- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

A “GUERRA ÀS DROGAS” VAI ACABAR

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Abaixo, duas notícias interessantes. Comento-as porque amigos chegados têm reagido às minhas posições em relação à chamada “guerra às drogas”. Eu tinha concluído que a dita “guerra” era elitista, pois a justificativa da sua deflagração foi, e é, proteger a juventude contra os males do consumo de drogas psicoativas (apenas as consideradas ilícitas…). Perguntei-me: proteger que juventude? Proteger de quê? Claro estava, e está: no que tange a consumo, proteger a juventude pertencente a determinadas camadas sociais contra os riscos à saúde, à degradação pessoal, à desagregação familiar e mesmo contra o risco de morte por overdose. Era preciso, então, afastar as drogas dos jovens (e não os jovens das drogas…). Resultado: a política de proibição total colocou um mercado multibilionário (sim, mercado) nas mãos do submundo, totalmente fora de controle do Estado. Sou a favor de que o Estado assuma o controle legal de todas as drogas, como os norte-americanos fizeram quando decidiram acabar com a “guerra ao álcool”.

Os países centrais, capitaneados pelos nossos irmãos americanos do Norte, depois do fiasco da “guerra ao álcool”, investiram na “guerra às drogas”. E os “macaquitos”, obedientes, nela embarcaram de corpo e alma, mais realistas do que o rei. Como se dizia antigamente em brincadeira de criança: “Bento que bento é o frade […] Tudo que seu mestre mandar, ‘fazeremos’ todos!”

E cá estamos nós, matando-nos aos milhares. Quem sabe, não seria a hora de darmos uma parada técnica só para contarmos os mortos em nossa guerra particular!? E procurar saber quantos e quais jovens morreram de overdose e quantos e quais jovens morreram a bala. Alguém dirá: “Bandido tem que morrer mesmo!” Só falta dizerem que a grande quantidade de jovens policiais mortos por traficantes da ponta, e os moradores mortos por balas perdidas na “guerra” em “comunidades” (senhoras, crianças e adultos) também são bandidos. E que o medo do crime em geral é ilusório, nada tendo a ver com  o poder dos “comandos” das drogas.

Não estou maluco. Leio no Correio Braziliense (06/05/2014): “Cinco ganhadores do prêmio Nobel pedem o fim da guerra às drogas  / Para as personalidades, é necessária uma nova estratégia mundial baseada em ‘princípios de saúde pública, contenção de danos, redução do impacto do mercado ilegal’”.

Não estou maluco. Leio na Folha de São Paulo (27/04/ 2014): “Legalizar maconha é opção, diz militar” / Ex-chefe de comando dos EUA para a América Latina, Stavridis vê descriminalização como estratégia para região/ Almirante americano diz, porém, que é cedo para pensar sobre legalização da cocaína no combate às drogas.” 

O almirante diz que é cedo. Cedo! Aliás, cumpre distinguir os que são contra de boa fé dos que o são por motivação inconfessável. E denunciar os setores que são a favor da “guerra” porque lucram com ela.