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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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ROJÃO PERDIDO

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Assim que o cinegrafista Santiago Andrade foi atingido pelo roj√£o mortal, o rep√≥rter Bernardo Menezes, da Globo News, afirmou que a ‚Äúbomba‚ÄĚ foi jogada pela PM. Fotos e v√≠deos exibidos logo depois mostraram que se enganara, o que foi reconhecido pela pr√≥pria emissora. Um fot√≥grafo que registrava os acontecimentos ‚Äď e que, em entrevista √† imprensa, pediu para n√£o ser identificado ‚Äď foi taxativo: ‚ÄúEu vi que naquele momento o homem […], ele posicionou o artefato em dire√ß√£o aos policiais. Mas, infelizmente, pegou no nosso companheiro‚ÄĚ. Agora parece n√£o haver d√ļvida: os alvos dos dois v√Ęndalos eram realmente os PMs. Esperemos que os seus advogados n√£o apresentem este fato como argumento, na tentativa de atenuar-lhes as penas. Seria o fim da picada. Por√©m…

 

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9 comenários to “ROJ√ÉO PERDIDO”

  1. Emir Larangeira disse:

    Estimado mestre

    No fim de contas, eles dar√£o um jeitinho de culpabilizar a PM. Mesmo que desta feita n√£o seja ela a “Geni”, as pedradas vir√£o de algum modo, nem que seja indiretamente, por meio da ameniza√ß√£o da puni√ß√£o aos culpados. O assunto se tornar√° “tese jur√≠dica” e a subjetividade dele permitir√° o desvio da aten√ß√£o. Vejo assim: j√° que o alvo eram PMs, e isto √© apenas relativo, n√£o ser√° f√°cil prevalecer a tese do homic√≠dio doloso; inventar√£o o “acaso” e o tornar√£o culposo, a n√£o ser que a m√≠dia marque de perto, pressione a Justi√ßa, o que tamb√©m √© uma anomalia. Enfim, a provoca√ß√£o do mestre permite mil e uma especula√ß√Ķes. Em assim sendo, h√£o de haver mil e uma especula√ß√Ķes em favor dos assassinos, que, desta vez, n√£o s√£o PMs. Ah, mas no campo da l√≥gica eles, os PMs, s√£o vari√°veis antecedentes ou intervenientes. Porque algu√©m haver√° de dizer que n√£o havia necessidade de a PM estar l√° “atrapalhando as ordeiras manifesta√ß√Ķes com a viol√™ncia de sempre, e que o roj√£o era apenas uma forma de os manifestantes se defenderem dela, da PM”. Eis constru√≠da ou reconstru√≠da a “Geni”…

  2. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    Geni s√≥ deixar√° de ser Geni se e quando morrer. Na hip√≥tese, outra Geni ocupar√° o seu lugar. Genis s√£o necess√°rias. Foi por isso que terminei o texto com o “Por√©m…”

  3. Ol√°! Jorge

    Postei no BALÃO LIVRE: http//balaolivre.blogspot.com, em 11fev14, sob o título: BLACK BLOC.

    O que querem é desmilitarizar a PM e criar as milícias de bairro (plano da Nova Democracia) Рsocialismo/comunismo.

  4. Eron disse:

    E mais, será que se o Policial tivesse falecido teria havido tanta repercussão? Alguém ainda se lembra da Soldado Alda, assasinada no Alemão duas semanas atrás?

  5. Iara disse:

    Caro Cel. Jorge,
    Sou jornalista, amo a minha profiss√£o e tenho grande respeito e carinho pelos meus companheiros, mas obviamente, n√£o posso aceitar algu√©m dizer que o roj√£o n√£o era para o jornalista e sim para os policiais. No momento em que ouvi este absurdo “estava voltada para os PMs, n√£o era para atingir o jornalista” reagi com veem√™ncia. Policial militar √© um ser humano, como todos n√≥s, e, portanto tem que ter a sua integridade e vida preservados. Defendo hoje e sempre que esta viol√™ncia tem que ter um fim, venha de manifestantes, venha de policiais militares. O sr. tem “n” estudos que mostram que a pol√≠cia √© reflexo da sociedade. A imprensa, tamb√©m o √©. E ambos precisam urgentemente rever seus pap√©is. Recentemente, assisti a uma cena chocante. No dia anterior, policiais tinham reagido com viol√™ncia extrema ao quebra-quebra de manifestantes e atacado at√© mesmo jornalistas que estavam trabalhando e pessoas que nada tinham a ver com a manifesta√ß√£o. Obviamente, a imprensa denunciou aquele comportamento abusivo dos policiais. No dia seguinte, ou na manifesta√ß√£o seguinte, enquanto manifestantes quebravam vitrines, entradas de bancos etc., policiais a tudo assistiam, de bra√ßos cruzados como se nada houvera. E a√≠ eu pergunto: de onde veio aquela orienta√ß√£o? Do Comando? ou cruzaram os bra√ßos de prop√≥sito, em retalia√ß√£o √†s den√ļncias da imprensa? Amigo, a democracia no Brasil ainda √© muito fr√°gil. O nosso povo e institui√ß√Ķes ainda carregam muito ran√ßo da ditadura. Esse roj√£o atingiu, al√©m do Santiago, toda a sociedade e democracia brasileiras.

  6. jorge disse:

    Cara Iara,
    Voc√™ tem toda raz√£o. O fato concreto √© que o roj√£o atingiu e levou √† morte um jornalista em pleno exerc√≠cio da profiss√£o. Um marido e pai exemplar, querido dos colegas. Uma temeridade. E poderia ter levado √† morte outra pessoa, e nem por isso a temeridade seria menor. Realmente, concordo, o problema √© a viol√™ncia, seja de manifestantes violentos seja da pol√≠cia. Voc√™ pergunta, no caso do papel oscilante da pol√≠cia: ‚Äúde onde veio aquela orienta√ß√£o? Do comando?‚ÄĚ E eu acrescento: teria a orienta√ß√£o para que a pol√≠cia seja empregada ora de uma forma ora de outra vindo de inst√Ęncia pol√≠tica acima do comando? Ta√≠ um bom tema para reflex√£o. O importante √© que a morte do Santiago n√£o tenha sido em v√£o; que n√£o seja esquecida.

  7. jorge disse:

    Caro Eron,
    Ainda somos a sociedade do “vale quanto pesa”.

  8. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O Brasil continua o pa√≠s do casu√≠smo. Essas manifesta√ß√Ķes acontecem h√° bastante tempo, sem que nenhuma autoridade tomasse qualquer iniciativa para controle da viol√™ncia dos manifestantes. A t√īnica foi sempre de avaliar as arbitrariedades praticadas pela pol√≠cia, causando a perplexidade citada por nossa grande amiga Iara em rela√ß√£o ao emprego da PM nessas manifesta√ß√Ķes. Com a morte do cinegrafista da Bandeirantes, em plena atividade profissional, surgiram v√°rias “receitas” para controlar a viol√™ncia de manifestantes. Na verdade, creio que o fecho de sua resposta para Iara: “O importante √© que a morte de Santiago n√£o tenha sido em v√£o; que n√£o seja esquecida” n√£o surtir√° a rea√ß√£o desejada em virtude do ano eleitoral em que ningu√©m quer ferir suscetibilidades. Vamos aguardar. √Č lament√°vel que essa bomba n√£o tenha explodido no colo do agente como j√° aconteceu no Rio de Janeiro.

  9. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Bem lembrado. Bomba do Riocentro.
    Jorge

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