- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

ESPERANDO A POEIRA BAIXAR, PARA…

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Coincidência providencial. As posições do Papa Francisco, no exato momento em que a juventude brasileira se levantava contra a corrupção política, o direcionamento de recursos públicos para atender a interesses particularistas em detrimento da saúde, da educação, do transporte etc., deixaram boa parte da classe política desalentada. Esta torcia para que o Papa condenasse os protestos, ou que pedisse moderação aos jovens. Ao contrário, Sua Santidade concitou-os a irem à luta: “Se envolvam num trabalho para um mundo melhor. Se metam, saiam para a vida, saiam às ruas. Jesus não ficou preso em um casulo”.

Com certeza, bem antes da viagem ao Brasil, o Papa estudou minuciosamente o país. Não se orientou pela narrativa oficiosa, aquela que dá conta de uma sociedade harmoniosa, pacífica e sem preconceitos. Além de não se posicionar contra os protestos, demonstrou conhecer bem as mazelas nacionais, tanto que deu claro recado à classe política: veio em avião de carreira; deslocou-se em carro comum; verberou reiteradamente a corrupção; rejeitou mordomias; alertou os jovens para terem cuidado com as manipulações, e pediu maior atenção às necessidades dos pobres.

Com a volta do Papa Francisco a Roma, aqui e ali ouve-se falar em deixar a poeira baixar, ou seja, a poeira dos protestos e da reprimenda do Papa. Os que, por natureza irrefreável, praticam malfeitos com o dinheiro do povo apostam em que os jovens dos protestos desistam pelo cansaço e que as palavras do Papa caiam no vazio. E aí…