- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

EXÉRCITO NA MARÉ (VI): Para que o cabo Mikami morreu?

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Esta é a sexta postagem sobre as complicações e dúvidas em relação à ocupação da Maré. Publico-a em razão do ocorrido ontem, 28/11/14. O cabo do Exército Brasileiro Michel Mikami, na flor da juventude, foi morto por traficantes com tiro na cabeça. É possível que agora, diante da dura realidade, haja espaço para o bom senso, pois aconteceu com o jovem militar o que acontece praticamente toda semana com jovens PMs, às vezes com a morte de dois, três ou mais, fato que parece naturalizado pela sociedade. Será que alguém acredita mesmo que se vá resolver a intrincada questão das drogas dessa forma? Que se vá acabar com o tráfico acabando com os traficantes? Que a paz pública se persegue com os princípios da guerra? E as responsabilidades por tantas mortes?…

Republico abaixo uma das cinco postagens anteriores, de 14/04/14, quando se noticiou outra “primeira morte”. Se houver interesse, vão, após o texto, os links das demais.

 

EXÉRCITO NA  MARÉ (IV): A naturalização da morte no Brasil , e dúvidas [1]

A morte de uma pessoa na Maré em confronto com os militares foi noticiada como sendo a primeira (O Dia, O Globo, Veja, Estadão). Na capa de O Globo deste domingo, por exemplo (13/04), lê-se: “Na Maré, o 1º morto em confronto com o Exército” / “Jefferson Rodrigues da Silva, de 18 anos, foi morto a tiros por militares na Maré. O Exército diz que o jovem atirou contra a patrulha ao ser abordado. Revoltados, moradores da favela fecharam a Linha Vermelha por alguns minutos.”

No interior da matéria (p. 30), outra informação chama a atenção: “Quatro militares da Força de Pacificação que participaram do confronto se apresentaram na 21ª DP (Bonsucesso) para prestar depoimento. Eles estavam escoltados pela Polícia do Exército”.

Bem, sobre a naturalização da morte, há que perguntar: por que “o 1º morto”? Por que não se noticiou um morto? Esperam-se mais mortos? Trata-se de espanto, lamento ou o quê? De contagem regressiva?

Dúvidas. Se realmente, como noticiado nos jornais, ‘o jovem atirou contra a patrulha ao ser abordado’ por militares do Exército em missão da Força, em área sob controle militar, e morreu no confronto, a ação estaria legitimada. Se as coisas não se passaram exatamente assim, como alegam moradores, as apurações, da PC e do Exército, dirão. Em qualquer das hipóteses, no entanto, há que perguntar: trata-se ou não de assunto da esfera militar?

Em qualquer das hipóteses, no entanto, há que perguntar: trata-se ou não de assunto da esfera militar? E o decreto que, segundo a imprensa, seria assinado pela presidente autorizando a atuação das Forças Armadas no espaço que contém a Maré? Todos esperavam o decreto para conhecer as condições em que o emprego se daria. Imaginava-se que seria decretado Estado de Defesa, como admitido pela Constituição, o que certamente evitaria dúvidas, sobretudo no que concerne às restrições de direitos constitucionais, e protegeria os militares. (Penitencio-me se estiver errado, pois não consegui acesso ao texto do decreto, se é que foi realmente expedido).

Bem, inocente ou bandido, morreu mais um brasileiro na flor da idade, numa “guerra” sem sentido.  Há quem ache pouco.

(abril 14th, 2014)

Links das outras postagens:

I – http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=5257 [2]

II- http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=5281 [3]

III- http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=5286 [4]

V- http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=5413 [5]