrito, o desespero das mães. Isto até que outra bala “certeira” (a bala costuma escolher os lugares para se perder) acerte a próxima criança.

Já pensei que isso decorresse de irracionalidade. Não penso mais. Tudo indica que se trata de uma racionalidade inconfessável, perversa. É assim porque querem que seja assim mesmo.

Só falta perguntarmo-nos: a quem interessa que a matança na periferia continue? A quem aproveita a continuidade da “guerra às drogas”? Pesquisadores e jornalistas são convidados a responder.