- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

COMO MENTIR COM AS ESTATÍSTICAS

.

Como mentir com as estatísticas. Esta é uma tradução livre de How to lie with statistics, livro de Darrel Huff, no qual o autor chama a atenção para o cuidado que se deve ter com os números. Alerta para o fato de que, dependendo das circunstâncias, pode-se usá-los tanto para aterrorizar as pessoas como para tentar tranqüilizá-las. Em suas próprias palavras: “The secret language of statistics […] is employed to sensationalize, inflate, confuse, and oversimplify”.

A propósito, transcrevo duas matérias jornalísticas aparentemente contraditórias. A primeira, publicada no dia 18 de setembro, sexta-feira, no jornal O Globo, e a segunda, publicada no dia seguinte, 19, no G1 do globo.com.

Na edição do jornal impresso, lê-se em manchete de primeira página, encimando foto em tamanho grande do secretário de Segurança, o seguinte: 

“Números da violência caem no Rio”

Diminuíram casos de homicídios e roubos de carros, em julho deste ano

E no corpo da matéria:

“O Instituto de Segurança Pública (ISP) anunciou ontem que, em julho deste ano, houve redução em três dos quatro indicadores de violência considerados estratégicos pelo estado, em relação ao mesmo período do ano passado. O número de homicídios dolosos caiu 3,9%; assim como roubos de veículos (10,2%); e latrocínios (14,3%). Já roubos de rua subiram 2,5%. O secretário de Segurança, Mariano Beltrame, disse que a solução é pôr mais policiais nas ruas.”

Já no G1 lê-se em manchete:

 

Cariocas fazem protesto contra a violência em Ipanema.
Participaram da manifestação, parentes e amigos de vítimas.
Grupo tentava mobilizar motoristas nos sinais de trânsito.

(Do G1, no Rio, com informações do RJTV)

E no corpo da matéria (em que também são disponibilizas imagens do RJTV, com depoimentos indignados de manifestantes e em que aparece um enorme painel com os números da violência), lê-se:

Parentes e amigos de vítimas da violência no Rio se reuniram num protesto em Ipanema, na Zona Sul do Rio, neste sábado (19). O ponto de encontro foi a esquina onde um motociclista morreu numa tentativa de assalto há dois dias.
“O diferencial dessa manifestação é que ela é organizada pela sociedade civil e não pelos parentes das vítimas. Nós estamos participando e apoiando mas ela é da sociedade civil porque a sociedade está sufocada“, afirma Daniela Duque, mãe do estudante Daniel Duque, assassinado por um segurança na porta de uma boate no bairro.

Com mensagens de protesto, o grupo tentava mobilizar motoristas a cada fechamento de sinal de trânsito. O que motivou a reação dessas pessoas foi a morte um técnico do judiciário, de 39 anos, na quinta-feira.
O crime aconteceu 20 dias depois que a polícia prometeu reforçar o patrulhamento no bairro por causa de um outro assalto, a três quarteirões dali, que deixou o cirurgião Paulo Athayde em coma.

“De janeiro a agosto aumentou em 22% o roubo de motos. Onde nós vamos parar? Quantas vidas já foram tiradas?“, explica o advogado Renato Pereira. A Polícia Militar informou que reforçou o policiamento em Ipanema no último mês e reafirmou que está tirando PMs dos batalhões para aumentar o patrulhamento nas ruas da cidade.

Que conclusões tirar dessas duas matérias?