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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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BALANÇO DE 2013: “LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX”

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É lenda que o presidente francês Charles de Gaulle tenha falado o que dizem que falou, ou seja, que o Brasil não é um país sério (“Le Brésil n’est pas um pays serieux”). A frase não teria sido proferida por ele, e sim por um brasileiro, representante diplomático na França. Bem, se foi o brasileiro ou o francês quem falou, não faz diferença. Hoje em dia, ao ver um parlamentar preso na Papuda ser escoltado até o Congresso Nacional para votar em plenário contra a própria cassação e em seguida ser recolhido de novo à prisão; outro, condenado pelo Supremo por corrupção, inclusive a perder o mandato e os direitos políticos, subir à tribuna da Câmara e, em discurso inflamado, desafiar o presidente do Supremo a provar o provado naquele Tribunal; outro, deputado bilionário, pedindo e conseguindo autorização para, às expensas dos contribuintes, fazer upgrade da classe econômica para a 1ª classe em voo a Nova Iorque, com a alegação de problema na coluna; parlamentares requisitando jatos da Força Aérea para levar familiares a jogo de futebol no Maracanã ou para outros fins particularíssimos, como tratar da calva; magistrados que, comprovadamente, tenham vendido sentenças e outras facilidades recebendo como punição aposentadoria com os vencimentos integrais; autoridades e mídia afirmando, em meio ao tiroteio, que a paz reina (mas sem esquecer seus coletes a prova de balas quando em comunidades que afirmam pacificadas), ainda quando reportam mortes por balas perdidas e os recorrentes ataques de traficantes a bases policiais nesses lugares; hoje, repito, diante de tudo isso e muito mais, não importa saber quem é o autor da célebre frase. É triste, mas ela expressa a realidade em que vivemos. Riem de nós no exterior.

Neste NATAL, roguemos ao Senhor que em 2014 não tenhamos tantos exemplos de  falta de seriedade, para dizer o mínimo…

 

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4 comenários to “BALANÇO DE 2013: “LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX””

  1. Cel Wilton disse:

    Concordo em gênero, número e grau, caro amigo Cel Jorge.

  2. jorge disse:

    Caro Wilton,
    ´E muita empulhação.

  3. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Essa frase atribuída a Charles de Gaulle, já tem algumas décadas. Passado tanto tempo seria normal que o país tivesse melhorado com melhor tratamento pelas autoridades, pelo menos, com a verba pública. Você trouxe fatos atuais, os quais causam repugnância e indignação, porém, demonstrando que nada mudou. Lendo a coluna de Mirian Leitão do jornal “O Globo” de hoje, verifica-se que as nossas fontes de recursos são entregues pelo BNDES a grupos, os quais se sucedem, usando a mesma sistemática, com a “viúva” assumindo os prejuízos dos empreendimentos fracassados.(quase todos). No entanto, com todas as suas constatações, você se considera um otimista. Seria interessante a revelação da fonte que alimenta o seu otimismo para os seus leitores, ao que parece, estão tão cansados de todos esses acontecimentos, que desanimaram de fazer qualquer comentário sobre esses assuntos.

  4. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Como mencionei na postagem, a frase é de um diplomata brasileiro. Com certeza, um brasileiro indignado com essas mazelas. Acho que ele era pessimista. Realmente você me deixa em dúvida. Não sei se sou otimista ou pessimista. Porém, como estou manifestando a minha indignação usando a mesma frase, penso que estou mais para pessimista do que para otimista. Eu gostaria, sim, que houvesse mais comentários, mas o que acho importante mesmo é que, mesmo sem fazer comentários, há pessoas que continuam lendo. Por que?

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