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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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HORA EXTRA PARA PMs

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Na capa do jornal EXTRA de hoje, dia 30/04/14, lê-se:

‚ÄúPM CASSA FOLGAS DA TROPA PARA CONTER ONDA DE ROUBO NAS RUAS‚ÄĚ /¬†Medida vale para todo o m√™s de maio e visa √† redu√ß√£o dos √≠ndices de viol√™ncia, sobretudo o de assalto a pedestres, que subiu 53,2% no estado, como informou o EXTRA no domingo. Pagina 11‚ÄĚ

Como sempre, a PM e os PMs se desdobram, com denodo e sacrifício, no esforço de dar resposta aos desafios da segurança da população. Cito trecho de postagem anterior em que abordo o tema (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=16 ):

‚Äú[…] Ver-se-√° que, sem sombra de d√ļvida, se trata dos trabalhadores com a maior carga de obriga√ß√Ķes e a menor parcela de direitos. Dos brasileiros com a maior carga hor√°ria de trabalho, comparados aos de qualquer outra atividade ou institui√ß√£o.‚Ä̬†[…[ paira sobre a sua cabe√ßa, na condi√ß√£o ‚Äúespecial‚ÄĚ de¬†militar […], ¬†a espada de D√Ęmocles do regulamento disciplinar e do C√≥digo Penal Militar, que o obrigam a estar √† disposi√ß√£o da Corpora√ß√£o, sem direito de reclamar, durante as 24 horas do dia, os 365 dias do ano, proibido inclusive de executar, mesmo nas horas de folga, alguma atividade para complementar a renda familiar. Hora extra? Repouso semanal? Direito de greve, de sindicato? Nem pensar‚Ķ Em suma, o PM √© submetido a uma esp√©cie de¬†capitis deminutio maxima¬†(perda total da cidadania): n√£o desfruta os direitos do trabalhador comum, nem os do servidor p√ļblico em geral, nem os do policial civil.

Que o poder p√ļblico e a sociedade civil reconhe√ßam mais esse esfor√ßo que se anuncia. Talvez tenha chegado a hora de o governo pensar, pelo menos, em pagar hora extra aos PMs que v√£o atuar nas folgas. Suas mulheres (e maridos) e filhos agradeceriam muito.

 

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8 comenários to “HORA EXTRA PARA PMs”

  1. Eron disse:

    O Estado se esquece que o Policial √© um ser humano. Como cobrar a√ß√£o de um indiv√≠duo cansado e desmotivado? N√£o me espanta os n√ļmeros da viol√™ncia subirem.

  2. Cel Wilton disse:

    Caro Cel Jorge

    1.Historicamente, está provado e comprovado que mexer em folga de PM é procurar chifre em cabeça de cavalo. Obs- A não ser em grandes eventos , os quais INFELIZMENTE ESTÃO SE TORNANDO REGULARES. ANTES CONSIDERAVA-SE APENAS, CARNAVAL, RIO/ECO 92, GRAVES CALAMIDADES PÚBLICAS).

    2. Se explodiu “roubo de rua” em Janeiro e as folgas s√£o cassadas em Maio, a√≠ tem coisa……

    3. N√£o se pode desmoralizar um projeto que deu certo, que √© um bom projeto, como √© o caso do RAS ( que nada mais √© que a formaliza√ß√£o do bico do PM, tornando-o oficial ). Ocorre que seu sustent√°culo b√°sico, al√©m do retorno pecuni√°rio, √© o fator facultativo, volunt√°rio. Se tornar-se obrigat√≥rio, passa ser outro projeto , e n√£o o bom RAS. √Č instigar a Tropa, sem necessidade. e normalmente isso n√£o acaba bem, inclusive porque n√£o mexe s√≥, com PM ( at√© mesmo, com seu bico oficioso), mas tamb√©m com sua fam√≠lia.

    4 Vamos torcer para que o bom senso que é uma das principais características de nosso Escalão Superior, prevaleça novamente. Grande abraço.

  3. Emir Larangeira disse:

    Com certeza, a solu√ß√£o para t√£o grav√≠ssima situa√ß√£o da tropa n√£o est√° contida na PEC 51 do Lindberg Farias, que desmilitariza (extingue) as PPMM. Mas a arrog√Ęncia dos superiores e o desrespeito deles √† dignidade humana das pra√ßas nos leva a aceitar qualquer ideia de mudan√ßa, por mais estapaf√ļrdia ou ignominiosa que seja. Ser√° que o militarismo nas For√ßas Armadas √© assim?…

  4. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    Desde os trabalhos da Constituinte de 1988 que surgiram propostas de desmilitariza√ß√£o da PM. Depois, muitas outras. A do Deputado H√©lio Bicudo foi uma delas. A atual √© um somat√≥rio requentado daquelas. Um Frankenstein. Eu gostaria de ver um governador determinar o emprego de numerosos contingentes de policiais civis uniformizados (farda √© de militar…) em grandes eventos e emerg√™ncias, cortando folgas, cassando f√©rias etc., sem lhes pagar hora extra por trabalho que excedesse as 44 horas semanais de qualquer trabalhador brasileiro. Eu gostaria de ver…

  5. jorge disse:

    Caro Wilton,
    O atual escalão superior da PM tem realmente demonstrado bom senso. Assino embaixo. Sugerir ao governo que pagasse hora extra aos PMs foi a forma que encontrei de chamar a atenção para o problema. Você tem razão: não é boa receita cassar folga e exigir trabalho adicional compulsoriamente.

  6. jorge disse:

    Caro Eron,
    Ser humano trabalhador; trabalhador brasileiro.

  7. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    A PM exerce um servi√ßo imprescind√≠vel para o Estado e n√£o tem o reconhecimento estatal, haja vista, que as conquistas para os seus componentes, s√£o dif√≠ceis e muito lentas. Foi muito feliz a imagem que voc√™ fez sobre a PM e a “Geni”. Na pe√ßa de Chico Buarque “√ďpera do Malandro” a Geni que era destratada pelas pessoas, foi chamada para salvar a cidade, mediante apelos dram√°ticos. Ap√≥s salvar a cidade, tudo voltou a ser como era antes. Com a PM acontece a mesma coisa. Quando surge qualquer crise social, a primeira institui√ß√£o a ser chamada √© a PM e quase sempre resolve o problema. Depois disso, volta tudo como era, ou seja, sem o reconhecimento dos relevantes servi√ßos. No entanto, os milhares de acertos ficam escondidos pelos poucos(proporcionalmente) malfeitos. Nesses momentos recebe as pedradas de todos os lados(Geni). Em rela√ß√£o ao trabalho extra e outras situa√ß√Ķes que o PM √© submetido, n√£o est√° na hora de repensar esse modelo? N√£o se trata de f√≥rmula simplista de desmilitarizar ou n√£o. Creio que a unifica√ß√£o das pol√≠cias estaduais, mantendo um segmento caracterizado e outro descaracterizado seria poss√≠vel. Hoje, parece que o sonho do policial civil √© paramentar-se com uniformes pretos ou camuflados, com botas, coletes, cintur√Ķes, botinas, fuzis pendurados nas costas etc. E o sonho do PM √© ficar √† disposi√ß√£o da pol√≠cia civil ou outro √≥rg√£o para trabalhar em trajes civis. Est√° tudo invertido. Voc√™ v√™ condi√ß√Ķes operacionais, hist√≥ricas, culturais etc. para a unifica√ß√£o das pol√≠cias? Quem ficaria contra essa id√©ia? Como dar um tratamento ison√īmico aos policiiais militares em compara√ß√£o com as outras carrreiras que integram a seguran√ßa p√ļblica?

  8. jorge disse:

    Caro Adilson,
    A PM é a Geni mesmo.
    Quanto à unificação, foi essa a conclusão daquele livro que lancei em 1990, nos moldes que você sugere. O problema seria: quem absorveria quem.

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