- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

(Cont….) SEGURANÇA NO “ESTADO PARTIDO” II – FUSÃO, DESFUSÃO E REFUSÃO

.

Niterói, a Cidade Sorriso, volta a conviver com intensos tiroteios. Mortes, protestos com ônibus e outros veículos incendiados, fechamento do comércio, inclusive do elegante Plaza Shopping. Antes, na Zona Norte (Caramujo, Fonseca, Engenhoca etc.). De uns tempos para cá, também na Zona Sul, área nobre (Icaraí, Ingá, São Francisco etc.) e no Centro.

Na postagem anterior, abaixo, mostro quais eram, em 2004 e 2014, os efetivos policiais nas cidades de Niterói e São Gonçalo, e da Baixada Fluminense e interior. Faltou falar do esvaziamento posterior à “fusão” dos Estados do Rio e Guanabara.

Volto ao tema porque a atual onda de violência em Niterói tem sido atribuída apenas à migração de bandidos saídos de “comunidades” com UPPs no Rio. Não é só isso.

Na esteira da grita do prefeito e dos moradores, lê-se no Globo.com (22/04): Niterói terá duas novas companhias da PM para conter violência / Mais cem policiais vão passar a atuar na região, segundo o governo.”

Trata-se da promessa do secretário de Segurança, após reunião na cidade. Segundo a matéria, “para conter a violência” haverá o “acréscimo de cem policiais na região”. Ora, ou os repórteres erraram na conta ou não se trata de companhias. De qualquer modo, confrontemos “cem policiais” com o esvaziamento ocorrido entre 2004 e 2014, e com o ocorrido antes, após a fusão. Para tanto, basta reproduzir trecho de postagem de 2009, também por ocasião de protestos não ouvidos pela grande mídia (Vivam as redes sociais!…) (Cf. http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=304 [1] ):

Enquanto a população aumentava, e aumenta […] os efetivos policiais deslocados para a Capital e outros lugares. Como demonstro abaixo:

– Ao iniciar-se a fusão, em 1975, o efetivo do 12º Batalhão era de mais de mil componentes. Três décadas depois, foi reduzido para 822. Além do 12º Batalhão, existiam:

– a Ala de Cavalaria, no Fonseca, que executava patrulhamento a cavalo na Cidade, que foi extinta;
– a Companhia de Choque, autônoma, que foi extinta;
– a Companhia de Trânsito, autônoma, que foi extinta;
– a Companhia Escola (no Fonseca, onde se situa hoje o Batalhão de Polícia Rodoviária), que formava os PMs, os quais complementavam o policiamento na fase de treinamento. Extinta.
– o 11º Batalhão, em Neves, o qual era importante para Niterói, pois era limítrofe e executava a segurança dos presídios. Transferido para Friburgo;
– o Batalhão de Serviços Auxiliares (policiais burocratas, empregados nos fins de semana e em eventos extraordinários), também extinto;

[…] não bastasse o esvaziamento do 12º Batalhão, este recebeu posteriormente a incumbência adicional de policiar o município de Maricá (sic).

Logo, se os repórteres não se enganam, acrescentar cem policiais “para conter a violência” na cidade é…

Conclusão: ou o novo governo retoma o processo de fusão ou adere de vez, de maneira oficial, ao processo de desfusão que se encontra em marcha na área da segurança.

……….

PS. Boato relatado pelo EXTRA online, hoje, dia 24, às 21:40 hs.: Traficantes teriam ordenado toque de recolher, inclusive com fechamento de comércio no Centro.  “Universidades como a UFF liberaram seus alunos mais cedo.”