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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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VIOLÊNCIA E INSEGURANÇA NA GRANDE NITERÓI

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Lê-se em manchete de O Globo-Niterói de ontem, 11/08: “Zona Sul do Rio tem 5 vezes mais PMs por habitantes do que Niterói. / Leblon e bairros vizinhos apresentam relação de um policial para cada 157 moradores; aqui é de 808.” 

Cumpre advertir que os dados não são oficiais, nem parecem acurados, pois teriam por base o mês de março. Ainda assim, podem servir à reflexão dos interessados no tema da segurança. Da extensa matéria (três páginas) consta também a informação de que o batalhão sediado em Niterói, que tem a incumbência de policiar, além desse município, o de Maricá, contaria com apenas 794 PMs. Mesmo assim, efetivo superior ao do batalhão de São Gonçalo, município com mais de um milhão de habitantes, quase duas vezes a população de Niterói e Maricá. A situação só não seria pior do que a do batalhão responsável por Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, com efetivo de 682 PMs, e relação de um PM para 1.659 habitantes.

PS. A matéria só foi publicada no encarte de Niterói.

 

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26 comenários to “VIOLÊNCIA E INSEGURANÇA NA GRANDE NITERÓI”

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Todas as vezes em que se discute segurança e policiamento, sempre a tônica é no efetivo de policiais, relação de policiais por habitantes e a necessidade crescente de mais policiais. Ocorre, que apesar desse esforço, a criminalidade aumenta e novamente fala-se em aumento de efetivo etc……e assim infinitamente o fenômeno se repete: mais criminalidade, mais policiais, mais criminalidade, mais policiais. Questiono: não existe outras modalidades de controle de criminalidade que não seja aumento de efetivo. Se existe, por que não são implementadas? Há relação entre o aumento de efetivo da polícia e aumento de criminalidade? Essas estatísticas são confiáveis?

  2. Emir Larangeira disse:

    O problema é histórico, reporta-se à fusão (1975) e tende somente a piorar devido ao conformismo de niteroienses e gonçalenses, ambos atropelados por esta abrupta transformação social ainda hoje não absorvida também pelos cariocas.

  3. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    Concordo, mas não é só isso. É preciso pensar no esvaziamento recente, por outras razões. A PM e a PC são estaduais, e não municipais.

  4. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Você tem toda razão. E sabe que minha posição foi sempre essa. A polícia é apenas um dos instrumentos de controle. O problema é que no Brasil, historicamente, as políticas têm sido pensadas (e cobradas pela população) com essa lógica, o que favorece os grupos com mais poder e voz. A relação ótima policiais / habitantes na Zona Sul do Rio não é acaso, assim como não é acaso a ridícula relação em Duque de Caxias ou na Grande Niterói. Ora, a PM e a PC são estaduais, e não municipais (e muito menos “distritais”). Se é preciso pensar nas outras formas de controle, isso não deve ser lógica apenas para a periferia. É claro que as baixíssimas taxas de criminalidade e violência no Leblon e Ipanema, por exemplo, não se devem apenas à saturação policial, assim como as alarmantes taxas na Grande Niterói ou Bonsucesso não se devem apenas à escassez de polícia. Em suma, há que socializar os efetivos e as outras formas de controle.

  5. Cel Wilton disse:

    Caro amigo Jorge. 1.Enquanto não se descobrir o resultado de fórmulas miraculosas para refrear, controlar, equilibrar os crimes de rua, a solução passa sim pelo maior ou menor efetivo de policiamento ostensivo nas mesma;

    2. A “divisão de delicados” está sendo feita de forma extremamente discriminatória há seis anos e meio;

    3. Não se poderá nunca admitir um Comando, Chefia , Direção na área da Segurança Pública, que, entra ano sai ano, volte cìnicamente suas energias e distribuição de recursos ùnicamente para o território da antiga Guanabara. Mas é isso que ostensivamente está acontecendo;

    4. Escandaloso mais ainda é o argumento que estão a usar, de que não moverão uma palha para continuar a implantação dos GPAE/UPP ( claro na antiga Guanabara) e nem se afastarão do Programa de Metas implantado. Portanto os outros 16.000 – 6.000 = 10.000 milhões de provincianos fluminenses que se explodam!!!!! Rasgaram os manuais técnicos que comprovavam cientificamente o deslocamento das manchas criminais;

    5. finalmente, o argumento acima não se sustenta em hipótese alguma, tendo em vista, primeiro, que os GPAE/ UPP já estão sendo implantados desde o ano de 2000, mas sempre deixando parte do efetivo entrante para distribuição mais equânime ao restante do Estado. Nos últimos 5 anos, é que essa discriminação torpe ganhou forma aviltante. E segundo , que Plano de Metas na área da Segurança Pública no RJ, já existe há muitos e muitos anos, sem interferir diretamente no recompletamento das UOp;

    6. É triste, mas estou cada vez mais concordando com vossa tese, a solução é mudar para o Leblon…….

  6. padre André disse:

    em relaçao a siatuaçao da violencia….. visto de longe, alias da Europa, em primeiro lugar uma das causas da violencia sem duvida é a concentraçao nas periferias de grande parte do povo empobrecido, depois a limpeza social iniciada pelo governo da cidade do Rio com a apoio do governo do Estado.
    Em segundo lugar é consequencia tambem da desmoralizaçao politica de forma geral e ainda mais com o atual governo do Estado do Rio utilisando metodos da ditatura militar para conter manifestantes
    Em terceiro lugar um certo descontrolo por parte da Secretaria de Securança Publica o que me chamou muito atençao o que aconteceu frente a delegacia do Catete onde o Delegado teve que dar voz de prisao aos do batalhao de choque
    Em quarto lugare a utilisaçao de palavras por parte do governador do Estado direicionada aos manifestantes
    Concequentemente, nas periferia de meu ver Niteroi faz parte mesmo sendo cidade importante do Estado…. so pode crescer a violencia e provalvelmente uma concentraçao de funcionarios da PM maldosos usando o povo

    Nao sei se sou errado mas de onde que estou se dar a ver isso. Nao sei se existe hoje uma resposta a nao ser o governo tomar sciencia que na hora atual ha um descontrolo total e que seria melhor sair de que sofrer medidas popular de expulsao

  7. jorge disse:

    Caro Padre André,
    Mesmo de longe, o amigo continua a se preocupar com as coisas do Rio de Janeiro. Grande abraço,

  8. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    No controle da criminalidade não podemos falar de milagres ou mágicas. É questão de estabelecer prioridade de investimento em segurança pública com a utilização de todas as técnicas e meios disponíves. Portanto, é resultado de vontade política. Comandos, chefias de polícia etc. são meros cumpridores de ordens dirigidas pelo poder político que ditam os objetivos e metas dessa gestão. Como não existe uma política de segurança pública de Estado, os dirigentes das polícias, bem como, o secretário de segurança ficam a mercê das diretrizes do governante da vez. Dessa forma qualquer membro da cúpula da segurança pública pode ser descartada a qualquer momento, às vezes, com constrangimentos. Os donos do poder da atualidade decidiram que os “milagres” serão feitos nas regiões próximas aos estádios que sediarão a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Assim episodicamente, mudar para o Leblon é uma boa pedida, desde que não seja na vizinhança de Cabral.

  9. Adilson da Costa Azevedo disse:

    No controle da criminalidade não podemos falar de milagres ou mágicas. É questão de estabelecer prioridade de investimento em segurança pública com a utilização de todas as técnicas e meios disponíves. Portanto, é resultado de vontade política. Comandos, chefias de polícia etc. são meros cumpridores de ordens dirigidas pelo poder político que ditam os objetivos e metas dessa gestão. Como não existe uma política de segurança pública de Estado, os dirigentes das polícias, bem como, o secretário de segurança ficam a mercê das diretrizes do governante da vez. Dessa forma qualquer membro da cúpula da segurança pública pode ser descartado a qualquer momento, às vezes, com constrangimentos. Os donos do poder da atualidade decidiram que os “milagres” serão feitos nas regiões próximas aos estádios que sediarão a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Assim episodicamente, mudar para o Leblon é uma boa pedida, desde que não seja na vizinhança de Cabral.

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  10. Cel Wilton disse:

    Caro Jorge, gostaria de, em continuação a postagem anterior, exemplificar como seria a conduta que está sendo aplicada na segurança pública para planejar e prover recursos , caso seus dirigentes fossem:

    1. Da área da Educação- Bem, existem 20.000 crianças precisando, de livros e cadernos no Estado, mas eu só, tenho 500, então, solução, vou distribuir tudo na Escola situada na ESQUINA DE MINHA CASA;

    2. Da área da Saúde-Existem 20.000 crianças precisando de vacina em todos o Estado, mas eu só tenho 500 doses, então, solução, vou aplicar apenas em 500 crianças atendidas no Posto de Saúde localizado NA ESQUINA DE MINHA CASA;

    3. Da área de Abastecimento- Existem 20.000 pessoas necessitando de alimentação em todo o Estado, mas eu só tenho 500 Kg de feijão, então solução, vou distribuir para 500 famílias que moram na VIZINHANÇA DE MINHA CASA.

    E assim vai companheiro. Até quando ninguém sabe, e o pior é que tem gente que não mora nem na esquina, nem na vizinhança da autoridade mas mesmo assim bate palma.

    Só Freud explica.

  11. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Os vários GPAEs, dos quais as chamadas UPPs derivam, resultavam de planejamento estratégico da própria PM, obedecendo a critérios técnicos que ponderavam as cifras de criminalidade nas diferentes áreas de Região Metropolitana (e do Estado em geral) e a disponibilidade de recursos humanos e materiais. Levava-se em conta que PM e a PC são corporações estaduais, e não municipais… Os GPAEs não eram concebidos como “a política de segurança” em si, e sim como parte dela. Uma iniciativa operacional da PM.
    Meu caro, a solução não é mudar para o Leblon, como brinquei. É deixar que o planejamento do emprego das forças policiais seja feito pelos profissionais, como sempre foi, e não por agências midiáticas e agentes políticos, no seu interesses. É preciso devolver às corporações (PM e PC) a autonomia para planejar o seu emprego estratégico. Segurança pública não é assunto para leigos e palpiteiros.

  12. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Nunca vi coisa parecida em meus 33 anos na PM, e depois, com executivo da segurança. A PM tinha um plano de distribuição do efetivo para todo o estado, que correspondia a critérios técnico-científicos. Foi tudo para o brejo, por imposição político-midiática.

  13. jorge disse:

    Caro Wilton,
    E tudo isso incentivado pela grande mídia.

  14. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O ponto de vista depende da vista do ponto. As minhas opiniões expressam a realidade dos fatos. O que é. Há pessoas que resmungam pelo que deveria ser. Não abordo essas questões, pois entraria em subjetivismos e ideais. Para os que buscam entender o Brasil de hoje recomendo os livros “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda e “Formação do Brasil Contemporâneo” de Caio Prado Júnior. Para os outros a “Utopia” de Thomas Morus. Assim, conclui-se que a segurança pública, que nunca foi prioritária(só é nos discursos políticos) vem sendo deteriorada com o tempo e hoje está pior que ontem e amanhã estará pior que hoje. E todos aqueles que passaram por ela sempre foram vassalos do poder político e defenestrados na forma e conveniência da ocasião.

  15. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Corrigenda: onde se lê: E todos aqueles…, leia-se E quase todos aqueles…

  16. Adilson Soares disse:

    Na minha visão, apenas por experiência profissional, e por ter dado junto com a administração os primeiros passos dessas implantações desde a descoberta da UPP por ação da PMERJ e não naquele momento pelo Governo, posso afirmar que a estratégia de implantação, não seguiu regras de planejamento estratégico após a tomada desse projeto para si, pela Secretaria de Segurança.
    Mais uma vez a mídia criou demandas e o poder público reagiu. Muitas das UPPs não foram planejadas, mas, foi dada resposta imediatista para crises pontuais em grandes complexos comunitários.
    Um fator nos chama a atenção: Desde a implantação da UPP como programa de governo, todos, absolutamente todos os novos Policiais Militares foram para as UPPs. Isso fez com que o efetivo dos Batalhões da Capital e do Inter caísse assustadoramente, prejudicando os Comandantes das Unidades e os Comandantes Intermediários de traçarem estratégias e planejamentos de ação.
    Outro fator, e esse gravíssimo, foi que como consequência direta da UPP, houve um desequilíbrio da distribuição da criminalidade no terreno geográfico. Com a tomada inicial de cada território, os criminosos deslocam-se para outros Municípios e localidades, ocupando espaços dantes sob pleno controle das Forças de Segurança.
    Fizeram-nos descobrir outros territórios, os quais se tornaram fáceis de dominar, uma vez que eram provincianos e não havia a cultura do combate sistemático ao tráfico e criminalidade. Nesses locais havia o que costuma-se chamar de “ladrões de galinhas”
    Com esse fenômeno os marginais da Lei, ocuparam um novo espaço, e retornaram após a implantação, para os seus antigos redutos onde hoje não usam mais fuzis, mas, armas curtas e brancas de fácil manuseio e guarda.
    Os fuzis foram para a periferia. (Continua)

  17. Adilson Soares disse:

    (Continuação)Por outro lado, acho que a UPP se aplica a comunidades menores, onde o controle se torna mais fácil e o efetivo pode ser bem menor, não deixando os Batalhões sem efetivo para os outros locais. A essência da idéia é boa, mas, precisa de critérios baseados em pesquisa e planejamento mais precisos. Como está, enveredou pelo viés político.
    Na verdade Cidade de Deus, Alemão, além de outros Complexos, como são chamados não deveriam acontecer agora, pois, além de ser mais complicado o controle, qualquer problema coloca em risco a imagem do Projeto de governo.
    Obs: Definitivamente, esse, a meu ver não é um Programa de Estado como estão propalando, mas sim um programa de governo.

    assim, caminha a humanidade.
    Essa é minha opinião.
    Um fraterno abraço.
    Adilson Soares

  18. Adilson Soares disse:

    Para complementar, realmente, ninguém descobriu a roda agora.
    Na verdade foi dada uma nova roupagem a um antigo programa da PMERJ, o GPAE.
    Assim, é correto chamá-lo de GPAE/UPP como vai aqui.
    Lembrando aos Sócios da AME que hoje é a eleição. Lá deve ser nossa casa de defesa institucional.
    Abraço a todos.
    Adilson Soares

  19. jorge disse:

    Caro Soares,
    A PM é uma corporação estadual, coisa que os donos da verdade, visando a interesses particularistas, fingem não saber.

  20. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Já li e reli os livros sugeridos. São BOAS narrativas de um determinado ponto de vista. Há outros pontos de vista que narram o Brasil de forma menos arrumada, pois não existe uma só realidade. Esta, a realidade, como você bem mostra, depende não só do ponto de vista mas dos objetivos do narrador e dos destinatários da narrativa. Quanto à vassalagem ao poder político, concordo.

  21. Cel Wilton disse:

    Caro Jorge, e para terminar, me recuso como niteroiense, a aceitar um tratamento de cidadão de 2ª classe e além disso pago os mesmos impostos que o cidadão do Leblon paga, portanto : “NITEROIENSES E GONÇALENCES DE TODO ERJ, UNI-VOS!!!!” e vamos fazer a nossa manifestação BLACK COUNTRY, enquanto é tempo.

  22. Adilson Soares disse:

    É verdade.

  23. jorge disse:

    Caro Soares,
    O governantes se esquecem de que a polícia é estadual, e não municipal (do município do Rio)

  24. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Gostei: Black Country. Já estou fazendo.

  25. cel wilton disse:

    Caro Jorge, obrigado, eu também.

  26. muito interessante concordo com varios aspectos.

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