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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL III

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A PROFECIA DE ORSON WELLES

Na década de 1940 o cineasta Orson Welles esteve no Brasil para rodar um filme-documentário sobre o carnaval do Rio e os jangadeiros do Nordeste. Certo dia, teria se virado para Vinícius de Moraes, que o acompanhava pela cidade, e afirmado, a propósito das favelas e seus moradores: “É um Frankenstein, um monstro que vai se voltar contra vocês”.

O filme jamais foi concluído porque, dentre outros entraves, Welles desagradou as autoridades brasileiras (Estado Novo) e setores da intelectualidade por dar ênfase a cenas com negros e favelas. O fato é que Welles teve que interromper as filmagens e nunca mais voltou ao Brasil. Eram tempos em que a sociedade carioca se via harmoniosa, com “cada coisa no seu lugar”, como diria Roberto Da Matta. “Arrumada”. Uma perfeita democracia.

Olimpíadas de 2016. Estamos entre a integração e o aprofundamento do fosso social, pois se nota grande dificuldade de identificarmos (como facilmente identificou Welles) os reais problemas da Cidade, ou melhor, do Município… Alguém já disse que a fórmula ideal para não resolver um problema é fingir que ele não existe ou arranjar culpados (o governo, os traficantes etc.); ou fazer como o avestruz.

Um monstro que vai se voltar contra vocês.” Se considerarmos o quadro insidioso que se formou ao longo do tempo na “cidade partida”, como a viu Zuenir Ventura em 1994, e os problemas que, há mais de duas décadas, atormentam os cariocas (conflitos violentos, apartação social, morticínio, tiroteios e balas perdidas e, sobretudo, o medo coletivo), não há dúvida: descontado o epíteto “monstro”, Orson Welles foi realmente profético.

Alguém dirá: “Nada a ver uma coisa com a outra”. É…
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Um One comentário to “OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL III”

  1. Fatima Silva disse:

    Concordo com a profecia de Orson Welles, o monstro já está se voltando contra a sociedade, mas continuamos a ignorá-lo. Nossos governantes se voltam para a Barra e Recreio valorizando estes bairros como um último trunfo para se passar por uma cidade linda, moderna e elitizada, preparada para o futuro e para 2016. Nenhuma autoridade terá tempo de visitar bairros favelizados, sujos onde nada funciona. A pobreza generalizada da sociedade do Rio de Janeiro corrobora a profecia, talvez em 2016 o monstro acorde e reaja.

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