- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

MÍDIA DO RIO x MÍDIA DE SÃO PAULO. E “(IN)SEGURANÇA SUBJETIVA”

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Começou o ano. Muito estranho o fato de a Folha de S. Paulo de hoje, 02/01/2014, trazer em chamada de primeira página:

“Tiroteio deixa 12 feridos no Réveillon de Copacabana” / “Troca de tiros a um quarteirão da praia começou depois de homem desarmar policial”

Estranha a diferença de ênfase nos aspectos negativos em relação aos grandes veículos do Rio, que sempre realçam os aspectos positivos do Réveillon. Pergunte-se: afinal, tanto lá quanto cá, os meios de comunicação estão a serviço de quê? Quem ganha com esse fogo cruzado? Fica a impressão de que o que menos importa é a segurança da população em geral, e sim os interesses políticos, econômicos, empresariais e de grupos alinhados ao poder.

Aí está a diferença entre (in)segurança objetiva (riscos reais, medidos por frequência estatística) e (in)segurança subjetiva (riscos imaginários, dependentes da manipulação midiática). Reproduzo, a propósito, postagem do dia 12 /06 / 2013:

SEGURANÇA PÚBLICA E MÍDIA. “NÃO VIROU MANCHETE, ACONTECEU!” [1] 

“Interessante a disputa travada ultimamente entre a mídia do Rio e a de São Paulo em torno do tema da segurança.  Casos de violência no Rio viram manchete em São Paulo, e quase não aparecem na mídia do Rio, e casos de violência naquela cidade viram manchete no Rio, e quase não aparecem na mídia de lá. O problema é que, na briga do mar com o rochedo (mídia de lá e mídia de cá) quem sofre são os mariscos (moradores de lá e de cá), vítimas da sonegação da informação e de informações enganosas. Consequência: os mariscos paulistanos, bombardeados de notícias do Rio pela mídia de lá, acreditam que vivem numa cidade segura, e o que mais temem é dar um passeio pelo Rio. Inversamente, os mariscos cariocas, bombardeados de notícias de São Paulo pela mídia de cá, acreditam também que vivem numa cidade segura, abominando a ideia de dar um passeio por Sampa.

Esse esquema joga por terra aquele slogan de uma antiga emissora de TV no qual todos (ou quase todos) acreditávamos: “Aconteceu, virou manchete!” Hoje, no Rio e em São Paulo, ao que parece, o que não vira manchete é o que verdadeiramente aconteceu. Os paulistanos, se quiserem saber o que realmente acontece na sua cidade, ainda que de forma amplificada, devem seguir a mídia do Rio; e os cariocas, pelo mesmo motivo, a mídia de São Paulo. Ou então devem buscar informação em meios alternativos. Ou deixar de acreditar nas manchetes. Importante mesmo, nesse contexto, será procurar saber o que “NÃO VIROU MANCHETE” na mídia das duas cidades. Aí estará a verdade.”

Esperemos que em 2014 haja maior distinção entre empresas jornalísticas e jornalistas…