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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL II

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NOTA PRÉVIA

 

(Ontem, dia 17, no exato momento em que ia publicar este “post”, que acabara de redigir, eis que eclodem os confrontos na Zona Norte do Rio. Um helicóptero da PM é abatido por bandidos, com a morte de dois PMs; dez ônibus são incendiados e, no total, 12 pessoas estão mortas. Hesitei em publicar o “post”, pois achava que a tragédia nada tivesse a ver com o tema do “post”. Depois de refletir, concluí que, no fundo, tinha, razão pela qual decidi publicá-lo. Favelas, tiroteios, mortes e muros dão significado à “cidade partida”…).

No “post” anterior, abaixo, falei da “cidade partida”, da gafe de Gabeira, do metrô Ipanema – Barra, do quebra-quebra nos trens da SuperVia, e da idéia de as autoridades mudarem-se para o subúrbio.

Temos agora o anúncio da colocação de barreiras de proteção nas Linhas Vermelha e Amarela. Se a cidade não fosse realmente “partida”, este fato não causaria tanta polêmica. Sem entrar no mérito, importa compreender as razões apresentadas para a medida, já que as autoridades se contradizem.

Lê-se em O Globo (11/10/09):

“RIO – A partir de meados de novembro, barreiras acústicas e de proteção começarão a ser construídas nas linhas Amarela e Vermelha. Módulos de 38 metros de comprimento por quase três metros de altura, confeccionados em aço, concreto e policarbonato (material transparente), serão instalados […] Paes disse ainda que a questão da segurança não foi o principal motivo para a instalação dos muros. […] O prefeito reconhece que as barreiras dão mais segurança, e reafirma que o barulho foi o principal motivo para a sua implantação. Ele também deixa claro que o objetivo não foi esconder as comunidades.”

Lê-se ali também que “as barreiras exibirão contornos de montanhas que são ícones do Rio de Janeiro – como o Corcovado, o Pão de Açúcar, o Dois Irmãos e a Pedra da Gávea – além de pinturas que vão mostrar a cultura das comunidades locais.” A matéria só não esclarece se as imagens ficarão voltadas também para dentro das favelas.

Fica a dúvida. Afinal de contas, qual é o real objetivo dos muros?

Há oito meses, em 20/02/09, lia-se no mesmo veículo:

“RIO – A pedido do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a Linha Amarela também poderá ganhar muros na altura da Vila do João, a exemplo do que será feito pela prefeitura em três pontos de risco da Linha Vermelha. O principal objetivo dos muros de três metros de altura, em aço, concreto e acrílico, segundo a secretaria, é proteger os motoristas dos bandidos que se aproveitam de engarrafamentos para fazer arrastões. […] o projeto – noticiado por Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO – ainda está sendo detalhado pela Secretaria de Obras. […] Os muros da Linha Vermelha serão erguidos […] sendo 2.725 metros em aço (nos pontos mais próximos das favelas) e 1.300 em concreto e acrílico (nos mais distantes). […] Segundo o secretário de Obras, Luiz Guaraná, os muros servirão de proteção em eventuais tiroteios, uma vez que o aço a ser usado terá cinco milímetros de espessura.” [Grifo meu]

Bem, não há por que duvidar de que a decisão das autoridades tenha decorrido mais da preocupação com o barulho que incomoda os moradores das “comunidades”, e menos com a segurança, como afirmou o prefeito, ou que vise a esconder as favelas. O problema é que, no fundo, não se tem certeza de que as “barreiras acústicas” vão realmente resolver o problema do barulho; se vão ou não dificultar (é mesmo possível que facilitem…) a ação dos bandidos. Mas que vão esconder as favelas, ah!, isso vão.

 

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7 comenários to “OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL II”

  1. anny realy alves disse:

    Deu na folha de são paulo

    O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, disse nesta segunda-feira, em Santos, na Baixada Santista, que o nível de violência no Rio de Janeiro é “infinitamente” maior que em São Paulo, onde o maior desafio na Segurança Pública é combater os crimes contra o patrimônio.
    “São realidades diferentes, distintas, a criminalidade de lá tem peculiaridades que aqui não tem, felizmente. O nível de violência lá é infinitamente maior, pelas peculiaridades da região, morro, tráfico de entorpecentes”, completando que seu maior desafio em São Paulo é acabar com os furtos e roubos. “Acabar com esses crimes contra o patrimônio, que tem crescido de uma forma que me impressiona, é uma das prioridades da minha gestão”, disse.
    Recompensa
    O secretário não quis opinar sobre o fato de entidades ligadas à Polícia fluminense estarem oferecendo pagamento por informações que levem à prisão dos responsáveis pela derrubada de helicóptero da PM no último sábado, entretanto, afirmou que não acha o modelo adequado para São Paulo.
    “Eu não sei quais foram os motivos que inspiraram essa política. Devem ter motivos relevantes pra agir dessa forma. Não vejo esse modelo adequado para São Paulo. Acho que é um disparate ficar oferecendo recompensa a quem preste alguma informação. É obrigação da Polícia ativar os seus serviços de inteligência e combater o crime de uma forma profissional sem ter a necessidade de premiação por delação”, completou.

  2. Olavo de Carvalho disse:

    Senhor Coronel PM Jorge da Silva;

    Leio no site da Previdência Social: “O auxílio-reclusão é um benefício devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto.”

    Ou seja: no Brasil você pode matar roubar, sequestrar ou estuprar, seguro de que, se for preso, sua família não passará necessidade. O governo garante. Se, porém, como membro efetivo da maioria otária, você não faz mal a ninguém e em vez disso prefere acabar levando dois tiros na cuca, quatro no estômago ou três no peito, ou então uma facada no fígado, esticando as canelasin loco ou no hospital, aí o governo não garante mais nada: sua viúva e seus filhos podem chorar à vontade na porta do Palácio do Planalto, que o coração fraterno da República solidária não lhes concederá nem uma gota da ternura estatal que derrama generosamente sobre os bandidos.

    É as coisas são assim. Se elas o escandalizam, é porque você está muito desatualizado. Afagar delinquentes, estimular o banditismo, é uma das mais antigas e veneráveis tradições do movimento revolucionário, que o nosso partido governante personifica orgulhosamente.

    Veja o que pensavam alguns dos mentores revolucionários mais célebres:

    Mikhail Bakunin, líder anarquista: “Para a nossa revolução, será preciso atiçar no povo as paixões mais vis.”

    Serge Netchaiev, terrorista que Lênin adotou como um de seus gurus: “A causa pela qual lutamos é a completa, universal destruição. Temos de nos unir ao mundo selvagem, criminoso.”

    Willi Münzenberg, o gênio organizador da propaganda comunista na Europa Ocidental e nos EUA: “Vamos corromper o Ocidente em tal medida, que ele acabará fedendo.”

    Louis Aragon, poeta oficial do Partido Comunista Francês: “Despertaremos por toda parte os germes da confusão e do malestar. Que os traficantes de drogas se atirem sobre as nossas nações aterrorizadas!”

    V. I. Lênin: “O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral.” De tal modo a paixão pelo crime se impregnou na mente revolucionária, que acabou até produzindo fenômenos paranormais. Em Oito de março de 1855, o poeta Victor Hugo, um ídolo dos revolucionários, recebeu numa sessão espírita, para satisfação, aliás, de suas próprias expectativas, esta mensagem do além: “A verdadeira religião proclama o novo evangelho: é uma imensa ternura pelos ferozes, pelos infames, pelos bandidos.”

    Os exemplos poderiam multiplicar-se indefinidamente. E nada disso ficou no papel, é claro. Nem se limitaram aquelas almas cândidas a cantar em prosa, verso e filme as virtudes excelsas da criminalidade (v. meu artigo “Bandidos e Letrados”, de 26 de dezembro de 1994, emwww.olavodecarvalho.org/livros/bandlet.htm). Já em 1789 os revolucionários franceses abriram as portas das prisões, libertando indiscriminadamente milhares de assassinos, ladrões e estupradores que em poucos dias espalharam o caos nas ruas de Paris (mesmo na célebre Bastilha não havia um só prisioneiro político: só delinquentes).

    Logo após a tomada do poder pelos comunistas na Rússia, a política oficial era fomentar o sexo livre, criando assim uma geração de jovens sem família para incentivar a criminalidade juvenil e liquidar pela confusão o que restasse da “ordem burguesa”. A idéia foi de Karl Radek (o chefe de Willi Münzenberg), que, ironia cruel, ao cair em desgraça perante Stalin acabou sendo assassinado a murros e pontapés por jovens delinquentes numa prisão.

    O voto de Louis Aragon foi cumprido à risca a partir dos anos 50, quando a URSS começou a treinar agentes para que se infiltrassem nas então incipientes redes de tráfico de drogas – especialmente na América Latina – e as dominassem por dentro, criando uma futura fonte local de subsídios para o movimento revolucionário, que estava saindo caro demais para o bolso soviético.

    Essa foi à origem remota das Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que hoje dominam o narcotráfico no continente. A história é contada em detalhes pelo general tcheco Jan Sejna, que participou pessoalmente da operação (v. Joseph D. Douglass, Red Cocaine. The Drugging of America and the West, London, Harle, 1999).

    Fraternais saudações,

    Olavo de Carvalho

    Ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

  3. Eron disse:

    Se realmente observamos pelo aspecto integralista entre as diversas regiões do estado acho realmente positiva a realização dos jogos no Rio de Janeiro, entretanto me pergunto se realmente esta proposta terá efeito já que o Pan, logicamente em menor escala, tinha como proposta, a integração entre as diversas regiões do estado e o resultado, nossa, passou longe, concentrando poquissimos eventos sem importância na zona oeste e enormes eventos concentrados em regiões mais eletizadas como sempre, pior, estão previstas a redução das instalações esportivas para as olimpiadas na zona oeste, e a baixada, coitada, será que já sabe que os jogos serão aqui?
    Estão propondo diversas obras em várias regiões do estado, inclusive uma interessante ligando deodoro a barra, mas claro, já está enfrentando a irá da elite local insatisfeita com a tal obra, já que irá provocar um grande fluxo migratório de pessoas de diversas regiões do municipio.
    Em minha concepção haverá mesmo a concentração de capital aumentando as disparidades sociais, já que bilhões serão investidos e certamente ficaram na parte elitizada, claro, porque o mundo todo estará acompanhando e quem iria gostar de ver uma competição sendo realizado na baixada fluminense, Sepetiba, ou no Méier? hum não sei não…axo q ninguem. Iriam preferir como plano de fundo o nosso pão de açúcar, cartão postal mundial e esta é uma tendência para os jogos. infelizmente o fluxo intenso de verbas serão para as zonas mais elitizadas, e o restante da população não pertencendo o Rio de Janeiro, opa, subtende-se fora das zonas elitizadas, ficará mercê de transportes preparios, hospitais sem condições de atendimento, segurança reduzida, que haverá maior concentração de policiais nas regiçoes dos eventos, etc…
    Rezo para que está proposta de integração se desenvolva, mas devidos as experiências anteriores talvés não eu não tenha a mesma empolgação de antes, tanta que nem fui a Copacabana comemorar, já que estava procurando um posto médico para meu sobrinho que fraturou o braço e não tinha médicos ortopedistas nos hospitais da zona oeste, quem sabe eles estavam em copabana comemorando a escolha do Rio…

  4. Eron disse:

    Parabéns pela entrevista na Globo News Coronel Jorge da Silva, realmente muito exclarecedora.

  5. José Cassio de Melo Servo disse:

    Coronel Jorge,

    Recebi seu link por intermédio de um amigo.

    Li e aqui vão minhas reflexões;

    NÂO VOU FALAR DE PM ou da PM.

    Minha observação vai a um tema que poucos da sociedade gostam de discutir.

    “TRABALHADOR FARDADO, TAMBÉM É EXPLORADO”

    Semana passada o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou o custo real de um salário mínimo justo, que daria para cumprir as necessidades que prevê a Constituição Brasileira.

    O valor encontrado pelo DIEESE do salário mínimo brasileiro para o mês de setembro deveria estar em R$ 2.065,47 (Dois mil e sessenta e cinco reais e quarenta e sete centavos) quando na realidade este mesmo salário mínimo brasileiro permanece em R$ 465,00 mensais desde fevereiro de 2009.

    Entende-se por necessidades básicas do cidadão, aquelas necessidades que são de importância vital para este mesmo cidadão tais como: moradia, educação, alimentação, saúde, vestuário, lazer, higiene, transporte coletivo e previdência social!

    Esse direito é o mínimo que o cidadão brasileiro merece de acordo com a constituição brasileira, entretanto o governo se recusa a fornecer ao povo brasileiro o mínimo necessário para a sua sobrevivência!

    Todavia com os brasileiros as coisas não acontecem assim. Infelizmente não acontecem assim!

    Parece piada, mas não é! É a mais pura realidade que vive este sofrido povo brasileiro!

    Esta questão, ou melhor, esta falta de respeito para com o cidadão brasileiro, se acontecesse em outra região do planeta, senão no Brasil, qualquer parte do planeta onde habitasse um povo com um mínimo de educação e dignidade política seria o suficiente para uma revolta popular. E caso o governo não se rendesse às necessidades básicas desse povo, o sangue correria e banharia seu solo sagrado que é o solo da sua pátria. O povo arrancaria na marra do seu governo injusto seus mínimos direitos.

    Esta seria uma reação normal! Anormal são esse marasmo e omissão do povo brasileiro!

    Fico então a me perguntar: como conseguimos chegar até este estado de coisas que podemos considerar um estado de calamidade pública?

    Somos um povo omisso por natureza, por medo, ignorância, covardia ou outro motivo qualquer que nos seria tão vergonhoso quanto estes que acima citei!

    Precisamos estar atentos aos movimentos que o governo promove para que nos sejam retirados direitos ou mesmo aqueles conhecidos movimentos praticados pelo governo para aumentar nossos impostos.

    Estas são as duas ferramentas usadas para concentrar ainda mais a renda nacional nas mãos da minoria abastada deste país, a classe “A”.

    Os números oscilam entre 70% e 80% da renda nacional que vão para as mãos de pouco mais de 5% de brasileiros.

    Seria isso justo? Seria isso humano? Que Deus tenha piedade desse povo brasileiro, pois nem Cristo resolve este problema se o povo não fizer a sua parte.

    Para receber ajuda divino o povo tem que fazer a sua parte, ou seja, começar a reclamar seus direitos e começar a lutar pelos próprios.

    Os números são assustadores, porem nem mesmo com estes números assustadores e desumanos os brasileiros acordam para a reação que lhes é de direito.

    Um exemplo de direito constitucional é esse salário mínimo ao qual nos referimos no começo da matéria.

    São direitos inalienáveis da população brasileira que estão sendo retirados do povo por políticos desonestos e corruptos como estes que estão no poder agora.

    Alguém já viu algum deputado puxar um movimento sério contra esse desrespeito à constituição brasileira?

    Alguém já viu alguma entidade pública, como o Ministério Público se levantar contra essa grande injustiça?

    E alguma ONG? Partidos políticos? Sindicatos? Centrais Sindicais?

    Alguns deles até fingem reação, mas por traz dos panos fazem acordos espúrios com o próprio governo corrupto e desonesto que impera neste país e acabam por enganar o povo inocente e ingênuo brasileiro que nada percebe.

    Perdoem-me os mais esclarecidos, mas é mais fácil ver e ouvir o brasileiro criticando aqueles trabalhadores que ganham um pouco melhor, do que ouvi-lo reivindicando aumentos salariais que eles têm direito.

    Ou seja; é mais fácil criticar os trabalhadores que ganham melhor do que lutar por igualdade de condições!

    O brasileiro não luta para melhorar seu próprio salário, porém é capaz de lutar para diminuir o salário do vizinho mais abastado!

    Lamentável!

    Economista-UPS-SP

  6. Caro Dr. José Cássio,
    Obrigado pelo comentário. Concordo em todos os sentido. Precisamos de mais pessoas como o senhor, numa corrente forte. Nem tudo está perdido. Quanto aos PMs, tenho o mesmo raciocínio. Como se pode exigir de um trabalhador (sim, trabalhador) que expõe sua vida, submetido a stress permanente, sem que tenha atendidas as necessidades mínimas de sua família? Como esperar que ofereça segurança à população alguém que não tem a sua própria segurança social (e física) minimamente assegurada?

  7. F. Cristina disse:

    Os muros altos me fazem lembrar das olimpíadas da China em 2008. Foi horrível o que o governo fez, colocou tapumes com lindos desenhos de arte em todos os prédios velhos da cidade, retirou todas as pessoas de rua em um trem que as levou para o interior. A cidade ficou realmente limpa para os jogos internacionais e para todos verem que a China é uma potência. O mundo ficou com uma imagem de lugares tranquilos e moderníssimos.
    No caso do Rio de Janeiro, tenho a certeza de que o muro das linhas amarelas e vermelha servirão a este propósito de tapar o que nos deixa constrangidos. A desculpa de afastar o barulho não é me parece real.

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