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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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MORTES DE POLICIAIS NO RIO E EM NOVA IORQUE

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Rio. Mais um PM, soldado Caio Robinson Lins, foi morto por traficantes nesta terça feira, 06/01. Desta feita, no Morro de São Carlos, comunidade da Zona Norte que conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora – UPP. No ano findo, foram dezenas de PMs assassinados, em serviço ou de folga, mas por serem policiais. A frequência dessas mortes tem tido o efeito perverso de naturalizá-las, como se fosse mera contingência do trabalho policial. Nenhuma comoção, a não ser das famílias, dos companheiros de farda e amigos dos mortos. De uns tempos para cá, a própria mídia passou a reportá-las lateralmente, como se tratasse de assunto sem maior importância. Soldado Caio, mais uma morte na estatística… Triste.

Nova Iorque. Depois de três anos sem que um policial sequer fosse assassinado em serviço (o último caso aconteceu em dezembro de 2011), dois agentes foram mortos enquanto lanchavam dentro da viatura, fato que causou comoção nacional, como mostrado mundialmente na TV nos últimos dias. Foram mortos de surpresa por um indivíduo com passagens pela policia, negro, que prometera no Instagram vingar as mortes de dois negros, Michael Brown, pela polícia de Ferguson, e Eric Garner, pela de Nova Iorque, em dois casos que provocaram revolta, alegadamente por dois motivos: primeiro porque Brown, desarmado, foi morto a tiros, e Garner, também desarmado, teria sido morto em consequência de excesso de força dos policiais, por estrangulamento; e segundo, porque, nos dois casos, os policiais envolvidos, brancos, não foram indiciados pelo ‘grand jury’.

Não é o caso de comparar sociedades, mas Nova Iorque e Rio de Janeiro não são tão diferentes a ponto de a abissal discrepância não despertar a atenção dos estudiosos da segurança pública e de analistas sociais em geral, sobretudo os da mídia. Uma pergunta poderia ser ponto de partida: por que tamanha matança no Rio de Janeiro (não só de policiais…)? E por que isso não acontece em Nova Iorque?

 

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