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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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(Cont…) SERÁ QUE RICARDO NOBLAT É RACISTA? (II)

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(Nota: Esta postagem complementa a anterior, abaixo)

A soberba, o autoritarismo e a ignorância técnica, vezos que Noblat atribui a Joaquim Barbosa, são traços encontrados tanto em autoridades, de todas as esferas, quanto em brasileir@s de diferentes setores, inclusive no jornalismo. O colunista já apontou defeitos em outras personalidades. Leitor assíduo de sua coluna, não me consta que tenha, em se tratando de personalidade branca, atribuído algum desses vezos a complexo de inferioridade ou superioridade. O sociólogo Guerreiro Ramos, mulato assumido (assumido, porque há mulatos que se olham no espelho e se veem brancos, não sabendo eu se é o caso…), ironizava o fato de os brasileiros que se consideram brancos sentirem-se à vontade para estudar e analisar “os negros”, mas não verem necessidade de estudar e analisar “os brancos”. A essa esquizofrenia Guerreiro deu o nome de  “patologia social do branco brasileiro”. Noblat talvez replicasse: “Ora, branco é branco, não precisa de explicação”. Atroz ironia: o colunista deve fazer coro com os brasileiros que juram de pés juntos não serem racistas e que o Brasil é uma democracia racial.

 

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6 comenários to “(Cont…) SERÁ QUE RICARDO NOBLAT É RACISTA? (II)”

  1. carlos moura disse:

    Caro Jorge. Voce acertou na mosca. Noblat encarna os tipos da sociedade
    brasileira que ofendem negros e negras.

  2. Adilson da Costa azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O jornalista Aydano André Motta em sua crônica no caderno de esportes do “O Globo” de ontem, analisando o beijo do jogador de futebol Emerson Sheik em outro homem, cita a pesquisa da antropóloga Lília Schwarcz sobre preconceitos no Brasil. Segundo o cronista, a pesquisadora em seu livro “O espetáculo das raças” narra que ao ser perguntado: Você é preconceituoso? 99% das respostas foi NÃO. Você conhece alguém preconceituoso? 98% das respostas SIM. É muito provável que se essa pesquisa for feita a um brasileiro sobre a sua cor com a pergunta: Você é negro? a proporção será majoritariamente: não e a outra Você conhece algum negro? também majoritariamente será: sim, possivelmente nas mesmas proporções das respostas sobre o preconceito citada pela antropóloga. Dessa forma, negros são os outros. Para exemplificar, no Brasil como regra julgam-se brancos: 1- Os de qualquer cor desde que tenham cabelos lisos.
    2- Os de pele branca, mesmo que não tenham cabelo liso 3- Os de pele branca com nariz achatados, maçãs do rosto proeminente, lábios grossos. 4-negros de nariz afilado e lábios finos etc. e outras combinações dos quatro exemplos citados, sempre como resultado a consciência de que são brancos. Conclui-se que no Brasil não existe preconceito, sendo uma democracia racial, pois afinal esse é um país de “maioria” branca. Provavelmente essa pergunta se for feita a Noblat, a resposta será não. Aliás, o nome da crônica de Aydano foi “Um beijo no país dos mentirosos”.

  3. jorge disse:

    Adilson,
    No Brasil, ser negro ou ser branco é questão de escolha pessoal. Hoje, a política do branqueamento (aquela que estimulava pretos a se declararem morenos, e mulatos a se fingirem brancos) perdeu força, e os brasileiros com marcas fortes da ascendência africana passaram a se orgulhar disso, o que aumentou de forma exponencial o percentual de pretos e pardos do IBGE nos últimos 30 anos. Mais: em princípio, o preconceito, aqui, é de marca e não propriamente de origem, como nos EUA, segundo sustentou Oracy Nogueira.

  4. jorge disse:

    Caro Moura,
    Noblat talvez não se tenha dado conta de que há negros que também leem o jornal O Globo.

  5. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge, o samba abaixo foi escrito por Martinho da Vila há mais de quarenta anos. Você entende que ele foi inspirado na “Teoria do Branqueamento”? É uma música preconceituosa, pois ele convoca os negros para estudar, trabalhar, tendo em vista que o (pre)conceito contra os negros é que eles seriam malandros? Também a religião dos negros é perniciosa pois ele proibe a “macumba” e a “feitiçaria”? Não sendo essas, qual a leitura que você faz dessa música? Hoje tem mais ou menos preconceitos de 40 anos passados? A coluna do Noblat se fosse escrita no tempo da música de Martinho, provocaria a mesma reação, sendo criticado por muitos, bem como, a crítica de sua colega prestigiada colunista do jornal “O Globo” a respeitada Miriam Leitão em favor de Barbosa?

    Brasil Mulato(Martinho da Vila)

    Pretinha, procure um branco
    Porque é hora de completa integração
    Branquinha, namore um preto
    Faça com ele sua miscigenação
    Neguinho, vá pra escola
    Ame esta terra
    Esqueça a guerra
    E abrace o samba

    Que será lindo o meu Brasil de amanhã
    Mulato forte, pulso firme e mente sã

    Que será lindo o meu Brasil de amanhã
    Mulato forte, pulso firme e mente sã

    Quero ver madame na escola de samba sambando
    Quero ver fraternidade
    Todo mundo se ajudando
    Não quero ninguém parado
    Todo mundo trabalhando
    Que ninguém vá a macumba pra fazer feitiçaria
    Vá rezando, minha gente, a oração de todo dia
    Mentalidade vai mudar de fato
    O meu Brasil então será mulato
    Mulato

  6. jorge disse:

    Adilson

    “branco” ou “negro” é questão de lugar, e não necessariamente de cor ou raça. Uma pessoa “branca” pode ser “negra” como lugar, e vice-versa. Martinho, estou certo, foi irônico, ou seja, “branco” como lugar. Martinho é um dos mais finos militantes do movimento negro. Resumindo: quis sacanear os que falam dos negros sendo “brancos”, do lugar dos brancos.

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