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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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OLIMP√ćADAS. TREM BALA E TRENS URBANOS NO RIO. DE IPANEMA A BANGU

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(NOTA PR√ČVIA. Em raz√£o da situa√ß√£o cr√≠tica do sistema de transportes do Rio, como evidenciado mais uma vez nesta semana, republico uma das postagens de quatro anos atr√°s (02 / 09 / 2009), quando v√°rios setores chamavam a aten√ß√£o para o problema). A√≠ vai:

¬†‚ÄúOLIMP√ćADAS NO RIO. OPORTUNIDADE DE INTEGRA√á√ÉO SOCIAL IV‚ÄĚ

‚ÄúINTEGRAR OU APARTAR?‚ÄĚ

‚ÄúNo ‚Äúpost‚ÄĚ do dia 12 de outubro, sugeri, com vistas a garantir a integra√ß√£o social do Rio de Janeiro, que o governador, o prefeito e o presidente do Comit√™ Ol√≠mpico Brasileiro ‚Äď COB se mudassem, respectivamente, do Leblon para a Penha, da Barra (ou da G√°vea Pequena) para Madureira, e do Leblon para Marechal Hermes. Pelo menos at√© 2015. Reitero a sugest√£o, pois tudo indica que vamos perder a oportunidade de promover a integra√ß√£o da ‚Äúcidade partida‚ÄĚ, como se prometeu ao Comit√™ Ol√≠mpico Internacional ‚Äď COI. Nos tr√™s ‚Äúposts‚ÄĚ anteriores, falei do ato falho de Gabeira, quando, em campanha na Zona Oeste, disse que o prefeito (ele, se eleito) n√£o ia morar apenas no Rio. Mencionei o fato de que, passados os primeiros momentos, tem-se dado prioridade a obras que v√£o beneficiar mais a Zona Sul e a Barra. Falei do an√ļncio, ap√≥s a escolha do Rio como sede, de se colocar ‚Äúbarreiras ac√ļsticas‚ÄĚ de tr√™s metros de altura nas linhas Amarela e Vermelha para que, segundo o prefeito, o barulho n√£o incomodasse os moradores das ‚Äúcomunidades‚ÄĚ (sic).¬†

N√£o bastasse a sofreguid√£o com que as autoridades se movimentam para construir a linha Ipanema-Barra do metr√ī (enquanto os moradores dos sub√ļrbios padecem horrores nos trens e esta√ß√Ķes da SuperVia), divulga-se que os estudos para a implanta√ß√£o do trem-bala ligando S√£o Paulo ao Rio (custo: entre 18 e 34 bilh√Ķes de d√≥lares), encontram-se bem adiantados.

O problema √© que muitos, como pareceu ser o caso de Gabeira, n√£o sabem como se distribui a popula√ß√£o do Rio de Janeiro (dados do IPP, com base no censo 2000); que a cidade foi dividida em cinco ‚Äú√°reas de planejamento‚ÄĚ (APs), englobando um n√ļmero xis de RAs, a saber:

AP1 ‚Äď Portu√°ria, Centro, Rio Comprido, S√£o Crist√≥v√£o, Santa Tereza (popula√ß√£o: 268.260):
AP2.1 ‚Äď Botafogo; Copacabana; Leblon; Rocinha (popula√ß√£o: 669.769):
AP2.2 ‚Äď Tijuca , Vila Isabel (popula√ß√£o: 327.709);
AP3 ‚Äď Ilha do Governador; Vig√°rio Geral; Penha; Ramos; Complexo do Alem√£o; Mar√©, M√©ier; Inha√ļma, Iraj√°; Pavuna; Madureira; Anchieta (popula√ß√£o: 2.353.590):
AP4 ‚Äď Jacarepagu√°; Recreio; Cidade de Deus; Barra da Tijuca; Freguesia (popula√ß√£o: (682.051):
AP5 ‚Äď Bangu; Realengo, Campo Grande; Senador Vasconcelos; Guaratiba (popula√ß√£o: 1.556.505). Total: ‚Äď 5.857.884

Se os que residem na AP2.1 levassem em conta que a mesma s√≥ possu√≠a 669.769 moradores; e que as AP3 e AP5 somavam 3.910.095; e que na popula√ß√£o da AP2.1 est√£o inclu√≠dos os moradores das comunidades da Rocinha, Vidigal, Pav√£o-Pav√£ozinho-Cantagalo, Chap√©u Mangueira, Babil√īnia, Santa Marta e Tabajaras, talvez admitissem que boa parte de nossas dores √© efeito bumerangue da l√≥gica ‚ÄĚfarinha-pouca-meu-pir√£o-primeiro‚ÄĚ.

Quando falo em integra√ß√£o social, penso na viol√™ncia que assola a cidade h√° mais de 20 anos e no abandono a que foram relegados os bairros das √°reas consideradas n√£o-nobres, sobretudo os das AP3 e AP5. E me preocupo com a f√≥rmula escolhida para oferecer seguran√ßa e tranquilidade √† popula√ß√£o: confronto armado e ocupa√ß√£o policial, com a transforma√ß√£o das favelas em Teatro de Opera√ß√Ķes (T.O., no jarg√£o militar). Ora, uma coisa √© o necess√°rio rigor com que se deve reprimir traficantes e assaltantes; outra √© atribuir-lhes a culpa de todas as nossas dores. Reducionismo conveniente, mas inconsequente.

Em tempo: a integra√ß√£o estaria mais garantida ainda se alguns empres√°rios importantes, editores e colunistas dos principais ve√≠culos de comunica√ß√£o se mudassem da AP2.1 para a AP3. Quanto aos investimentos, sugiro deixar para um segundo momento o metr√ī Ipanema-Barra e o trem-bala (chega de bala!). Com o investimento da metade desses recursos na infraestrutura de transportes (com prioridade para os sub√ļrbios!‚Ķ), a cidade ficaria mais harmoniosa. Ia ficar um brinco.

√Č s√≥ admitir que a integra√ß√£o atende muito mais aos interesses dos moradores da AP2.1 do que aos dos moradores das demais √°reas da cidade. Ou continuemos com a l√≥gica do ‚Äúfarinha-pouca-meu-pir√£o-primeiro‚ÄĚ. Mas sem esquecer do colete a prova de balas.

novembro 2nd, 2009

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Um One comentário to “OLIMP√ćADAS. TREM BALA E TRENS URBANOS NO RIO. DE IPANEMA A BANGU”

  1. Eron disse:

    Isto há 4 anos atrás, mas creio (não querendo crer) que se continuarmos com essa política de beneficiarmos apenas as áreas mais nobres este post ficará sempre atualizadado.

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