- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

VIVA 2014, O ANO QUE PASSOU!

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A rigor, 2015 começa amanhã, dia 5, depois de grandes comemorações mundo afora. Nada diferente de outros anos. O que finda, um velho jovem, é desprezado, como se o quiséssemos enterrar. Tal fato talvez se deva ao apelo exercido por tudo que é novo e a um desejo recôndito de que a benfazeja Era de Aquário, de paz, harmonia e fraternidade, avance para o nosso tempo. Daí, a cada 31 de dezembro, comportamo-nos como se estivéssemos prestes a entrar nessa Era, como imaginou John Lennon. Acontece que enterrar o ano que passou é fazer o mesmo com o que terminou antes dele. Daqui a um ano, repetir-se-ão as comemorações. Tudo para, a um só tempo, enterrar 2015 e saudar 2016.

Mas será que 2014 foi ruim? Talvez, porém cumpre reconhecer, por exemplo, que, em meio às dores do mundo, jogou luzes no futuro. No caso do Brasil, inobstante tamanhas iniquidade e violência, tudo indica que o País caminha para se tornar uma república de fato, com o aperfeiçoamento das instituições, da política e da justiça. Ainda que timidamente, a “Lei da Ficha Limpa” barrou das eleições de 2014 um bom número de maus políticos. Da mesma forma que em 2013, o ano de 2014 viu protagonistas de escândalos milionários amargar estágio na cadeia, ainda que por pouco tempo, diferentemente da certeza da impunidade expressada pelo sr. Delúbio Soares ao afirmar que as denúncias da AP 470 virariam “piada de salão”. Mais: descobriu-se a pólvora na “Operação Lava Jato”: que não há corruptos sem corruptores, o que levou à prisão empresários acima de qualquer suspeita e altos executivos. Tem neguinho se candidatando a delator premiado e devolvendo milhões do roubo… O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) continuou a apertar o cerco a magistrados protagonistas de malfeitos ou com patrimônio incompatível com os seus ganhos, movimento moralizador que, ao que tudo indica, continuará em 2015. Mais: eventos do Judiciário, como congressos e seminários, tiveram limitação de patrocínio de empresas. (Aliás, em vez de buscar patrocínio junto a  empresas, privadas ou públicas, os magistrados e suas associações deveriam ser os primeiros a se contrapor a essa prática). Tivemos também a ampliação geométrica das redes sociais e da imprensa investigativa. Transparência forçada… Aos poucos, o povo vai ganhando mais consciência política.

Bem, não é o melhor dos mundos, e ainda faltam séculos para que a influência de Aquário, como sonhou Lennon, se manifeste. Mesmo porque, se essa Era um dia chegar, o mundo não precisará de políticos nem de juízes. Nem de Exércitos.

VIVA 2014!