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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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VÂNDALOS, SAQUEADORES, BANDIDOS, “CRAQUEIROS” ETC.

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No calor dos protestos do mês passado, li matéria no jornal O Globo (18/06/2013) que, aparentemente, nada tinha a ver com os mesmos, mas que me deixou pensativo. O jornal, coincidentemente na mesma edição em que noticiava as escaramuças (confrontos, vandalismos e saques), trazia sugestiva matéria sobre a juventude carioca, sob o título “O aumento de uma geração que não trabalha, nem estuda” (p.13). Ali se lia que o percentual de jovens cariocas que não trabalham nem estudam “cresceu de 12,3% para 16% entre os anos de 2000 e 2010”.

Pareceu-me coincidência, sim, pois se tratava da terceira reportagem da série “Retratos Cariocas”, prevista para sair naquele dia.  Mas o fato de que 16% dos jovens não trabalham nem estudam, e que, segundo o jornal, não procuram emprego carece de reflexão, devendo-se sublinhar que muitos dos jovens nessa situação alegam que não adianta procurar emprego, já que não preenchem duas das principais exigências do empregador: escolaridade média e experiência.

Bem, a matéria apresentou um retrato da realidade atual, numa visão sincrônica. Mas é preciso aprofundar a análise, a fim de saber como esse quadro se configurou ao longo da formação social da cidade, pois conhecer o problema é condição necessária para resolvê-lo. Caso contrário, vamos atribuir a culpa pelo aumento dessa “geração que não trabalha, nem estuda” a ela própria. E o aumento da quantidade de vândalos, baderneiros, saqueadores, bandidos, “craqueiros”, flanelinhas e pedintes à falta de repressão. Nem pensar na interdição à “instrução” e aos bens econômicos colocada à maioria da população desde os tempos da escravidão; e nem pensar nos exemplos que veem de cima; nem nas marcas hierárquicas e discriminatórias da sociedade brasileira e carioca.

Enfim, coincidência ou não, o jornal prestou um grande serviço à sociedade. A relação entre as duas matérias do jornal faz todo sentido. O que não faz sentido é continuar com o velho vezo de resolver questões sociais de fundo com a polícia. Já foi tempo. Não dá mais.

 

 

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