- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

“GUERRA ÀS DROGAS” NO RIO. OU…

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Quase todo dia, o noticiário dá conta de tiroteios havidos em “comunidades” do Rio. Ontem, 03/11/14, mais uma vez na Rocinha e na Maré. Na Rocinha, que conta com uma UPP e que se situa na área do BPM do Leblon, traficantes receberam a PM a tiros; na Maré, cuja área, além contar com um BPM desde 2003, está ocupada por tropas federais há seis meses, os traficantes, uma vez mais, atacaram os militares a tiros. Nestas ou naquelas comunidades, sempre o mesmo script: disputa pelo controle do mercado de drogas, tiroteios entre traficantes e PMs, mortos e/ou feridos, milhares de crianças sem aula ou deitadas no chão da escola; comércio fechado por ordem dos traficantes; protestos de moradores; e a PM e os PMs se multiplicando em sacrifício para conseguir alguma ordem.

Curioso que, na sequência do episódio da Maré, lê-se em O Dia, 03/11/14: “Lideranças da Maré se mobilizam para cobrar mais segurança na Região”. Ué! Numa área ocupada por tropas das Forças Armadas!? Estariam pedindo mais militares dessas Forças, ou da PM e da PC? Ou o quê?

A ousadia dos traficantes dá raiva e causa muita revolta, despertando sentimentos de vingança e apelo a medidas extremas, como se elas resolvessem um problema que só se avoluma, a despeito de todo esforço governamental, da polícia e das forças militares.

Ninguém se iluda. Nada mudará (a não ser para pior), enquanto a questão das drogas tornadas ilícitas for encarada como mero problema da polícia e da força armada; como se estivéssemos falando de uma guerra convencional. A quem aproveita a “guerra às drogas”, guerra mesmo, no sentido literal do termo, como vem sendo empreendida?

Gente, é preciso pensar em alternativas menos traumáticas. Convido os leitores a participarem da reflexão que ocorrerá no dia 24 de novembro na EMERJ (Cf. programação no link:

http://www.emerj.tjrj.jus.br/paginas/eventos/eventos2014/drogas_legalizacao-controle.html [1] )