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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL I

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A escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016 é mais um importante marco na história da Cidade. Não imagino que haja um carioca sequer que não tenha vibrado no dia 2 de outubro, quando foi feito o anúncio. Pode ser que alguns brasileiros de outras cidades, por compreensíveis ciúmes, desdenhem o feito.

Cumpre reconhecer que a vitória se deve, em larga medida, à tenacidade do presidente Lula, coadjuvado pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes. Com certeza, a garantia de união entre as três esferas de poder (ademais do fato de o Rio ser, indiscutivelmente, a mais bela cidade do mundo) foi fator decisivo para que os membros do Comitê Olímpico Internacional, por ampla maioria, a escolhessem.

Mãos à obra. Sete anos pela frente. O que fazer? Aí temos um ponto nevrálgico, pois várias das obras anunciadas carregam o velho vezo divisionista percebido por Zuenir Ventura em A cidade partida. A esse respeito, faço minhas, como fez Hélio Gáspari em sua coluna de 11 / 10 / 09 no jornal O Globo, as palavras do leitor Paulo Saturnino, em carta ao citado jornal, na qual comenta os distúrbios e o quebra-quebra nos trens da Super Via:

“É lamentável que ocorra um tumulto deste porte para que o lado bem vivido do Rio perceba que a Cidade Maravilhosa precisa de reparos enormes do lado pobre. Enfim, em vez de metrô para a Barra vindo de Ipanema, precisamos criar um sistema de transporte decente para o subúrbio carioca. Moro em Copacabana e vejo a pressão dos moradores da Zona Sul por metrô para a Barra próxima do imoral, em vez de criarmos um transporte decente para o subúrbio.”

No fundo, portanto, o grande desafio é integrar os dois lados da “cidade partida”: “favela e asfalto”, “periferia e ‘para-cá-do-túnel’”. Fernando Gabeira, candidato a prefeito do Município em 2008, prometeu na Zona Oeste: “O prefeito não vai morar apenas no Rio. Ele vai ter um gabinete de trabalho aqui”. O ato falho de Gabeira dá mostra do tamanho do problema. Para não incorrerem no mesmo erro, não seria o caso de se sugerir ao governador Sérgio Cabral que se mude do Leblon para a Penha? E ao prefeito Eduardo Paes, da Barra da Tijuca (ou da residência oficial na Gávea Pequena) para Madureira? E a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, do Leblon para Marechal Hermes? Pelo menos até 2015.

Mais para refletir…

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5 comenários to “OLIMPÍADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRAÇÃO SOCIAL I”

  1. Tharcilia disse:

    Prof. Jorge,
    A Baixada Fluminense já tomou conhecimentoi de que a 31ª Olimpíada será realizada no Brasil, ou seja, no RIO DE JANEIRO?
    Quem o Senhor indicaria para que se mudasse para a Baixada Fluminense?

  2. Cara Sra Tharcília,
    Em atenção à sua pergunta, indicaria para se mudar para o Município-cidade de Duque de Caxias o deputado Federal Fernando Gabeira, por motivos óbvios.
    Abraço,
    Jorge

  3. Caro Jorge, voce tem razão; é um teste esse desafio de transferir os administradores da cidade partida para o lado mais fraco dela. Na campanha da prefeitura defendemos que a Prefeitura e secretarias fossem todas para uma lugar em Santa Cruz ou Campo Grande. La temos lugares de sobra para instalações amplas, com estacioanamento tambem. Assim, fariamos um balanço melhor da distribuição espacial da populaçao que a partir da presença da Prefeitura veria a aproximação das empresas para se fixarem lá, transportes, moradias, etc.
    Manter as autoridades do lado de cá do túnel é nao apenas ruim do ponto de vista pedagógico pis reforça o desprezo que governantes em geral tem pela Zona Oeste, como gerador de dificuldades de acesso aos servicos publicos por quem mais precisa. Desses governantes que voce fala a, claro, temos que excepcionalizar o Garotinho e Rosinha que derem conta de uma grande obra de habitação, moradia, ensino profissionalizante e a primeira universidade pública da zona oeste, a UEZO.
    Parabéns por ter tocado nesse tema.

  4. Emir Larangeira disse:

    Bem bolado! Mas creio que seria melhor sugerir a mudança dos governantes estadual e municipal para a China. Porque lá é lugar ideal à prática do patrulhamento do Batalhão de Choque (homens armados de fuzil) em máxima truculência nas estações e nos trens. Afinal, a Super Via é pública ou particular?… Não seria hora de investigar aquela bagunçada adiministração destinada ao lado pobre da “Cidade Partida”? Não seria o caso de apurar se a baderna atribuída ao povoléu usuário é consequente da péssima administração da Super Via?

  5. F. Cristina disse:

    Acho ótima a idéia de ver os políticos da nossa cidade morando fora das áreas privilegiadas. A cidade toda é um caos muito grande, mas a zona norte não está nem na lista em ser beneficiada com os eventos esportivos de 2014 e 2016. Vamos ficar sentados assistindo à modernização da Zona Sul, ao desenvolvimento da Barra e do Recreio e ao total abandono da Zona Norte e interior do Estado.

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