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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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PROFESSOR MALAGUTI “HOMENAGEIA” OS NEGROS BRASILEIROS NO MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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O Jornal Nacional da Rede Globo (05/11/14), noticiou o episódio em que o professor de economia Manoel Malaguti, ao se posicionar contra o sistema de cotas durante uma aula no curso de Ciências Sociais da Ufes, afirmou que, entre um médico branco e um médico negro, escolheria o branco. Ante a repercussão pública do episódio, tentou justificar-se nos seguintes termos, ipsis litteris:

“[…] Eu diria simplesmente e reafirmo, que dois médicos, com o mesmo currículo e com a mesma experiência, só que um negro e outro branco, em função da possibilidade estatística desse médico branco ter tido uma formação mais preciosa, mais cultivada, eu escolheria o médico branco. Há uma maior dificuldade do cotista negro, há uma maior dificuldade. Não quer dizer que ele é inferior, superior, nada disso. Ele simplesmente nasceu numa situação de desigualdade social em relação aos outros alunos brancos e que não sejam cotistas”. (Conferir entrevista em http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/11/declaracoes-de-professor-contrario-ao-regime-de-cotas-provoca-indignacao.html )

Como o IBGE adota o sistema de autodeclaração, qualquer um pode, mesmo tendo traços negroides e carapinha, declarar-se ao IBGE como branco e comportar-se como tal, e pode, com cabelos lisos e pele clara, declarar-se negro, sendo esse um dos argumentos dos que são contra as cotas, ou seja, o da suposta dificuldade de se saber quem é negro e quem é branco no Brasil, pois seríamos todos “misturados”, pardos, ainda que pretos retintos ou brancos da cor da neve. Falácia de quem é portador de daltonismo sem sabê-lo, ou de quem desconhece a distinção entre “preconceito de origem” e “preconceito de marca” (o brasileiro), como explicou Oracy Nogueira; ou de quem, conhecendo a distinção, discorda dela. Tal ambiguidade tem sido fonte de muita crise existencial. Seria o caso de Manoel Malaguti?

Ora, nenhum problema em a pessoa ser contra ou a favor das cotas. Opinião é opinião. Só que um acadêmico, professor-doutor, não pode orientar-se apenas por lugares comuns do senso comum (sic) nem ficar preso à identidade social que ostenta. Afinal de contas, uma coisa é uma conversa privada entre pares identitários; outra é a pretensão de entrar na pugna argumentativa pública, em meio acadêmico, a favor ou contra, sem ter estudado o tema, armadilha em que se meteu Malaguti. Quando o professor fala em “formação mais preciosa, mais cultivada”, faz lembrar Narciso admirando-se no espelho. No fundo, refere-se à sua formação em economia.

O professor descartou o fato óbvio de que pode haver cotistas muito inteligentes, e não cotistas pouco inteligentes. Descartou também o fato de que há estudantes negros não cotistas que, mesmo oriundos de um sistema público precário como o nosso, apresentam desempenho melhor do que o de muitos estudantes brancos vindos de escolas privadas de alto padrão. Aliás, o reitor da Ufes foi bem claro a esse respeito. Pesquisas da Uerj chegaram à mesma conclusão. Ademais, inúmeras pesquisas Brasil afora (e no exterior) há muito derrubaram os argumentos do professor sobre cotas; e nenhuma, que eu saiba, os confirmou.

Para piorar a situação de Malaguti, o mesmo deve ter enfurecido outros opositores ilustres das cotas, os quais, chamando os que lutam contra o racismo estrutural de “racialistas”, insistem na estranha tese de que não há negros nem brancos no Brasil; só brasileiros misturados, todos pardos.

Em suma: o professor Malaguti é exemplo do oposto de tudo que sustenta. Além disso, conseguiu inovar: somou o racismo individual, que se manifesta nas relações interpessoais, ao racismo estrutural, o que se opõe à mudança da ordem social contida na fórmula “Cada macaco no seu galho”.

 

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6 comenários to “PROFESSOR MALAGUTI “HOMENAGEIA” OS NEGROS BRASILEIROS NO MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA”

  1. Eron disse:

    Na dúvida, para ele, um negro é menos capaz que um branco. Lamentável. Declaração preconceituosa.

  2. semog disse:

    Valeu Jorge. Quanto mais a gente avança, mais eles brotam como pústulas. Abs.

  3. jorge disse:

    Muito bom que eles saiam do armário; que mostrem a cara.

  4. Cel Wilton disse:

    Caro amigo, este senhor, pseudo intelectual, deveria tomar muito cuidado caso fosse acometido de uma crise de apendicite enquanto estivesse realizando uma viagem a África, principalmente após seu pronunciamento se espalhar ( e vai) por todo o mundo. ( é que o destinp poderia cortar outra parte de seu corpo em vez da apèndice supurada……)

  5. Cel Wilton disse:

    Caro amigo, este senhor, pseudo intelectual, deveria tomar muito cuidado caso fosse acometido de uma crise de apendicite enquanto estivesse realizando uma viagem a África, principalmente após seu pronunciamento se espalhar ( e vai) por todo o mundo. ( é que o destino poderia cortar outra parte de seu corpo em vez da apêndice supurada……)

  6. jorge disse:

    Caro Wilton, não sei se você viu o vídeo que encaminhei junto com a postagem. Parece-me que o problema do gajo é crise de identidade. Pelo cabelo carapinha e pele grossa, pareceu-me mais um sarará. Como diz a música cantada por Sandra Sá: “Sarará Crioulo”.

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