- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

AP 470 E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

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Em postagem do dia 21/11, adiante, perguntei: “Por que o presidente do STF, Joaquim  Barbosa, escolheu o dia 15 de novembro para expedir os primeiros mandados de prisão?” Leio agora no G1, do Globo (06/12/2013):

“Justiça do DF suspende visitas às sextas para presos do mensalão: Governo do DF avalia abrir um 3º dia de visitas aos detentos da Papuda. Familiares de presos comuns criticaram privilégios de réus do mensalão”. 

Quero chamar a atenção para dois pontos: primeiro, para a forma como a matéria dividiu os presos da Papuda: ‘presos comuns’, de um lado, e ‘réus do mensalão’, de outro, deixando claro que estes seriam incomuns’, ‘especiais’, mesmo depois de transitadas em julgado as sentenças; segundo, para o fato de ‘alguém’ (sujeito indeterminado) ter destinado um dia ‘especial’ (diferente dos dois dias normais) para visitas aos condenados da AP 470, numa verdadeira afronta, não só aos presos ditos ‘comuns’ e suas famílias como à maioria do povo brasileiro. Temos aí um retrato acabado de como se estrutura e funciona a sociedade brasileira. Suas elites políticas, empresariais e intelectuais descrevem-na democrática e harmoniosa, mas insistem em manter as hierarquias…

Bem, a Justiça do DF, embora tardiamente, parece ter-se rendido ao princípio democrático: “Todos são iguais perante a lei”. Assim, mal ou bem, paulatinamente, a República brasileira vai sendo proclamada. Joaquim Barbosa parece ter descoberto o lócus ideal para promovê-la: o sistema carcerário.