- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

“OLHA O AVIÃO!…”

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Votei na presidente Dilma, e torço pelo sucesso do seu governo. A sua reação aos protestos, em pronunciamento pela TV, pareceu-me coerente. Disse que reconhecia a legitimidade das manifestações e afirmou textualmente: “a voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada”. Acontece que a voz das ruas bradava (e brada) contra a desbragada corrupção política, as agruras da população nos péssimos serviços de transporte, saúde e educação; contra a insegurança e o medo, e contra a prioridade dada pelo poder público a obras sem qualquer interesse da população, como no caso dos inflados gastos em estádios de futebol, e os anunciados gastos em trem bala etc. Ato contínuo, no entanto, a presidente anuncia a proposta de um plebiscito para uma Constituinte exclusiva com vistas à reforma política, o que me pareceu, para usar expressão surgida nas últimas semanas, “um ponto fora da curva”. Aliás, cinco pontos “fora da curva”, a saber: financiamento de campanhas; sistema eleitoral; suplência do senado; coligações partidárias; fim do voto secreto.

Não se discute que essas são questões importantes. Mas o que elas têm a ver com os protestos e com o reconhecimento de que a voz das ruas precisa ser ouvida?  Plebiscito a toque de caixa, para não acontecer? Na verdade, orientada ou não por assessores e políticos, a presidente optou pela falácia do “olha o avião!”, aquela em que, quando todos estão com a atenção voltada para algo importante porém incômodo, alguém grita, para desviar a atenção: “Olha o avião!” Será que a nossa presidente fez isso? Talvez não dê certo. Como resposta, a voz das ruas pode ter o volume aumentado. E manifestantes pacíficos podem achar que os “vândalos” é que estão com a razão…