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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ALTA CORRUPÇÃO. NÃO HÁ “MAÇÃS PODRES” ENTRE OS PODEROSOS?

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No regime de terror da Coreia do Norte, após julgamento sumaríssimo, foi fuzilado nesta quinta feira, 12 de dezembro, o número 2 no poder, tio do atual mandatário do país, acusado de corrupção e outros crimes. Em postagem do blog de 24 /06/ 09, falei do tema da alta corrupção em geral, tendo distinguido, grosso modo, três tipos de reação a ela observados em diferentes contextos. Escrevi: 

“Uma evidência de que a corrupção é questão cultural, e não necessariamente desvio individual de caráter, são as reações de corruptos poderosos em diferentes sociedades. Em certas culturas […] o corrupto poderoso, quando flagrado com a mão na massa, suicida-se de vergonha. Em outras, seus atos são considerados alta traição, o que o leva à morte por fuzilamento […]. Já em outras, como a brasileira, não há falar em vergonha nem em falha de caráter. O corrupto (ou o envolvido em “irregularidades”) é que se apresenta em público indignado, exigindo cinicamente provas do provado.”

Aí está um desafio aos estudiosos do tema. Como se sabe, estes buscam analisar o fenômeno orientando-se basicamente por duas teorias: a das “maçãs podres” (como falha de caráter deste ou daquele indivíduo) e a sistêmico-organizacional (como fruto de esquemas institucionalizados, pouco ou nada tendo a ver com pruridos morais). No Brasil, os dirigentes de instituições, corporações e órgãos públicos hierárquicos empenham-se em alegar que recorrentes casos de corrupção são exceções à regra da integridade interna, ou seja, que os flagrados em atos corruptos são “maçãs podres”, poucas. Já no que se refere a instituições do topo, não hierárquicas, ocorre algo curioso: ao mesmo tempo em que a maioria dos seus integrantes empenha-se em negar que haja corrupção sistêmica, poupa os pegos em atos corruptos, ainda que condenados pela Justiça por esse motivo, da pecha de “maçãs podres”. Há mesmo colegas que os enaltecem.  Portanto, nem corrupção sistêmica nem corrupção de “maçãs podres”. Os estudiosos vão ter que desenvolver nova teoria para explicar essas reações ambíguas à corrupção dos poderosos entre nós.

Bem, nem oito nem oitenta. O exemplo do caso norte-coreano, visto em nossa cultura como barbárie, é apresentado apenas para mostrar que há culturas e culturas. Cumpre refletir sobre a nossa; sobre a afronta ao bom senso e à maioria do povo em que se constitui tentar transformar o erro em mérito.

 

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