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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ENQUETE

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COTAS. CONTRA OU A FAVOR? COMENTE

Por que será que as pessoas “brancas” (pelo menos tidas por brancas na aparência…) são, em esmagadora maioria, contra as cotas? E por que será que as pessoas “negras” (pelo menos tidas por negras na aparência… ) são, em esmagadora maioria, a favor? Por que será?
Mistério…
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16 comenários to “ENQUETE”

  1. Sou a favor das cotas porque aqueles que são contra (os preconceituosos enrustidos muito comuns no Brasil) alegam que existiria uma discriminação entre negros e pobres. O que eles não dizem é que a imensa maioria dos “pobres” são negros. È só ir nas favelas ou nas penitenciárias e verificar que aparece um branquinho ou outro destoando da maioria. Será que os negros são maus ou será que, históricamente, são discriminados e destinados a ocupar a base da pirâmide social? Aqueles poucos que conseguem, como é o caso do autor da enquete, o fazem através de um esforço hercúleo, lutando contra tudo e contra todos para ter um lugar ao sol. Aos que são contra faço um desafio: esperem alguns anos e verão onde chegarão estes negros com oportunidades iguais. Quem viver verá.

  2. Caro Marcos,
    Seria importante você acrescentar que é um brasileiro branco. Mas um pouco negro por dentro.
    Abraço,
    Jorge

  3. VAI ACONTECER HOJE

    RJ vai sediar Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa
    Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) promove, no Rio de Janeiro, o Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa.

    Voltado a religiosos, intelectuais, políticos, educadores, estudantes, pesquisadores e artistas, o evento irá colher subsídios para a elaboração do Plano Nacional de Proteção e Promoção da Liberdade Religiosa no Brasil. Os painéis e debates abordarão temas como o papel do Estado e dos meios de comunicação, os instrumentos jurídicos existentes contra o racismo, a discriminação racial e a intolerância religiosa.

    O Seminário é uma parceria da SEPPIR com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e conta com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Rede Globo. Será realizado no Auditório Oscar Guanabarino da ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71). Para mais informações, o telefone da SEPPIR é (61) 3411-3628 / 3635.

    Confira a programação
    30/9
    Às 9h: Painel 1 – Estado Laico e Liberdade Religiosa
    Coordenação: Carlos Alberto Ivanir dos Santos, diretor executivo do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP)
    Expositores:
    – Edson Santos, ministro da SEPPIR
    – Benedita da Silva, secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro
    – Jorge da Silva, cientista político e coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
    РLidivaldo Reaiche Raimundo Brito, procurador-geral de Justi̤a do estado da Bahia
    Às 14h30: Painel 2 – Sistema de Ensino, Cultura e Respeito à Diversidade Religiosa
    Coordenação: Martvs Antonio Alves das Chagas, subsecretário de Políticas para Ações Afirmativas da SEPPIR
    Expositores:
    – Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH)
    РDiane Kuperman, conselheira da Associa̤̣o Religiosa Israelita do Rio de Janeiro
    РMaria Cristina Marques, pesquisadora em cultura africana da Funda̤̣o Educacional de Maca̩
    – Francisco Ivern Simó, vice-reitor para Assuntos de Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
    1º/10
    Às 9h – Painel 3: Meios de Comunicação e Respeito à Liberdade Religiosa
    Coordenação: Manuela Pinho Azevedo de Souza, subsecretária de Planejamento e Formulação Política da SEPPIR
    Exposição:
    – Joel Rufino dos Santos, historiador e escritor
    – Cleidiana Ramos, jornalista do jornal “A tarde”
    РJoel Zito Ara̼jo, cineasta e pesquisador em Comunica̤̣o
    – Maurício Azedo, jornalista, presidente da Associação Brasileira de Imprensa
    РZez̩ Motta, superintendente de Promo̤̣o da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro
    Às 11h30 – apresentação de “O Sagrado”, por Luis Erlanger
    Às 14h – Painel 4: Criminalização dos atos e manifestações de racismo, discriminação racial e intolerância religiosa
    Coordenação: Alexandro da Anunciação Reis, subsecretário de Políticas para as Comunidades Tradicionais da SEPPIR
    Exposição:
    РManoel Jorge e Silva Neto, procurador do Minist̩rio Publico do Trabalho da Bahia
    РAugusto S̩rgio dos Santos de Ṣo Bernardo, advogado e professor da Universidade Estadual da Bahia
    РMaria Bernadete Azevedo, procuradora de Justi̤a, coordenadora do Grupo de Trabalho contra o Racismo Institucional do Minist̩rio P̼blico de Pernambuco
    – Eloi Ferreira de Araújo, secretário-adjunto da SEPPIR

  4. Resposta ao artigo “VOCÊ É BRANCO?”

    No uso do direito de resposta ao artigo do ilustre colega, Dr.Ives Gandra da Silva Martins, faço as seguintes considerações: Os negros há séculos foram alvo de uma das maiores barbáries cometidas contra um ser humano. Tratados como sub-raça eram comercializados como animais e o Senhor branco que os comprava tinha sobre eles o direito da vida e da morte. Aos pobres negros, e negrinhas, restava a infeliz tarefa de serví-los até o dia em que quisessem, sem direito a nada. Quando eles já não interessavam às classes dominantes em virtude de não serem mais rentáveis, foi editada a “bendita” Lei Áurea que aboliu a escravatura. Na verdade queriam se livrar de um peso e, dissimuladamente, acenaram com a bandeira da liberdade. Mas que liberdade, sem terras, sem emprego, sem ter como sobreviver. Os libertos continuaram escravos, agora como cidadãos de 2ª linha e destinados aos trabalhos mais aviltantes. As gerações se sucederam e, por uma razão bem lógica, continuaram as oportunidades contempladas aos brancos bem nascidos, e aos negros, coitados, uma igualdade entre aspas, só da boca pra fora, na suposta democracia racial brasuca. Quanto aos índios, lembro ao ilustre professor, eram os verdadeiros donos de todo território nacional quando do descobrimento e do assalto das legiões estrangeiras, donde se conclui que os atuais 15% são uma ninharia em razão do que detinham livremente. Diante de tanta discriminação e covardia imposta pelos brancos, nada mais justo que, séculos depois, muito tardiamente, se abrisse uma pequena portinha para que a sociedade brasileira se redimisse, só um pouquinho, com aqueles tão castigados e espoliados. Quanto às minorias, caro doutor, embora prevista na nossa carta magna e nem sempre respeitadas, é o direito intransferivel e insubstituivel de cada cidadão a sua liberdade individual de credo, expressão, opção sexual e igualdade dentro do contexto social. E isso, os brancos sempre tiveram, tanto é que estão há séculos no poder e ocupando as posições de destaque na sociedade. Vamos dar uma oportunidade para que eles, os não-brancos, mostrem do que são capazes se tiverem uma chance.
    Jos̩ Marcos Pereira РAdvogado, branco de ascend̻ncia branca.
    .

    (Subject: VOCÊ É BRANCO? CUIDE-SE!)

    Ives Gandra da Silva Martins

    Hoje, tenho eu a impressão de que o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afroescendentes, homossexuais, ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. Assim é que, se um branco, um índio&gt e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, e o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior. Os índios que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional, passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também – passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes ispõem apenas de 85% dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados. Aos “quilombolas”, que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências -algo que um cidadão comum jamais conseguiria! Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, sempregado, que não tem esse “privilégio” porque cumpre a lei. Desertores, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros.
    Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para “ressarcir” aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo ou se disseram perseguidos.E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema? Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado&gt e cada vez com menos espaço nesta terra de castas e privilégios.
    Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU, e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército; e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

  5. José Marcos Pereira diz: No meu comentário sobre a enquete das cotas para negros enviada no dia 29/09/2009, esqueci de mencionar que sou branco com ascendência branca mas, talvez, com algum pretinho inserido na minha árvore genealógica. Como saber ao certo?

  6. Caro Dr José Marcos Pereira

    Como diria Ancelmo Góis, deve ser horrível viver num país em que “cidadãos comuns e brancos” (como se condidera o laureado professor Dr. Ives Gradra Martins, são discriminados em favor de negros e índios. Coitado!
    Jorge da Silva

  7. jose antunes disse:

    SÃO PAULO ESTÁ VIRANDO CAMPEÃO !

    Engenheiro é acusado de ofensa racista

    Um engenheiro de 59 anos foi preso ontem dia 06/2009 em flagrante, acusado de ofender com frases racistas o segurança de uma escola de ensino infantil na zona sul de São Paulo.

    Alexandre Semenoff, morador do Campo Belo (zona sul de SP), foi indiciado sob suspeita de injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão. O engenheiro passaria a noite na cadeia. Ele tentará obter hoje na Justiça liberdade provisória.

    Segundo o segurança Délcio Gonçalves, 53 anos, e duas testemunhas que o acompanharam até a delegacia, Semenoff começou a xingar funcionários da escola particular Núcleo Querubim no final da manhã de ontem. O engenheiro é vizinho do colégio e frequentemente reclama do barulho das crianças.

    Minutos depois, Semenoff saiu para passear com seu cão e passou em frente à escola. “Aí ele xingou de novo. Perguntei qual era o problema e ele disse: ‘Sai daqui porque com preto eu não converso'”, disse o segurança, segundo o qual ofensas do engenheiro são frequentes.

    Funcionários de uma imobiliária vizinha da escola chamaram a polícia. O soldado Daniel Gonzaga Costa, 37 anos, resolveu levar Semenoff à delegacia. “É lamentável que em pleno século 21 ainda ocorra esse tipo de situação”, afirmou Costa.

    Procurado, o advogado do engenheiro, Leonardo Watermann, disse apenas que, segundo seu cliente, “foi tudo um mal-entendido”.

    Como o caso de ontem é de crime de injúria racial –e não de crime de racismo, que envolve, por exemplo, deixar de contratar ou despedir alguém por causa de sua cor–, cabe agora ao segurança decidir se abre ações criminal e civil contra o acusado.

  8. jose antunes disse:

    Procurado, o advogado do engenheiro, Leonardo Watermann, disse apenas que, segundo seu cliente, “foi tudo um mal-entendido”.

    “foi tudo um mal-entendido”.???

  9. Pedro Vicente disse:

    Grande Coronel Jorge,
    respondo à sua pergunta de “porque brancos são contra as cotas e negros são a favor”, sem entrar no mérito dessa generalização. Sei que suas intenções são as melhores. Minha resposta é: Porque é inconstitucional. Ninguém deve ser discriminado (lembrando que esta palavra se refere tanto à discriminação para o “mal” quanto para o “bem”) com base em cor da pele, religião, etc.
    A grande questão é que está se querendo resolver um problema de ordem econômica e social através da invenção de “raças”. Só um parêntese, a maior parte do povo brasileiro se considera pardo – ou seja mestiço.
    Se vc. quer mesmo reduzir a desigualdade, em vez de cotas por cor da pele, faça cotas por renda. Ou melhor, para alunos do sistema público. Não tenha dúvida que dessa forma vc. vai beneficiar muito mais negros (ou pardos) do que brancos, o que com certeza é um dever do Brasil. Não nego que tenhamos uma imensa dívida com a população negra de nossas terras. Mas fazer cotas por cor da pele é uma forma de dividir o povo, além de ser uma crueldade com os brancos pobres (que, afinal de contas, também existem).

    abraços e força!

  10. Caro Pedro Vicente,
    Obrigado pelo seu comentário. Na verdade, concordo com ele. Gostaria, no entanto, de esclarecer o seguinte:
    1. A pergunta que fiz decorre de pesquisa empírica. Não é uma generalização, como o amigo sustenta. É fato.
    2. Na pergunta, não afirmei que as cotas são a solução. Acho mesmo que esta é uma falsa questão.
    3. O meu ponto é outro: se pessoas com “identidade branca”, em esmagadora maioria, são contra; e se pessoas com “identidade negra”, em esmagadora maiorida, são a favor (sic), temos aí um problema de outra natureza, que precisa ser analisado para o bem de todos nós.
    4. “Invenção de raças?” Caro Pedro, esta é uma invenção dos que inventaram a “democracia racial” (logo, de “raças”).
    5. “Nós” quem temos “uma dívida com a população negra”, como o amigo afirma? Eu não tenho…
    Jorge da Silva

  11. Caro José Antunes,
    A que se refere o comentário?
    Jorge da silva

  12. Caro José Antunes,
    O texto é seu ou é transcrição de alguma matéria? Não ficou claro. Se for de alguma matéria, onde saiu?
    Jorge da Silva

  13. luciana mendes da silva disse:

    ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO
    Aqui vai uma “ajudinha” ao nobre pesquisador.
    Além de escrever temas como relação racial no Brasil vale à pena Coronel o senhor escrever que a PM é extremamente truculenta com soldados, cabos e sargentos não?
    O senhor tem todo o direito de colocar seu pensamento em relação às cotas e suas viagens internacionais.
    No entanto, o senhor é sabedor de tantas arbitrariedades cometidas com os praças da PMEJ. Sim os praças da PM!

    O senhor coronel fica MUDO- Não quer desagradar seu grupo seleto de coronéis.

    As expressões harcèlement moral (assédio moral) da França; bullying (tiranizar) da Inglaterra; mobbing (molestar) dos Estados Unidos e murahachibu (ostracismo social) do Japão significam aquilo que no Brasil nomina-se de assédio moral, forma de psicoterrorismo no trabalho, denunciado pela jornalista inglesa Andréa Adams, no livro “Bullying at Work” em 1992. Falecida em 1995 propugnou a tipificação do assédio moral no trabalho como forma delituosa. A Suécia, Alemanha, Itália, Austrália e Estados Unidos já legislaram em favor das vítimas dessa forma distorcidas de relacionamento no trabalho. Embora se trate de ocorrência tão antiga quanto o próprio trabalho, no Brasil, em nível de serviço público ou privado.

    Lei nº 12.250, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2006

    Artigo 2º – Considera-se assédio moral para os fins da presente lei, toda ação, gesto ou palavra, praticada de forma repetitiva por agente, servidor, empregado, ou qualquer pessoa que, abusando da autoridade que lhe confere suas funções, tenha por objetivo ou efeito atingir a auto-estima e a autodeterminação do servidor, com danos ao ambiente de trabalho, ao serviço prestado ao público e ao próprio usuário, bem como à evolução, à carreira e às estabilidades funcionais do servidor, especialmente:

  14. Cara Luciana,

    Obrigado pelo comentário. Concordo com você plenamente no que diz respeito ao descaso com o tema do assédio moral no Brasil. Prometo-lhe dar mais atenção a este ponto nas minhas reflexões. Ou seja, fugir da “naturalização” do problema, mesmo fenômeno a que me referi no “post” sobre o avião. Estamos realmente atrasados, pois só recentemente aparecem, em alguns estados, como o Rio de Janeiro, leis para punir os abusos. E me parece que, na Câmara Federal, existem projetos de lei com o mesmo objetivo.

    Gostaria, no entanto, de chamar a sua atenção para dois pontos:

    (a) primeiro, para o fato de que estamos falando de dois problemas com as mesmas raízes. O Brasil não é a sociedade harmoniosa e democrática que o establishment insiste em afirmar que é. Mais que isso, é uma sociedade fortemente marcada pelo autoritarismo (logo, socialmente “hierárquica”), pelo elitismo, o machismo e o racismo. Fomos formados na base desses desvalores, construídos no longo período escravocrata de nossa história, o que, em boa medida, explica tanto o problema do assédio moral (e sexual) quanto a permanência da discriminação institucional, objeto do “post” em que falo da ausência de negros nos aviões brasileiros (não tinha como sustentar o argumento sem me referir a viagens que fiz…).

    (b) segundo, para o fato de que também me preocupo com a cidadania dos PMs. Peço-lhe, a propósito, para ler os “posts” Direitos Humanos e Cidadania dos PMs (I), (II), (III) e (IV), publicados em 18 mai, 15 jul, 29 jul e 3 set (ver no arquivo deste “blog”). Se os ler (imagino que não os tenha lido), acredito que será menos dura na avaliação que faz deste blogueiro.

    Abraço,

    Jorge da Silva

  15. Eron disse:

    Eu sou a favor do sistema de cotas. Este sistema atenta para um fato histórico, no qual o negro, desde o período colonial, não tem oportunidades iguais de inserção dentro de vários setores, e o educacional não fica a parte. Seria uma oportunidade concreta de dar ao negro chances de ingressar no nível superior.

  16. Ediene disse:

    É muito complicado falar de cotas num país onde 49,7% são pardos e negros. Sou a favor do que é discriminado, da classe social, quem tem
    menos probabilidade de entrar. Estamos tentando maquiar o problema da educação nas escolas públicas. Tem que melhorar a qualidade para
    que essas pessoas tenham acesso às vagas nas universidades. Tem muita gente competente, mas que não tem dinheiro para pagar a faculdade. Neste caso eu sou a favor. Pela condição financeira eu sou a favor, pela raça não. Estamos julgando uma pessoa por sua cor. O cotista entra e pensa “Será que eu estou aqui porque sou negra ou por causa do meu esforço?”. Preconceito existe e sou completamente contra. Não entra na minha cabeça. Não dá para se julgar uma pessoa pela raça. É uma pobreza de espírito.

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