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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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POL√ćTICOS E “BLACK BLOCS”

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Instalou-se nova pol√™mica em torno do presidente do Senado. Desta feita, relacionada √† compra de alimentos para a resid√™ncia oficial. Curioso que a m√≠dia questiona apenas a suspeita de superfaturamento (R$ 98 mil por seis meses) e a quantidade de certos itens (25 quilos de camar√£o vermelho gra√ļdo, 1,7 tonelada de carne, incluindo 100 quilos de fil√© mignon, 50 quilos de picanha, 54 quilos de lingui√ßa, sem falar nos 50 quilos de carv√£o). Na mat√©ria do jornal Extra Online (17/10), consta que, enquanto n√£o se faz nova licita√ß√£o, Renan Calheiros e fam√≠lia estariam comendo fora, pagando do pr√≥prio bolso. E consta tamb√©m que o governador do Cear√°, Cid Gomes, √© um ‚Äėboa boca‚Äô. A cozinha da resid√™ncia oficial e o seu gabinete ser√£o abastecidos por um buf√™, ao custo de R$ 3,4 milh√Ķes. E √© assim por todo o Brasil.

O que a m√≠dia deveria questionar √© o seguinte: ainda estamos na monarquia? Por que o dinheiro p√ļblico tem que arcar com os custos de alimenta√ß√£o da fam√≠lia das autoridades acima mencionadas? Por que n√£o podem pagar do pr√≥prio bolso? Mais: os custos de alimenta√ß√£o est√£o inclu√≠dos no teto dos seus vencimentos?

Na verdade, a m√≠dia tem colocado foco numa falsa quest√£o. Se √© certo que, para ocasi√Ķes formais, de representa√ß√£o do cargo, haja verbas pr√≥prias, √© um deboche que o presidente da Rep√ļblica, governadores e o presidente do Senado ou da C√Ęmara promovam churrascadas e comes e bebes em suas resid√™ncias ‚Äúoficiais‚ÄĚ, convidando amigos, parentes e √°ulicos para se refestelarem, com tudo pago pelos pobres mortais.

Depois eles querem continuar com a farra e mandar para o c√°rcere quem se indigna com ela e promove quebra-quebra.

 

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8 comenários to “POL√ćTICOS E “BLACK BLOCS””

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O seu questionamento sobre os pol√≠ticos atuais e as suas pr√°ticas mon√°rquicas √© muito pertinente. No entanto, parece que as “prerrogativas” dos nossos pol√≠ticos √© melhor que a dos monarcas. O nosso saudoso mestre Darcy Ribeiro quando foi senador, disse que o senado era melhor que o c√©u. √Č senso comum que o povo pode mudar esse estado de coisas com o voto. Esse √© o grande sofisma. Como o povo pode mudar essa situa√ß√£o quando ele tem de decidir se vota no dem√īnio ou no coisa ruim? Pe√ßo perd√£o aos otimistas, mas, tudo leva a crer que em nosso pa√≠s n√£o h√° sa√≠da em termos coletivos, ent√£o, salve-se quem puder.

  2. jorge disse:

    Caro amigo Adilson,
    Se voc√™ n√£o tivesse esperan√ßa, n√£o demonstraria a preocupa√ß√£o que demonstra. Com os seus coment√°rios,voc√™ tem dado grande contribui√ß√£o. As coisas v√£o mudando muito devagar, mas v√£o mudando. Prova disso √© ver como o “sistema” est√° em polvorosa…

  3. Emir Larangeira disse:

    Erich Fromm dizia que “a calamidade √© ruim para o povo, mas boa para a sociedade.”. Quem sabe os arruaceiros (alguns s√£o remunerados por pol√≠ticos de esquerda ou de direita, segundo diz o “sil√™ncio”, e outros s√£o riquinhos) virar√£o a mesa de tal modo que a calamidade social nos atinja e a sociedade mude revolucionariamente?… O problema √© que sabemos que a viol√™ncia resultar√° mais viol√™ncia. Seria razo√°vel considerar a viol√™ncia dos mascarados um “c√≠rculo virtuoso”?… Que a farra dos pol√≠ticos √© um c√≠rculo vicioso, n√£o h√° d√ļvida! Para mudar isto evolucionariamente o caminho seria o voto. Mas como o voto no Brasil est√° indiretamente remunerado por programas oficiais mui bem orquestrados e atendendo a milh√Ķes de eleitores (segundo noticiaram recentemente, o bolsa fam√≠lia atende atualmente a 50 milh√Ķes de fam√≠lias), isto n√£o sugere que que voto n√£o sirva para nada al√©m de garantir a perpetua√ß√£o dos farristas no poder?… Eis a quest√£o: o voto n√£o mudar√° nada, nem evolucion√°ria ou revolucionariamente, os ignaros clientes do governo a√≠ est√£o a garantir a vit√≥ria do paternalismo. Neste quadro, a viol√™ncia dos Black Blocs (promovida por jovens de classe m√©dia ou alta e mais alguns bobalh√Ķes amantes do Che Guevara) ser√° capaz de solucionar o grave problema?… E se houver alguma revolu√ß√£o, quem a liderar√° e vencer√°? A esquerda que a√≠ est√° ou a direita que nada resolveu enquanto durou?… Eis o dilema!… Com a palavra o mestre…

  4. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    Em primeiro lugar n√£o sou mestre de nada. Sou um bom aluno. Quanto √†s suas d√ļvidas, elas tamb√©m s√£o minhas. De qualquer forma, olhando em perspectiva, d√° para ver que as coisas j√° n√£o s√£o as mesmas. Os pol√≠ticos ladr√Ķes (s√£o muitos mas n√£o s√£o todos) e autoridades em geral, inclusive do judici√°rio, j√° n√£o voam em c√©u de brigadeiro, nem navegam em mar de almirante. Penso que j√° foi pior.

  5. Orlis disse:

    Realmente quando se tem conhecimento dessas “coisas” a gente tem vontade mesmo de quebrar tudo, mas penso e sei que a solu√ß√£o n√£o est√° nesse tipo de comportamento. Na verdade o que acontece quando se destr√≥i o patrim√īnio p√ļblico, apenas d√° margem para que malandramente tudo seja reconstru√≠do, e o superfaturamento alegra todos eles (empreiteiros e funcion√°rios). O que acontece no Brasil √© um fen√īmeno que espelha a cultura da maioria do povo, porque em √©poca de elei√ß√£o sempre acontecem as mesmas conversas e procedimentos, com os candidatos, sempre os mesmos, prometendo mundos e fundos, apontando os graves problemas, como se fossem marinheiros de primeira viagem. O pior s√£o os eleitores trocando os votos em reuni√Ķes regadas a cerveja e com churrasco, trocando o voto por material de constru√ß√£o, √≥culos, etc. Os Senadores e Deputados deste pa√≠s se julgam acima do bem e do mal, e entendem que “podem tudo” e assim fazem o que bem entendem. Caro amigo, voc√™ tem toda a raz√£o, o foco do problema n√£o est√° sendo bem explorado pela m√≠dia, porque isso √© apenas um fiapo, mas o bolo de cabelo no ralo, esse continua l√°. Voltando aos Senadores e Deputados, eles n√£o se definem como funcion√°rios, mas como classe pol√≠tica e totalmente divorciados das leis (feitas por eles), mas que s√≥ se aplicam ao “z√© povinho” e ao “barnab√©”. O nosso pa√≠s tem jeito sim, porque ele √© rico, produtivo, nosso povo trabalhador e sacrificado deseja melhorar, mas ainda n√£o sabe como.
    Você, eu e todos aqueles que têm um pouco de visão, condição, amor pelo Brasil e pelo nosso povo brasileiro, temos que continuar informando (com apoio da imprensa ainda livre) e pelos canais que pudermos alcançar. Temos que apoiar os movimentos populares e continuar gritando contra esses desmandos enquanto força tivermos.

  6. jorge disse:

    Caro Orlis,
    √Č isso mesmo. E √© por isso que perco horas, digo, ganho horas postando essas reflex√Ķes para compartilhar com quem realmente se preocupa com o futuro do nosso Brasil.

  7. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    A indigna√ß√£o fez com que eu escrevesse e mandasse o texto direto, sem corre√ß√£o. Assim, cometi um erro de concord√Ęncia, do qual pe√ßo v√™nia a voc√™ e aos seus visitantes. Sem d√ļvida, as “prerrogativas” dos nossos senadores s√£o maiores que a dos monarcas. As mudan√ßas que voc√™ se refere, al√©m de lentas, s√£o sempre de cima para baixo. Os pr√≥prios detentores do poder hoje, imaginam que foram eles os respons√°veis pela redemocratiza√ß√£o do pa√≠s, cujo impulso da “revolu√ß√£o militar” foi obra dos americanos, bem como, a extin√ß√£o dos governos militares. Dessa forma, os movimentos populares conseguem muito pouco em face do “sistema”. O pr√≥prio Lula s√≥ conseguiu ser presidente porque aderiu as pr√°ticas pol√≠ticas tradicionais do fisiologismo. O epis√≥dio citado por voc√™ se repete nos Estados, Munic√≠pios, Minist√©rios, Estatais, e em todos os poderes. Como mudar isso, com os de fora querendo entrar para usufruir dessas benesses?

  8. jorge disse:

    Caro Adilson
    √Č realmente dif√≠cil, mas em minha opini√£o, j√° foi pior. Penso que a tend√™ncia √© melhorar, e isso leva tempo, pois se trata de quest√£o cultural. Mas admito que pode piorar.

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