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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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COPA E OLIMPÍADAS. – DA EUFORIA AO DESALENTO

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(Nota: Em tempo de protestos, republico postagem de 16/07/2011, com a advertência de que o título da mesma, em forma de pergunta, foi dado em outro contexto, no auge da euforia geral. Não tinha o objetivo, como não tem, de fazer troça, e sim de chamar a atenção para a distância entre a fantasia e a realidade. O desalento era previsível).  

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“EIKE BATISTA VAI MORAR EM MADUREIRA!?”

O jornal inglês The Guardian (26 dez 2010) publicou entrevista do empresário Eike Batista, em que ele declara: “Eu olho para o futuro do Rio, vejo uma mistura de Califórnia, Nova Iorque e Houston”. Revelou ter projeto de construir “uma super-moderna cidade digital”, distante 240 quilômetros da capital, e falou de investimentos na limpeza da Lagoa Rodrigo de Freitas; no estabelecimento de um cruzeiro de luxo para turistas; na remodelação da Marina da Glória e na restauração do Hotel do mesmo nome. Tudo isso numa cidade sem violência, motivo pelo qual teria doado mais de R$ 100 milhões para o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Embora se reconheça o seu desprendimento e, mais que isso, a sua sensibilidade comunitária – do que é exemplo, dentre outras ações, a grande ajuda às vítimas das enchentes da Região Serrana –, cumpre alertá-lo quanto a um vício recorrente entre as camadas mais altas da sociedade do Rio de Janeiro, do qual talvez fosse conveniente livrar-se: o de se referir à Zona Sul como se esta fosse toda a cidade. Em sua entrevista deixou transparecer isso. Deu realce a dois pólos: algum lugar a 240 quilômetros, e a Zona Sul.

Em outubro de 2009, logo após a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas, publiquei “post” (Olimpíadas no Rio: Oportunidade de Integração Social I), no qual chamava a atenção para uma preocupação então manifestada por muitas pessoas: a concentração excessiva de investimentos na Zona Sul e Barra da Tijuca, em detrimento do restante da cidade e do estado. (Conferir em http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=567). De lá para cá, as coisas mudaram um pouco. Mas podem mudar mais. Naquele “post”, em dado trecho escrevi:

“[…] o grande desafio é integrar os dois lados da ‘cidade partida’: ‘favela e asfalto’, ‘periferia’ e ‘para-cá-do-túnel’. Fernando Gabeira, candidato a prefeito do Município em 2008, prometeu na Zona Oeste: “O prefeito não vai morar apenas no Rio. Ele vai ter um gabinete de trabalho aqui”. […] Para não incorrerem no mesmo erro, não seria o caso de se sugerir ao governador Sérgio Cabral que se mude do Leblon para a Penha? E ao prefeito Eduardo Paes, da Barra da Tijuca (ou da residência oficial na Gávea Pequena) para Madureira? E a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, do Leblon para Marechal Hermes? Pelo menos até 2015.”

Agora acrescento: que tal Eike Batista também se mudar por alguns meses da Zona Sul para Madureira? Conheceria toda a cidade. Aí, sim, não só a integração estaria garantida, como o Rio (cidade e estado) poderia vir a ser realmente uma mistura de Califórnia (aliás, um estado), Nova Iorque (estado e cidade) e Houston? E sem violência. Nem precisaria doar mais dinheiro para as UPPs da periferia.

julho 16th, 2011

 

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4 comenários to “COPA E OLIMPÍADAS. – DA EUFORIA AO DESALENTO”

  1. Veronica disse:

    Muito bom!

  2. Eron disse:

    Infelizmente temos a Zona Sul e o “restante da cidade”. Enquanto os maiores investimentos são destinados a área nobre, as demais regiões sofrem com o abandono e descaso que se arrastam por anos. Vejo tb muita discriminação com os que adentram nesta nobre região, vide as revistas aos ônibus que vêm do subúrbio no verão por exemplo. Infelizmente a realidade é esta. Mas se não me engano são nas Zonas Norte e Oeste a maior parcela de votos que os políticos recebem não é mesmo? Caras de pau!

  3. jorge disse:

    Caro Eron,
    Eu noto que o povão está acordando. Os protestos são uma mostra disso. E a rejeição dos políticos que só pensaram na Zona Sul também.

  4. jorge disse:

    Cara Verônica,
    Essa elite carioca é extremamente egoísta.

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