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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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HOMICÍDIOS. O IPEA ENTRE RACIALISTAS, RACISTAS E PATRIOTAS

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No último dia 17/10, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou estudo mostrando que a cada três assassinatos, dois são de negros. Em municípios com mais de 100 mil habitantes, a probabilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um adolescente branco. É um dado, embora, no Brasil, ser branco ou ser negro depende de fatores insondáveis.

Em minieditorial de O Globo (19/10/2013), o editorialista questiona o estudo, que seria fruto da “infiltração da ideologia racialista na Academia”. Não contesta os números, mas acusa os especialistas do IPEA de tentar “provar ‘cientificamente’ que mais negros morrem por serem negros, e não por serem pobres, viverem em áreas violentas”. Ué! Esta é uma conclusão sua, pois o IPEA não trocou uma coisa pela outra.

Parece que o editorialista (a sua identidade social não é conhecida dos leitores…) considera natural a relação pobreza/cor com mortes matadas. “Os negros morrem por serem pobres”. Então tá. Quer dizer que os brancos pobres morrem na mesma proporção que os negros pobres?

Pelo menos desta vez, um editorialista do Globo admite que há negros e brancos no Brasil (alvíssaras!). A não ser a batida falácia diversionista da vitimização “social”, ele não reforçou carcomidos clichês: “No Brasil não há brancos nem negros; somos todos misturados, pardos”; “Somos da cor ‘brasileira’”, “Isso é coisa de americano”.

Na verdade, depois que alguns acadêmicos e midiáticos do Rio se associaram e inventaram a categoria “sociológica” racialista (para rotular e desqualificar os que lutam contra o racismo e pela igualdade institucional/estrutural no País), não só os negros que lutam, mas os brancos que também o fazem passaram a receber a mesma pecha, como no presente caso. O editorialismo do Globo precisa se renovar.

Bem, se os que lutam contra o racismo institucional/estrutural são racialistas, o que são os que lutam contra eles? Patriotas?

 

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7 comenários to “HOMICÍDIOS. O IPEA ENTRE RACIALISTAS, RACISTAS E PATRIOTAS”

  1. Emir Larangeira disse:

    Sua indagação final é irretocável! Reposta no colo do editorialista! Difícil, porém, de tirar. É como o fogo que se alastra após um banho de álcool na região abdominal e pubiana. O desesperado tenta afastar o fogo com as mãos, mas elas, em abanando, aumenta o fogaréu. É como ficará o editorialista, com todo respeito…

  2. jorge disse:

    Larangeira,
    Ele pratica o que se chama de racismo estrutural. Finge que é patriota, desde que os negros permaneçam “no seu lugar” na estrutura social brasileira, ou seja, “serem pobres e viverem em áreas violentas”. Isso, para o grupo ao qual ele pertence, é natural.Só faltou usar o velho chavão politicamente correto: “A saída é a educação”.

  3. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Essa posição do Kamel e seus seguidores tem uma incoerência. Como eles entendem que a estigmatização do negro é por ser a grande maioria formada por pobres e moradores de periferia, por que eles não são a favor das cotas para combater esse desiquilíbrio histórico?

  4. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Essa posição do Kamel e seus seguidores tem uma incoerência. Como eles entendem que a estigmatização do negro é por ser a grande maioria formada por pobres e moradores de periferia, por que eles não são a favor das cotas para combater esse desequilíbrio histórico?

  5. Cel Wilton disse:

    Parabéns caro Cel Jorge da Silva. Ficaram tão cínicos que perderam o medo de serem desmascarados.

  6. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Eles se consideram os donos da verdade, digo, da mentira.

  7. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Esses midiáticos e acadêmicos ultra-elitistas e ultra-conservadores acham normal pobre morrer assassinado,seja negro ou não. Aliás, a matança no Brasil (de pobres, aí incluída a negrada, ficou naturalizada. Neguinho, em bares sofisticados de áreas nobres, faz até piada… Eles não a favor de nada que promova igualdade, pois vivem da assimetria social, que lhes favorece. Pelo contrário, têm horror à igualdade.

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